Entrevista com
Médico
Conversamos com Ludsclay Delmondes Cação, especialista em Cirurgia Oncológica, mas que hoje atua com prevenção e promoção da saúde. Confira!
2 de Agosto de 2022
Muito se fala sobre a saúde feminina. E também, pudera, os problemas possíveis que podem surgir são vários! Por aqui, falamos recentemente sobre dois: TDPM e Endometriose. As mulheres, aliás, são mais cuidadosas com a sua própria saúde, e isso não é uma percepção, mas sim, um fato.
Segundo Antônio Carlos Pompeo, presidente da SBU - Sociedade Brasileira de Urologia, as mulheres tendem a viver de 07 a 10 anos a mais que os homens. Cerca de 82,3% das mulheres buscaram o médico em 2019 contra 69,4% dos homens, conforme dados do Programa Nacional de Saúde (PNS). Fazer exames de rotina é cultural entre elas, ao menos o ginecológico.
Mas e a saúde masculina, onde ela entra nisso tudo? Por anos negligenciada, o homem costuma buscar o médico quando o problema já deu sinais, não tem o costume de se prevenir. Isso quem diz é Ludsclay Delmondes Cação, especialista em Cirurgia Oncológica pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Hoje, ele trabalha principalmente com prevenção e promoção da saúde em seu instituto, o AvantGarde, um espaço construído a partir da experiência médica multidisciplinar dedicada à saúde e à beleza de maneira integrada. Confira abaixo a conversa completa!
Como e por que se interessou pela saúde masculina?
Na verdade, toda palestra que eu dou, entrevistas, aulas, essa é sempre a primeira pergunta que me fazem: como sai da oncologia tradicional para cair nessa área da medicina metabólica/integrativa/preventiva. Na verdade, eu não considero sair de uma área e entrar em outra, eu considero complementar. Quando você está em formação, você passa por outras áreas, mas quando você fica restrito na parte oncológica, começa a sentir uma certa necessidade de oferecer algo a mais para o paciente, porque existem diversos tipos que chegam até você, com diagnósticos diferentes. Por exemplo, eu trabalhava no setor privado e público, e no público, você pega casos mais avançados e por vezes não tem muita conduta para oferecer, são pacientes que têm dificuldade até de chegar até o hospital, e você não tem muito o que oferecer em tratamentos para cura. E mesmo quando você oferece algo, você vê pacientes tendo muitos efeitos colaterais, passando muito mal. Então a minha preocupação era oferecer algo em conjunto, algo que eu pudesse aumentar a eficácia do tratamento que aquele paciente estava fazendo e diminuir os efeitos adversos. E isso eu fui pesquisando por conta própria, dando possibilidades de conduta e foi assim que fui conhecendo essa área de medicina integrativa e metabólica.
E o que você fez com esse aprendizado?
Para entender como aquilo ia me ajudar, eu fui aprender realmente o que era câncer. Porque quando você se forma, aprende como se faz o diagnóstico, quais são os exames a se pedir e os tratamentos a se oferecer, mas você não aprende muita coisa - pra não dizer nada - de qual é o contexto nutricional que esse paciente precisa, orientação alimentar, será que ele precisa ser suplementado, será que o aporte nutricional dele está ok para receber esse tipo de tratamento? Quando eu comecei a busca de uma forma complementar, eu aprendi que câncer não é só um caroço que faço o diagnóstico. Aprendi que o câncer é uma manifestação química e clínica de uma doença inflamatória crônica, com uma deficiência nutricional e no sistema de defesa importante. Entendi que esse paciente não pode ser tratado sem uma suplementação e acompanhamento nutricional ou sem um suporte mínimo para ele poder passar por aquele tratamento. 100% dos pacientes oncológicos possuem um grau de desnutrição importante, no sentido metabólico. E se você entende que esse paciente tem uma desnutrição metabólica, você entende porque a inflamação chegou onde chegou e porque o sistema imunológico dele é deficiente, ele não é uma máquina mágica, ele precisa de substâncias que o deem eficácia.
De forma geral e ampla, quais são os principais pontos da saúde masculina que devemos ficar em alerta?
Na verdade, o homem culturalmente costuma procurar o auxílio médico, mesmo que na área preventiva, um pouco mais tarde que a mulher, geralmente ele procura um auxílio quando já está sintomático. Os benefícios do homem procurar o auxílio da medicina preventiva e metabólica são imensos. A gente acha que “ah não, só quando eu tiver com meus 60, 70 anos que eu vou ver se meus hormônios estão baixos”. Se você pegar dados da Sociedade Brasileira de Urologia, você verá que tem até 27% de homens com 30, 35 anos com sintomas de déficit de testosterona. Quais seriam esses sintomas? Um cansaço excessivo, uma percepção de redução da qualidade de trabalho, fadiga, desempenho da função sexual menor, piora no sono, dentre outros. E aí começamos a detectar faltas específicas, dentre elas, a testosterona.
Então a testosterona é o grande problema?
O grande ponto é que a gente não pode levar todos os sintomas e reclamações para isso, porém. A testosterona é um hormônio primordial, tem várias formas de avaliar sua falta, mas existem outros hormônios que apresentam sintomas semelhantes, e que por vezes são tratados de forma errônea e sem resultado. Por exemplo: déficit de cortisol, que é um hormônio extremamente importante pro homem, ainda mais se você pegar um homem que tem uma rotina extremamente estressada. Você pode nesse caso ter alta de cortisol, mas não estar utilizando-o de forma correta, que é o que causa a fadiga. Deficiência de melatonina, GH, todos eles são influenciados pelo ciclo circadiano, teoricamente alterado pelo estresse do dia a dia. Seria uma falha não procurar, porque quando os sintomas estiverem muito intensos, talvez o trabalho pra gente corrigir isso seja muito maior.
O que levaria a deficiência desses hormônios?
A gente vê muito hoje aqui no instituto com homens que chegam com esse tipo de sintomas relacionados a falta de testosterona. São homens repondo essa testosterona. E aí, por exemplo, você pega um homem de 35 anos, que você consegue coletar uma história adequada, consegue ver seus antecedentes, conversar sobre perfil alimentar, ver tudo sobre hábito intestinal, urinário, qualidade de sono. Você não encontra uma patologia específica, aí você tem que se questionar. Se ele tem 35 anos, é extremamente viável em termos de patologia, porque ele está com a testosterona baixa? Aí entra uma conduta integral, ou seja, não é para ele ter testosterona baixa, então se eu não identificar a causa, talvez eu piore a deficiência repondo esse hormônio. No mundo moderno, a principal causa dessa falta em um homem jovem é o sobrepeso e obesidade. Às vezes eu tenho um ciclo hormonal e produção adequadas, porém o tecido de gordura abdominal tem uma capacidade de sequestro, ou seja, torna-o inativo. Então se ele não corrigir esse peso, ele não vai melhorar clinicamente.
E quais são os caminhos a seguir, então?
Para qualquer tipo de conduta eu tenho três pilares importantes: avaliação nutricional, avaliação de suplementação e atividade física. Ou seja, se eu conseguir fazer ele entender esses três contextos, junto com o diagnóstico de sobrepeso e obesidade, por exemplo, eu consigo ajustar a composição corporal desse paciente. Ou seja, eu consigo diminuir esse sobrepeso e essa obesidade, consequentemente reduzindo essa quantidade de gordura visceral, e aí eu libero a ação da testosterona que ele mesmo produz, eu não preciso repor. A gente tem que entender que a composição corporal hoje é a chave da saúde, ou seja, a quantidade de gordura visceral e massa muscular precisam estar em equilíbrio. A gordura visceral e o músculo são órgãos endócrinos, que produzem substâncias e estimuladores fisiológicos, e a gordura produz essas substâncias que são pré-inflamatórias, ou seja, elas produzem a inflamação, elas aumentam essa gordura visceral. A massa é anti-inflamatória, melhora esse sistema de defesa. Não é buscar um corpo esteticamente correto, mas sim, um corpo de composição corporal saudável. E muitas vezes eu nem preciso encher esse paciente de cápsulas de vitaminas, só uma boa orientação nutricional já pode ajudar a melhorar.
Quais são os caminhos da prevenção?
Buscar por uma melhor qualidade alimentar, ou seja, 100% dos meus pacientes são orientados a ter um acompanhamento nutricional, eles precisam entender que precisam não só se alimentar, mas precisam se nutrir. Quanto mais nutrido, menos adoecimento. Entender o que são carboidratos, gordura, porque isso me faz bem ou porque me faz mal, e a partir daí começar a diminuir o que não é preciso e aumentar o que é preciso. Em segundo lugar: suplementação individualizada, ou seja, nenhum paciente vai utilizar a mesma suplementação de um outro, cada um tem suas deficiências específicas. O homem geralmente tem uma qualidade alimentar piorada, então a suplementação já vai ser específica.
Segundo sua opinião, baseada em sua experiência clínica, por que existe essa cultura de o homem ir menos ao médico? Isso ainda é uma realidade?
Eu acho que isso gradualmente vem mudando, porque existe na verdade um certo preconceito da parte do homem em procurar auxílio, porque ele dificilmente admite que não está bem ou que está doente. E pelo próprio medo, diante de uma doença a reação do homem é bem diferente da mulher, fora que eles costumam minimizar muito os sintomas. Então ele vai postergando isso e geralmente quando está muito grave, ele costuma procurar. Mas hoje em dia, na nossa visão, isso está mudando muito, justamente pelo fácil acesso às informações, que chegam muito mais rápido. Você procura no Google e acha muito fácil, eles estão identificando os sintomas e aceitando que se procurarem ajuda no sentido preventivo, acabam tendo benefícios muito maiores.
Qual é o papel da AvantGarde nisso tudo? Quais dores vocês solucionam?
O nosso lema de trabalho, como profissionais de saúde que visam essa medicina preventiva, é identificar o problema que o paciente traz até você de uma forma ampla. Ou seja, se o paciente chegar com dor, não posso só dar um analgésico, eu preciso entender o que levou a essa dor, quais foram as causas. Quais são as queixas mais comuns de homens? Cansaço. Fadiga. Melhorar a disposição. Então para eu identificar a causa, tenho que ter uma avaliação extremamente específica desse paciente. Se eu não identificar nada, eu examino esse paciente de forma clínica, por exemplo, sobrepeso ou obesidade com uma bioimpedância, exames laboratoriais, junto todas essas informações. E a gente tem parceria com educadores físicos onde podemos inserir junto com tudo isso um ritmo de atividade física regular.
Gostaria de acrescentar algum comentário? Procure por uma qualidade de vida melhor, entenda seus benefícios, se não você se tornará um seguidor de prescrição. Eu não quero ninguém seguindo prescrição, quero que o paciente entenda. Hormônio é essencial, todo homem tem que ter um nível bom, caso contrário, não terá boa proteção cerebral, função sexual adequada, proteção cardiovascular, composição corporal e até em termos crônicos. Hoje em dia já existem vários estudos que incluem o uso de testosterona para Alzheimer e Parkinson, tanto para prevenir quanto para tratar. Outra coisa, dores de cabeça, uma causa muito comum de pronto-socorro, pode ser uma simples deficiência hormonal de minerais e vitaminas. A otimização é a palavra-chave. Às vezes você acaba dando diagnósticos equivocados, tenho pacientes que apresentavam irritabilidade ou depressão e estavam todos atrelados à falta de testosterona, sendo que o homem tem um eixo hormonal muito mais simples.
Mergulhe na história de conexão e amizade de Alexandre Rossi com os animais, representando o pilar Relações.
22 de Abril de 2024
Você se sente distante da natureza? Com as grandes cidades e o mundo cada vez mais visto através de telas, a resposta sim diante dessa grande questão é a mais comum. Mas, se pararmos para pensar, isso pode ser bastante contraintuitivo: como nos sentimos distantes da natureza se somos bichos e fazemos parte dela? O quarto convidado da décima quinta temporada do Podcast Plenae, Alexandre Rossi, traz esse respiro do mundo animal e nossa relação com esse universo em seu episódio.
Representando o pilar Relações, Rossi insiste em como essa desconexão pode nos fazer mal e como ter animais em casa pode ajudar a resgatar um pouco desse laço. “A gente tá muito afastado da natureza, e o convívio com os animais de estimação ajuda a restabelecer essa conexão. Os nossos pets têm várias necessidades que não são muito compatíveis com o mundo em que eles estão vivendo hoje, com a gente. Só que a nossa situação é praticamente idêntica à deles. O ser humano está vivendo em uma sociedade e em um habitat muito diferente daquele onde viveu por milhares de anos”, pontua ele, já no início do seu episódio.
Se ser “pai de pet” hoje está na moda, então pode-se dizer que Alexandre está à frente do seu tempo nessa tendência desde muito antes. Aos 5 anos, o menino que já era apaixonado por animais de todo tipo ganhou seu primeiro peixe, um presente clássico na infância de muitos, mas que nele foi o primeiro despertar daquilo que viria a ser o seu propósito por toda a vida: observar o comportamento dos bichos.
“Eu passava horas observando os lebistes [raça do peixe]. Eu percebi que, toda vez que ia dar comida, eles ficavam agitados. Eles iam pra superfície, porque a ração boiava, e comiam um monte. (...) De uma maneira muito elementar, eu fui vendo que podia influenciar o comportamento de cada peixe. Eu tava diante do que a gente apelida como comportamento supersticioso. Quando você dá o sinal da recompensa, com comida, o animal tende a repetir o mesmo comportamento mais vezes”, relembra.
Foi nessa fase que ele começou a dar os primeiros passos nessa jornada e ensinou alguns truques simples para esse peixe, seja para se divertir, divertir o seu irmão e seus amigos. Das águas do aquário, ele passou para um girino - que logo se tornou uma rã -, com direito até mesmo a aniversário para esse pet tão incomum, e depois para aranha, cobra, lagarto, iguana, cágado, coelho, hamster… O céu era o limite.
“Sempre que morria algum bicho meu, a minha mãe, que é bióloga, falava: “Olha, já morreu. Você não quer aproveitar e aprender mais sobre biologia e anatomia?” Ela me ajudava a dissecar os animais, me explicava o que estava por dentro deles e o que podia ter acontecido. Pra mim era uma coisa normal. Depois que eu fui percebendo que as pessoas ficavam surpresas com isso”, relembra.
Parecia óbvio então o caminho que sua carreira seguiria, certo? Alexandre entra no curso de zootecnia “já sendo um PhD em criação de bichos”, como ele mesmo define. Mas, o curso majoritariamente técnico excluía justamente a parte subjetiva que mais o encantava, a psicologia por trás de todo comportamento animal.
Foi quando ele engrenou em um mestrado em psicologia e acabou se consolidando na área do comportamento animal depois de demonstrar de forma prática que sua vira-lata Sofia era capaz de se comunicar por sinais se fosse treinada para isso. Logo após ela, veio a famosa Estopinha, seu pet que ganhou mais notoriedade e que foi adotada também por motivações intelectuais.
“A Sofia aparecia na TV e eu percebi que, por causa dela, as adoções de vira-latas aumentaram muito no Brasil. Então, eu quis que o meu próximo cachorro também fosse um vira-lata. Eu queria também um animal que tivesse sido devolvido por uma família, pra mostrar que é possível mudar o comportamento de um bicho problemático. Esse pet foi a Estopinha”, conta.
Ela, que virou o segundo pet com mais seguidores no Facebook, foi também um dos grandes amores da vida de Rossi que, mesmo com todo o entendimento sobre o ciclo da vida, ainda sofre com a perda de sua companheira de 14 anos. “Durante o processo de finitude da minha cachorrinha, eu abri pros meus seguidores nas redes sociais e na TV o que realmente estava acontecendo. E, conforme eu fui abrindo, fui vendo que eu estava mexendo num ponto muito importante e delicado do ser humano, que é o luto pelo animal de estimação. É delicado, porque muita gente julga quem se apega demais a algum bicho”, diz.
Hoje, Alexandre percebe que dividir esse luto foi como completar a sua missão em prol da causa animal, sua principal bandeira, e como essa conexão entre eles e nós é muito maior do que se imagina. Seus próximos passos e o resto dessa linda história você confere ouvindo o episódio completo, disponível no Spotify ou aqui em nosso site. Aperte o play e inspire-se!
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