O sexto episódio da décima sétima temporada fala sobre o esporte, mas principalmente, sobre o esportista e as suas batalhas para além da linha de chegada.
11 de Novembro de 2024
Qual é o segredo de um atleta olímpico? O que precede o pódium? Representando o pilar Corpo e encerrando a décima sétima temporada do Podcast Plenae, conhecemos mais a fundo a história do atleta de marcha olímpica, Caio Bonfim, que contrariou muitas expectativas sobre ele e foi além das limitações que ousaram tentar impedi-lo de chegar onde ele chegou.
Ao longo desse episódio, mergulhamos na infância do atleta e vamos além: o esporte, para Caio, já estava em sua vida antes mesmo que ele tivesse uma vida, pois ele herdou essa paixão do seu pai, educador físico e amante do atletismo. Como nada na vida é por acaso, foi essa paixão que o levou a conhecer a mãe de Caio e tudo que se deu de forma cíclica e mágica no decorrer dessa trajetória.
“Meu pai era professor de educação física e se apaixonou pelo atletismo ainda na faculdade. Ele tinha o sonho de ser professor, e aí ele passou num concurso pra dar aula num colégio público em Brasília. Ele introduziu o atletismo nessa escola e formou um grupo de atletas, de onde saíram três campeões sul-americanos e duas atletas olímpicas. Nesse grupo estava a minha mãe”, conta.
Os dois se apaixonaram, se casaram e fundaram aquilo que seria a materialização dos seus sonhos, propósitos e objetivo comum de vida: um clube chamado Caso: Centro de Atletismo de Sobradinho. Sobradinho, aliás, foi a cidade onde o casal formou família e onde Caio nasceu. Esse nascimento, apesar de um acontecimento feliz e esperado na vida do casal, mudou o curso de carreira da sua mãe, que até então era especialista em provas de 10 mil km.
Mas o tempo sem treinar e as modificações físicas de seu corpo fizeram com que seu marido, pai de Caio, a convencesse a trocar de modalidade para conseguir participar do campeonato. Foi quando a marcha olímpica entrou de fato na vida dessa família. “A minha mãe foi super bem, e meu pai incentivou ela a continuar na marcha. Ela começou a treinar, se dedicar e foi oito vezes campeã brasileira, campeã ibero-americana e campeã sul-americana. A primeira brasileira a ganhar uma medalha internacional na marcha atlética feminina”, relembra.
Caio cresceu assistindo a mãe brilhar nessa modalidade tão desconhecida em nosso país e isso seria um bônus para ele no futuro. “Eu não sei qual foi o dia em que eu aprendi a marchar. Aconteceu naturalmente. A nossa casa respirava atletismo e marcha atlética. Eu cresci acompanhando a rotina de treinos da minha mãe e as viagens dela”.
Só que se dependesse de sua saúde na infância, ele não teria seguido os passos da mãe ou qualquer outro passo de esporte na vida. Isso porque, com apenas 7 meses de vida, o pequeno Caio teve uma meningite tão grave que seus pais não sabiam nem se ele sairia do hospital com vida.
Depois, com 1 ano e 2 meses, ele começou a andar e, em poucas semanas, suas pernas entortaram. “Os médicos não sabiam o porquê, mas as minhas pernas ficaram bem arqueadas pra fora, como se fosse um alicate. Eu fui operado e fiquei dois meses de gesso, a ideia era corrigir o problema daquele momento, mas os médicos alertaram que elas entortariam novamente à medida que eu crescesse. Só que, em mais um mistério que a medicina não explica, as minhas pernas nunca mais deram problema”, conta.
Com o incentivo em casa e as condições agora perfeitas, Caio passou a praticar esporte e, como grande parte dos meninos, ele começou a jogar bola e ia bem no esporte, mas sobretudo pela sua velocidade, característica importante para a posição que ocupava: lateral. Aos 15 anos, seu pai começou a incentivar que, em paralelo ao futebol, ele se aproximasse também da marcha atlética.
E foi um sucesso, mesmo com pouco treinamento, ele já entregou um ótimo resultado de imediato, no seu primeiro final de semana de competição. Aos poucos, ele foi se dedicando mais e mais a essa prática que só parecia comum no seu seio familiar. E, com essa dedicação, vieram os novos sofrimentos. Os treinos nas ruas exigiam uma dose redobrada de paciência não só pela exigência física que a marcha exige, mas pelo preconceito dos outros.
“Na rua, o que eu mais ouvia era: “viado”, “vai trabalhar vagabundo”, “para de rebolar”, “vira homem”. Pras mulheres os xingamentos eram ainda mais fortes. Isso quando os motoristas não jogavam o carro na nossa direção, e a gente era obrigado a pular pro meio-fio. Agora, imagina você cansado, com sede, debaixo do sol quente e tendo que aguentar isso todos os dias? Eu não tô exagerando. Eram todos os dias”, relembra.
Foi longo o caminho para que as buzinas mudassem de reprovação para incentivo, como as que ele encontra hoje, depois de brilhar com a medalha de prata nas Olimpíadas de Paris em 2024. Mas, para conhecer essa parte da história, das ruas ao pódio, te convidamos a ouvir o episódio completo, disponível aqui no site ou em plenae.com. Aperte o play e inspire-se!
O primeiro episódio da décima sétima temporada é sobre uma mãe, seu filho e o mar inteiro ampliando os mais diferentes horizontes!
7 de Outubro de 2024
Quais são os limites de dois pais que querem ganhar o mundo com seus filhos a bordo, independente de qualquer diagnóstico? No primeiro episódio da décima sétima temporada do Podcast Plenae - Histórias para refletir, você conhece a história de parentalidade do Pedro que, ao lado de sua esposa, Estela, decidiram enquanto casal que nada poderia detê-los de realizar um sonho antigo: velejar pelo mundo com as crianças ainda pequenas.
Mas antes desse sonho se concretizar, é preciso voltarmos alguns passos. O primeiro deles é provavelmente o mais importante: como duas pessoas com tantos objetivos em comum se encontraram. “Quando eu conheci a Estela, eu levei ela para o nosso veleiro, em Paraty, no Rio de Janeiro”, relembra Pedro.
“Eu brinco que foi o teste do namoro”, diz Estela “O Pedro me perguntou: ‘Você gosta de acampar? Então, tem um barquinho, que é como se fosse um camping, só que na água’. O barco era bem roots mesmo. A luz era à vela. O banheiro era um balde. Eu sempre gostei de aventura, e naquela viagem ficou claro que a gente tinha muitas afinidades. Aos poucos, o Pedro foi me seduzindo com a ideia de uma viagem longa”, conta ela.
Depois, vieram as primeiras viagens juntos e a experiência desafiadora na Grécia que serviu para comprovar que era isso mesmo que eles queriam para suas vidas no futuro. Mas com uma diferença: crianças juntos. O próximo passo óbvio então era engravidar, certo? Só que esse passo levou mais tempo do que a dupla esperava.
“Quando a gente tomou essa decisão, eu já estava fazendo tratamento para engravidar. A Aninha veio depois de cinco anos de tentativas. A notícia da gravidez foi maravilhosa, até que a gente descobriu, num ultrassom de rotina, que ela tinha algumas questões de má formação”, diz Estela. As válvulas e as paredes do coração não formadas, o tamanho do feto menor do que a idade gestacional, o osso nasal pequeno e o intestino obstruído com várias pregas - tudo isso, segundo a médica, eram indícios de uma síndrome, mas não se sabia qual ainda.
E era a Síndrome de Down. “Depois do parto, os primeiros oito meses foram os mais difíceis. A saúde da Aninha era muito frágil e, em alguns momentos, ela ficou entre a vida e a morte. De todos os problemas, o mais grave era a cardiopatia. Com quatro meses, a Ana foi internada às pressas, com um derrame pericárdio, que é um vazamento de líquido em volta do coração. Ela precisou ser operada às pressas, ficou na UTI, e os médicos chegaram até a preparar a gente para o pior”, diz Pedro.
Nesse primeiro ano da Ana, o assunto da viagem ficou totalmente deixado de lado, afinal, o foco era estabilizar a saúde da primogênita Essa estabilidade chegou “um ano e pouco depois”, como conta o casal, e a Ana ainda ganhou um irmãozinho. A Estela engravidou do Gabriel e, antes dele nascer, o casal definiu a data exata para embarcarem. O plano era perfeito e a Ana teria 4 anos, enquanto o Gabriel teria 2.
A surpresa da pandemia não foi capaz de detê-los e ainda por cima trouxe uma certa facilidade, afinal, todas as terapias às quais a Aninha era submetida para seu desenvolvimento já tinham sido adaptadas para o modelo remoto e virtual. A única exigência mais específica eram os exames cardíacos que a pequena precisava fazer de tempos em tempos, e mesmo isso se tornou uma aventura à parte no roteiro.
“O grande desafio mesmo não foi ligado à parte médica, nem à segurança, como se poderia pensar. Foi a convivência. O veleiro tem 43 pés e 13 metros de comprimento. O espaço interno dele equivale ao de um apartamento de 25 metros quadrados. Nesse cubículo, tinham dois quartos, dois banheiros, uma sala e uma cozinha. Tudo muito pequenininho, tipo uma casinha de boneca”, conta Estela.
“Quando você se propõe a estar junto num espaço pequeno 24 horas por dia, você tem que lidar com os conflitos que aparecem. Se surge um desafio, não dá para jogar a sujeira para baixo do tapete. Tem que lidar com ele. Com as crianças, o desafio era a falta de respiro. As crianças demandavam a gente 24 horas por dia, sete dias por semana, sem nenhum escape. Para elas, também era difícil em alguns momentos”, diz ela.
Lidar com o tédio fez com que as crianças se tornassem criativas, lidar com as turbulências fez com que o casal aprofundasse a conexão. Contemplar a natureza passou a ser um programa em família e os pequenos passaram a adquirir conhecimento natural do mundo que o cerca e a verbalizar suas próprias percepções.
A viagem que tinha “começo, meio e fim” desde o começo, trouxe benefícios para todos os envolvidos. A Aninha se desenvolveu muito além do esperado, o Gabriel cresceu e se tornou ainda mais observador e a família não só se fortaleceu, como também ganhou espaço nas redes sociais.
“Quando eu decidi criar uma página no Instagram, a ideia era falar sobre liberdade para as pessoas com algum tipo de deficiência. E aí, os seguidores chegavam no nosso perfil curiosos, porque viam um casal com dois filhos pequenos e uma menina com Síndrome de Down. E acabou virando uma via de mão dupla, porque os relatos dos seguidores também inspiravam muito a gente continuar compartilhando a nossa vida nas redes sociais”, diz Estela.
O resto dessa linda e emocionante história você confere no episódio completo, disponível aqui no nosso site ou no Spotify. Aperte o play e inspire-se!
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