Para Inspirar

Um mundo melhor para os eletrodependentes

Conheça outras iniciativas como a Outcare, da nossa participante do Podcast Plenae, que buscam tornar a vida dos eletrodependentes mais fácil e com dignidade

31 de Dezembro de 2024


No último episódio da décima oitava temporada do Podcast Plenae, conhecemos a emocionante história da intuição materna de Aline Bertolozzi. Representando o pilar Propósito, a empreendedora criou a Outcare, uma empresa que surgiu de uma necessidade da sua própria família: garantir que os aparelhos que mantêm a vida de seu filho funcionando mesmo fora de casa, em uma situação longe de eletricidade. 

Assim como ela, existem outras iniciativas que buscam olhar para essas pessoas que somam mais de 300 mil só no Brasil e que, infelizmente, ainda são pouco assistidas. Confira a seguir!

Desconto na conta de luz


Em 2022, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou a ampliação do desconto na tarifa de energia elétrica a famílias carentes que mantenham em casa pacientes em regime de internação domiciliar, segundo a Agência Senado. Ela é chamada de Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) e os descontos podem chegar a 100% no caso de famílias indígenas e quilombolas inscritas no Cadastro Único e que atendam aos requisitos, como o limite de consumo de 50 kWh/mês.

Energia solar


O projeto “Sol-Ar, sol para respirar: energia solar fotovoltaica para eletrodependentes” foi idealizado e executado pela Abraf – Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Arterial e Doenças Correlatas, para dar suporte a famílias que necessitam utilizar concentrador de oxigênio em seu lar. A iniciativa prevê instalar placas fotovoltaicas nas residências de pessoas que vivem com doenças pulmonares, como conta artigo na Vida e Ação.

Outra iniciativa da mesma natureza é o Projeto Energia do Bem, uma ação para alcançar consumidores cadastrados como eletrodependentes, que são beneficiários da Tarifa Social de Energia que contamos anteriormente. Essa ação consiste na instalação de um kit gerador de energia fotovoltaica, além da troca de lâmpadas tradicionais pela tecnologia de LED, que é mais econômica. Tal projeto conta com a doação e instalação de kits de energia solar realizados pela maior empresa de comercialização e fornecimento de eletricidade de Santa Catarina, a Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A (Celesc), como conta o Portal Solar.

Gostaríamos que a lista crescesse e se somasse a Aline, mas não movidas por uma necessidade, como foi o caso dela. Mas sim, por uma vontade genuína de olhar para essa parcela da população. Esperamos com esse artigo ter inspirado você a colocar dentre suas causas, a causa dos eletrodependentes! Espalhe a notícia por aí.

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Para Inspirar

Rejuvenescimento Biotecnológico - A idade desassociada do envelhecimento

O envelhecimento deve ser tratado como doença?

23 de Abril de 2018


Aubrey De Grey é um pesquisador que trabalha em uma área inovadora nos estudos sobre a longevidade. Com uma visão de mundo bastante curiosa, e até mesmo polêmica, colocou muita gente para pensar. Ele trouxe a seguinte questão: o envelhecimento deve ser tratado como doença?

O PLANETA ESTÁ ENVELHECENDO. O QUE ESTAMOS FAZENDO A RESPEITO?


Em 2015, último ano em que este tipo de estatística foi divulgado até o momento da palestra, não havia um só país no mundo cuja expectativa de vida estava abaixo dos 50 anos. E mais: não havia um só país além das regiões subsaarianas da África com expectativa abaixo dos 60.

O que isso quer dizer? Que envelhecer não é mais um problema de primeiro mundo. O envelhecimento é uma realidade comum a todos, ricos e pobres, e deve ser encarada de frente. Aubrey De Grey levanta a bandeira de que o envelhecimento (e o sofrimento causado pelas doenças que vêm junto com ele) é um dos maiores problemas do mundo de hoje.

Ele chama a atenção para a necessidade dos líderes mundiais, sejam eles nos campos do pensamento, da política ou da ciência se posicionarem a respeito deste tema, dividindo a responsabilidade de levar a humanidade adiante neste mundo que envelhece constantemente.

Temos progredido enormemente no combate a doenças infecciosas, tornando-nos mais saudáveis e melhorando a qualidade de vida de grande parte das populações do mundo. Porém, quando falamos em descobertas sobre doenças relacionadas diretamente à idade, o progresso é muito lento.

VELHICE: UM MAL NECESSÁRIO?


Isso se deve, em parte, a atitude que nós, como sociedade, escolhemos tomar diante da velhice: “ela é inevitável, natural e não há nada que se possa fazer a respeito”. É esse pensamento que Aubrey rebate. Em seu trabalho, ele defende que as doenças do envelhecimento, ou seja, aquelas causadas pelo desgaste natural do corpo são processos que devem ser combatidos de maneira diferente da que a ciência vem fazendo até agora.

Imagine o corpo humano como uma máquina: ela sai da fábrica limpa, funcionando perfeitamente bem, com tudo encaixado no lugar certo. Porém, com o tempo de uso, a repetição de funções, o acúmulo de sujeira e a idade das peças esta máquina vai desgastando e falhando.

Quanto mais o tempo passa, mais esses danos vão se acumulando e mais prejudicam o equipamento, até que ele quebra ou para de funcionar de vez. Com nosso corpo é igual. Ao longo da vida, nossos processos metabólicos vão acumulando pequenos danos, pequenas sobras aqui, uma anomalia celular ali.

Esses “danos” começam quando nascemos e se acumulam no nosso organismo ao longo dos anos. E, é claro, esse acúmulo se manifesta de maneira mais intensa quanto mais velhos estamos. De Grey listou as três maneiras como as doenças do envelhecimento são tratadas hoje: via medicina geriátrica: esta linha de estudo procura curar eliminando os problemas do corpo, atacando o que não “está certo” até que os danos sejam extinguidos do organismo.

Porém, para o pesquisador, esta abordagem tem um problema: segundo ele, perdemos tempo se tentarmos eliminar os danos do organismo – afinal, eles são apenas efeitos colaterais de se estar vivo. Se conseguirem ser extirpados, logo voltam, já que são causados pelo próprio corpo, são acúmulos de anos de vida.

Via gerontologia: a gerontologia – ou a biologia do envelhecimento – procura trabalhar de maneira preventiva, protegendo a cadeia de danos logo no início. Mas este, para Aubrey, também não é o modelo ideal de tratamento. Afinal, o metabolismo humano é extremamente complexo e não compreendemos cem por cento o seu funcionamento.

Trabalhar dessa maneira apenas preventiva, com base em previsões, não é certeza de que os danos acumulados ao longo da vida serão realmente evitados – na realidade, eles vêm sendo apenas adiados. Via manutenção periódica: o caminho favorito de Aubrey De Grey não propõe diminuir o ritmo de criação dos danos e nem arrancá-los fora. Ele propõe assumir que esses danos existem e vão existir, mas que podem ser reparados de tempos em tempos.

Como a manutenção de uma máquina, mesmo. O pesquisador traz essa abordagem como uma conclusão simples e possível – afinal, fazemos isso com nossas casas e carros há anos, por exemplo. Se queremos conservá-los novos, precisamos fazer ajustes.

Colecionadores de carros antigos conseguem mantê-los funcionando por vezes durante mais de 50 anos não porque sua máquina foi feita para durar tanto tempo, mas porque ela passou por muita manutenção preventiva. Porém, a manutenção proposta por Aubrey De Grey é um pouco mais complexa e convida a medicina a fazer mais pesquisas sobre o assunto.

É muito mais que tomar um suco detox de tempos em tempos: ela passa pelo reparo, limpeza e mesmo substituição artificial de células. Você está pronto para essa revolução?

É HORA DE FALAR SOBRE O ENVELHECIMENTO

A proposta pode ser polêmica, mas traz à tona um assunto muito importante: todos nós sabemos que a velhice existe e pode dar trabalho. Mas por que não se fala tanto nisso? Porque somos resistentes ao assunto. É natural, queremos adiar os temas complexos. Ninguém gosta de falar de coisas pesadas e incertas como a realidade de uma possível doença em nossos dias futuros.

Mas pensar nesse assunto de maneira realista, encarando a verdade de cada idade com coragem e leveza se faz necessário. E pode ser muito mais simples e libertador do que parece. Envelhecer é um processo que inevitavelmente vai acontecer – e está acontecendo – com todos nós que sobrevivemos a juventude. Se começarmos a dar a atenção necessária para essa fase, coisas maravilhosas podem surgir daí.

Quanto mais falarmos sobre a realidade da velhice, mais uniremos vontades, ciências e experiências para aliviar o sofrimento do envelhecimento, seja via natureza, seja via tecnologia, da maneira que for melhor para cada um. Depende apenas de nós.

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