O Plenae Apresenta a história de Alexandra Loras, representante do pilar Propósito na décima terceira temporada do Podcast Plenae!
23 de Outubro de 2023
O propósito nem sempre está claro, diante de nossos olhos. Apesar de ser importantíssimo para uma jornada com mais significado, muitas vezes é preciso um esforço intencional para encontrá-lo. Além disso, não temos apenas uma missão de vida: assim como mudamos com o passar dos anos, nosso propósito também.
No caso de Alexandra Loras, representante do pilar Propósito, ela levou alguns anos para descobrir o seu porquê, o que a movia, e mais anos ainda para aceitar que ele havia mudado e que agora era necessário recalcular a rota. Mas, vamos começar do começo: como foi ser uma negra em meio a uma família branca.
Filha de um pai negro e uma mãe branca, Alexandra conheceu a face dura do racismo ainda na infância, no lugar que deveria ser o mais seguro possível: seu próprio lar. “Eu sofria racismo dentro de casa. Um dos meus padrastos falava para meus irmãos coisas como: ‘Vocês não acham que a Alexandra tem cor de cocô?’. Do meu avô, eu ouvi: “Não quero que você saia, porque é perigoso lá fora, tem negros e árabes”. Ele talvez não me
enxergou como uma negra, nem percebeu que aquela frase era ofensiva”, relembra.
A única negra entre cinco filhos, ela foi a que mais se destacou e decolou sua carreira. Ainda criança, agarrou todas as oportunidades que lhe foram apresentadas e usava tudo ao seu favor para crescimento pessoal. Mas, a batalha contra a exclusão que sofria no próprio ambiente escolar acabou vencendo.
"Eu sofri muito com racismo na escola. Eu não era convidada pras festas de aniversário, por exemplo. Até que eu não aguentei mais. A dor do racismo e a dor de estudar num colégio extremamente competitivo me fizeram largar tudo. Eu pedi pra minha mãe pra morar fora da França. Aos 16 anos, fiz um intercâmbio como au pair na Alemanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Eu trabalhava como babá 5 horas por dia, em troca de moradia, alimentação e uma ajuda de custo", relembra.
Essa experiência expôs mundo antes nunca transitado pela menina que cresceu na periferia de Paris, longe de onde o turismo consegue chegar. Um novo mundo se abria para Alexandra que, novamente, passou a observar e incorporar tudo, sorvendo de cada detalhe para sua própria evolução pessoal.
Sua carreira decolou, mas havia ainda um impeditivo: ela própria. Lutando contra uma síndrome de impostora que parecia querer vencer sempre, ela teve que focar agora não mais em crescer somente profissionalmente, mas estar disposta a mergulhar em uma jornada de autoconhecimento que a faria alcançar lugares internos muito profundos. aprendeu a transitar em ambientes onde ela nunca tinha imaginado.
Em sua vinda para o Brasil, mais uma etapa dessa jornada de redescobertas: aqui, Alexandra entendeu o que era ser negra. "Foi aqui que eu descobri a minha negritude numa escala diferente. Eu senti todo o significado de ser uma mulher negra. Eu muitas vezes fui confundida como babá e barrada na portaria de um Clube em São Paulo. Seguranças de supermercado me seguiam enquanto eu escolhia produtos importados. Nas minhas próprias recepções, muitos convidados passavam direto sem me cumprimentar na porta. Achavam que eu era a governanta do cônsul", relembra.
Como ela superou essa dor e o que ela fez com a força dessa superação é o desfecho que você confere ao final do episódio. Ouça com o coração e a mente aberta. Abdique de seus velhos preconceitos e entenda que essa jornada é de todos nós. Aperte o play e inspire-se!
Como garantir a resiliência de sua essência, mas a plasticidade da adaptação? Confira no relato de Rodrigo Hübner Mendes, no Podcast Plenae
12 de Outubro de 2020
O quinto episódio da segunda temporada do Podcast Plenae - Histórias Para Refletir traz a inspiradora trajetória do empreendedor social Rodrigo Hübner Mendes, representante do pilar Corpo. Como um assalto transformou toda a sua vida e o relacionamento com o seu corpo?
O ano era de 1990 e Rodrigo é abordado na porta da sua casa. Antes mesmo de entender o que estava acontecendo, é atingido por uma bala nas costas, que queimou parte de sua medula e restringe seus movimentos. Rodrigo, que fora atleta por toda a sua juventude, se vê tendo que reaprender a se enxergar no mundo.“Durante toda a infância, fui apaixonado por futebol.
Comecei jogando bola no quintal de casa e, conforme fui ganhando confiança, pedi para meu pai me inscrever no campeonato do Clube Pinheiros. Tive a sorte de me destacar logo no primeiro ano. Fui convocado para a seleção do clube, o que era o máximo para um garoto naquela idade.”
Rodrigo lesionou o joelho e, apesar de curá-lo - e de ter se apaixonado por ortopedia - precisou intercalar esportes. Foi quando conheceu o remo, sua grande escola de disciplina, foco e compromisso. Para alguém com um passado tão atlético, como encarar o mundo com a mobilidade reduzida?
O apoio incansável de toda a sua família foi de suma importância para esse processo. “Além disso, minha história com esporte foi decisiva para que eu conseguisse sobreviver, especialmente pelo remo que trabalha muito resistência e saber não entregar os pontos” conta.
Logo de cara, Rodrigo percebeu no hospital que estava em uma posição de extremo privilégio socioeconômico, apesar de sua condição física. “Na primeira semana de hospital eu tive esse insight de que estava na minha mão dimensionar qual seria o tamanho do meu problema. Em relação a quem não tinha nenhum suporte, me vi ali como uma pessoa extremamente privilegiada” conta.
De lá para cá, o empresário aprendeu a olhar de uma outra forma para um mesmo problema. Usando os conceitos de resiliência X plasticidade, hoje ele acredita que mais vale adaptar-se ao que se tem e fazer disso o melhor, do que insistir em uma busca incessante ao que se tinha.
Para ele, a resiliência é fundamental para que a gente mantenha nossa essência, independente do acontecimento. Mas a plasticidade é o fator que nos mantém vivos, sempre nos reinventando.
“Os caminhos pra eu atingir meus objetivos vão se modificando com o tempo, mas o meu norte segue sendo o mesmo. Eu gosto muito do poema vitoriano que diz que 'somos mestres dos nossos destinos, somos capitães das nossas almas'. Apesar da enorme incerteza que tá sempre ao nosso redor, da impossibilidade da gente controlar as coisas, daquilo que os budistas chamam de impermanência, me ajuda muito pensar que a nossa intenção, o nosso objetivo maior está sob nosso controle, não importa quantos tiros, quantos trancos a gente leve.”
Rodrigo aprendeu e segue aprendendo a se adaptar e enxergar o seu próprio corpo como eterno veículo de seu deslocamento, seja lá como for. “Acho bem interessante pensar que o movimento tá sempre presente na gente. Um movimento que vai além da atividade física. No meu caso, mesmo tendo enfrentado uma mudança radical, a minha movimentação continua intensa. Tanto no aspecto físico - eu sigo uma rotina bastante disciplinada de pelo menos três sessões de exercícios por dia – quanto no aspecto da ação.”
Hoje, Rodrigo já mudou a vida de diversos alunos com deficiência que viram uma oportunidade de construir uma sociedade mais inclusiva por meio do ensino. “No Instituto, a gente trabalha pra que nenhuma criança ou adolescente fique de fora da escola por causa de uma deficiência. E, para isso, a gente investe em 3 pilares: identificando o que existe de mais avançado no mundo, oferecendo referências práticas para quem se sente inseguro e promovendo formação de professores em todo Brasil.”
Confira mais desse lindo relato no quinto episódio da segunda temporada do Podcast Plenae - Histórias Para Refletir, e prepare-se para se inspirar!
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