#PlenaeApresenta: Francilma Everton e a educação como emancipação

O Plenae Apresenta a história de libertação por meio da educação de Francilma Everton, representante do pilar Contexto.

23 de Dezembro de 2024



Qual é o papel da educação na sua história? Para Francilma Everton, representante do pilar Contexto na décima oitava temporada do Podcast Plenae, a escola representava uma ponte para outras realidades possíveis. Isso porque, assim como uma grande parcela da população, a escola é a responsável por apresentar novos mundos a tantos jovens às margens da sociedade. 

“Como jovem negra e periférica, eu não tinha um projeto de vida nem perspectiva de futuro. O meu sonho era terminar o Ensino Médio, conseguir um emprego de vendedora de loja com carteira assinada. O meu destino só mudou porque a diretora da escola onde eu estudava começou a falar com a gente sobre vestibular e faculdade. Era um universo novo para mim”, conta. 

Nascida e crescida no interior do Maranhão, numa cidade de 45 mil habitantes chamada São Bento, sua família era tão pobre que, aos 2 anos de idade, ela quase morreu de desnutrição - para se ter uma ideia, sua mãe chegou até a encomendar um caixão para ela. Nessa cidade não tinha emprego para seus pais então, aos 4 anos, eles se mudaram para a capital São Luís - mas ela continuou morando com tios, primos e a avó, que ficava boa parte do dia vendendo lanche na rua para sustentar seus 9 filhos sozinha.

Francilma foi criada por sua tia, que era apenas sete anos mais velha que ela e era responsável por buscar e levar na escola e por participar das reuniões escolares. Ela, por sua vez, cuidava de uma tia que tem deficiência física e ajudava nos afazeres domésticos com apenas 8 anos de idade. Como sonhar mais diante disso?

Então, aos 14 anos, ela foi morar com seus pais, fantasiando que a vida e a qualidade do ensino na capital seriam melhores. Mas em São Luís tudo era diferente. Seus pais moravam em uma área de ocupação na beira do mangue, um lugar sem água potável, sem saneamento básico e com muita violência. 

A mãe era dona de casa e o pai se virava fazendo bicos. Quando faltava comida e dinheiro, um tio que trabalhava numa padaria oferecia uns pães duros e mofados que tinham sobrado no dia e, junto de algumas mangas colhidas em um terreno vizinho e um chá de capim-limão que a mãe plantava no quintal, se tornavam a única refeição do dia. 

Estudar na cidade grande também foi mais complicado do que ela imaginou. Era preciso dinheiro para pagar o transporte público para se deslocar até o centro da cidade e, mesmo com toda a família empenhada nos esforços, o ensino era insuficiente e havia muita falta de professor, por exemplo. 

“Eu teria parado de estudar no Ensino Médio, se não fosse pela diretora da escola, a Fátima. Ela vivia falando que a gente deveria sonhar em ser mais do que os nossos pais. Ela incentivava a gente a fazer faculdade, algo que nunca esteve no meu radar. Quando eu contei essa ideia pra minha mãe, ela me apoiou e incentivou. Sempre que a diretora lançava uma informação nova, eu anotava no caderno e ia na lan house pesquisar. Eu pude me preparar pras provas com apostilas de cursinho que meu pai encontrou num lixão”, conta. 

Aos 17 anos, ela foi aprovada na Universidade Federal do Maranhão para estudar Ciências Sociais sem nem sequer saber direito o que era ensinado no curso ou qual seria sua profissão quando terminasse a faculdade. Ela conta que só optou por esse caminho por ser o único oferecido a noite, o que possibilitaria que ela arrumasse um emprego durante o dia e ajudasse nas contas de casa. 

Conciliar ambos, porém, trabalho e estudo, foi tarefa muito árdua. Sua base escolar era fraca e o curso era exigente, repleto de textos difíceis e termos incompreensíveis. Já casada, seu marido apoiou sua ideia de só estudar pois conseguia arcar com as contas sozinho. Ainda assim, suas primeiras notas foram baixas, algo inédito em sua vida, sem contar as micro agressões cotidianas sofridas por ser negra. 

“O meu ano foi o primeiro a ter cotas, tanto pra estudantes de escola pública como para negros. O número de alunos por classe aumentou. Alguns professores chegavam com falas muito preconceituosas, tipo: ‘Agora a gente não consegue dar aula’. Eu estava ali adquirindo um direito, usufruindo desse direito, e sofrendo uma violência simbólica”, relembra.

Nada disso era capaz de pará-la. Francilma passou a gravar as aulas e suas notas foram melhorando. Consequentemente, algumas bolsas foram sendo oferecidas, dentre elas a de sua primeira iniciação científica e também de línguas estrangeiras. As vagas na área eram escassas, mas Francilma passou em um concurso para professores com o maior salário do Estado, mesmo sem grandes expectativas e tudo fruto de uma determinação inerente a ela. 

As salas de aula viraram a casa dela que não parou mais de lecionar e muito menos de estudar. Não há edital que passe despercebido por ela que agora busca, em todas as suas movimentações na carreira, trazer mais jovens consigo, jovens que tiveram a mesma realidade e passado do que ela. 

Seus trabalhos já foram reconhecidos não só financeiramente, mas também com prêmios e nomeações que ela coleciona com esmero. Para conhecer mais de sua história, aperte o play e inspire-se tanto aqui no nosso site quanto no Spoitfy. A educação liberta!

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Parada obrigatória

A poesia por trás da ciência

O que foi falado no Plenae em julho

31 de Julho de 2023


Não é segredo para ninguém que nós aqui do Plenae amamos a ciência! Todos os nossos artigos sempre trazem alguma teoria científica ou ao menos alguma pesquisa feita para chancelar o que estamos dizendo. Isso porque acreditamos que é só por meio da ciência que conseguimos entender com mais profundidade as coisas que nos cercam. 

E em julho, isso não foi diferente. “Sem querer querendo”, trouxemos temas leves, mas com muito estudo por trás! E de quebra, ainda demos adeus para nossa décima segunda temporada do Podcast Plenae com um episódio lindo sobre a maternidade de Fernanda Fabris e a ciência - olha ela aí de novo! - por trás do amor 



Seu amor cabe em um copo?
Criada pelo polonês Zygmunt Bauman, a teoria da Modernidade Líquida revolucionou a sociologia dos anos 90. Uma das vertentes dessa teoria seria o Amor Líquido, tese que explica o porquê nossas relações estão tão frágeis e até um pouco superficiais. Explicamos mais sobre esse pensamento no artigo completo!



Que som é esse?
Não param de surgir novas técnicas cujo objetivo é o mesmo: trazer bem-estar para o indivíduo. O Sound Healing é uma delas: apesar de ter ganhado mais notoriedade nos últimos tempos, a prática é milenar e busca trazer equilíbrio mental e alinhamento dos chakras por meio de alguns sons específicos. Entenda mais!


Velha infância
Acordar sem hora ou compromisso nas férias em pleno meio do ano. O cheiro da comida que embalava o ar enquanto se assistia desenho. Os amigos que pareciam eternos - e, à sua maneira, de fato eram. Os primeiros amores. Lembramos dos doces momentos da infância na primeira crônica de julho. Vem se emocionar!



O cérebro de cada um
A dúvida que não quer calar: há alguma diferença entre o cérebro feminino e o cérebro masculino? Antes de mais nada, te explicamos a diferença entre gênero e sexo biológico. Depois, mergulhamos nesse tema sem tabus e, claro, sem preconceitos. Te contamos mais aqui.



Quantos amigos você tem?
Se a resposta for “poucos”, acredite: você não está sozinho nessa. No Dia Internacional da Amizade, trouxemos dados de uma pesquisa reveladora sobre as relações dos brasileiros. #Spoiler: somos menos sociáveis do que o imaginário popular costuma pregar e estamos cada dia com menos amigos



O importante é saber levantar
Cair, todos nós cairemos. Não só de forma literal, mas também subjetiva. Quem nunca se decepcionou, que atire a primeira pedra. Conversamos com a escritora e especialista em impacto social, Nathalie Trutmann, para entender como saber recomeçar e como encarar o mercado de trabalho de forma mais leve.



O ingrediente secreto
Com as mãos enrugadas, ela estica a massa. Sova o conjunto de farinha, ovos, leite, fermento, tudo com uma força e delicadeza mágicas. A paciência é o melhor tempero, ela sempre dizia. Mas eu discordo: é o amor daquele ato de serviço que torna tudo inesquecivelmente saboroso. Venha ler a crônica do Dia dos Avós!



Tempo de tela
É impossível proibir os seus filhos de usarem telas, afinal, em mundo conectado como o nosso, ela é parte do nosso lazer, educação e até das nossas relações. Mas, quanto tempo de uso é realmente nocivo e qual seria o tempo recomendado? Te contamos mais sobre o assunto neste artigo! 
Além desses artigos, você já sabe: no nosso Instagram, fazemos posts exclusivos de dicas, frases famosas e frases inspiracionais. Também começamos a divulgar as inscrições para a décima quarta temporada do Podcast Plenae, que convida novamente - assim como fizemos na décima - nossos ouvintes a contarem suas próprias trajetórias inspiradoras.. 

Tem alguma história que você queira dividir com a comunidade Plenae? Preencha esse formulário, envie pra gente e participe do processo de seleção! Nós vamos adorar te ouvir e acredite: a sua história pode mudar a história de outras pessoas! Nos vemos em agosto!


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