Para Inspirar

Rubinho Barrichello em "Aprendizado: passado, presente e futuro"

Representando o pilar Mente no podcast Plenae, Rubinho Barrichello conta como trabalhar o autoconhecimento se provou fundamental em sua vida

19 de Julho de 2020


Leia a transcrição completa do episódio abaixo:

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Introdução: Bem-vindo ao Podcast Plenae, um lugar onde você encontra histórias reais para refletir. Ouça e reconecte-se. 

No episódio de hoje, o piloto Rubinho Barrichello conta como conseguiu superar o conflito entre duas paixões: o automobilismo e a família. Ele precisou de muito autoconhecimento para desenvolver o controle mental, tão necessário na vida de um piloto e de todos nós. Por isso, o pilar que ele representa é Mente.

No final do relato você ouvirá reflexões do monge Satyanatha, nosso convidado especial dessa temporada, para ajudar você a se conectar com o seu momento presente. Aproveite este momento, observe seus sentidos e abra-se para uma nova visão sobre o mundo e sobre você mesmo.

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Rubinho Barrichello: Eu sempre fui muito ligado à família. Quando eu era criança, em São Paulo, a minha felicidade era esperar chegar o fim de semana para estar junto com o meu pai. Não importava qual fosse o programa, eu só queria estar ao lado dele, mesmo que fosse no balcão da loja de material de construção que ele tinha, em Interlagos - sim, em Interlagos, ao lado do autódromo...

Aos 16 anos, eu viajei pra Itália pra eu me preparar pra minha primeira competição de automobilismo na Europa e também para aprender o italiano. Isso foi em 89, numa época em que não existia celular. Então eu não tinha para quem pedir um conselho e precisava decidir tudo por mim mesmo. A viagem, que era pra ser a realização de um sonho, começou a ser sofrida demais, porque a falta que eu sentia da família era maior que a vontade de guiar o carro. 

A válvula de escape que eu encontrei foi a escrita. Eu adoro escrever e me correspondia com os meus pais por cartas. Olhando pra trás, vejo que foi uma forma de terapia, porque colocar os pensamentos no papel me acalmava. A minha mãe, dona Idely, até hoje guarda as cartas que eu mandava pra ela.  Essa angústia ficou menor um mês depois, quando eu realmente guiei o carro pela primeira vez. Eu senti que aquele era o amor da minha vida. Eu entendi que por esse amor eu teria que ser mais forte, pra não deixar a dor da distância me afetar na hora que eu entrasse no carro. Só que aos 16 anos não é fácil ter esse autocontrole. Então, eu comecei a me exercitar muito mais para ocupar minha mente e a meditar para acalmar o meu coração.  [trilha sonora]

O processo de desenvolver controle emocional não acontece do dia pra noite. Aos 19 anos, quando eu cheguei na Fórmula 1, eu tive que aperfeiçoar o método pra me valorizar ainda mais internamente. Porque eu ainda gostava mais da minha família do que de mim.
E esse é um sentimento que um atleta de ponta não pode ter. Essa foi uma época de começar a olhar pra dentro, respirar nas dificuldades, apreciar o que estava acontecendo e, principalmente, agradecer pelo que eu tinha. A partir daí, as coisas fluíram de maneira muito melhor na minha mente. 
Com esse circuito de pensamento, eu aprendi a gostar da chuva nas provas, por

exemplo. Eu olho na cara das pessoas e vejo o cara falar assim: “putz, choveu, que droga!” Só que esse pensamento negativo traz ansiedade e medo. É claro que na primeira vez foi difícil pra mim também. Mas quando eu mudei o mindset e comecei a encarar a chuva como um acontecimento natural, eu cresci como piloto. E por isso que eu corro bem quando tem água na pista.  [trilha sonora]

O maior teste de todos aconteceu quando o Ayrton morreu, dia 1º de maio de 1994, em Ímola, na Itália. Foi a época mais difícil da minha vida.  [trilha sonora]

A minha memória daquele período é nebulosa. Eu me lembro bem até o começo de sexta-feira, no treino classificatório, dois dias antes do Ayrton morrer. Eu cheguei no GP de San Marino como vice-líder do campeonato, depois de um quarto lugar em Interlagos e um terceiro em Aida, no Japão. Eu só tinha 21 anos e nenhuma pressão sobre os meus ombros, porque o Ayrton tava sempre no pódio. O menino Rubens ainda estava começando a surgir.  O meu carro, da Jordan, não era competitivo pra pista de Ímola, mas de repente ele começou a se comportar bem. Eu tinha feito o oitavo tempo pela manhã. E me empenhei pra fazer uma volta melhor e me classificar entre os seis primeiros.  [trilha sonora]

A minha última lembrança é de tentar fazer uma curva muito acima da velocidade que o carro podia aguentar e me chocar contra as barreiras. Foi o acidente mais grave da minha carreira. Posso dizer que cometi um ato de irresponsabilidade, só que piloto tem que ser irresponsável mesmo. 

Foi uma pancada na cabeça de 90Gs, que são 90 vezes os meus 72 kilos. Eu engoli a língua e os médicos disseram que eu entrei em coma por 6 minutos. Eu não lembro do meu carro de lado na pista. Eu não lembro de ter sido socorrido de helicóptero. Eu não lembro do hospital, nem da visita do Senna no ambulatório.

No sábado, eu tive alta e voltei pra minha casa, na Inglaterra. Assisti a corrida de lá, com amigos. Tenho memórias esparsas do acidente do Ayrton, daquela hora em que ele mexe a cabeça. Mas provavelmente é uma memória construída a partir de imagens, porque eu já revi a cena da batida dele umas 700 vezes. 

A mesma coisa no enterro. Eu só lembro de ter carregado o caixão porque eu vi fotos. Acho que aquele período de amnésia me ajudou a superar o trauma do meu acidente e da morte do Ayrton. Afinal, eu também tinha perdido o meu ídolo. 

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Minha memória se restabeleceu duas semanas depois, quando voltei a guiar na corrida de Mônaco. Confesso que eu tive medo de ter medo. De não sentir o mesmo gosto. Mas na hora eu entrei no carro, combinei comigo mesmo que eu ia sair que nem um louco. Aí eu virei o meu melhor tempo da pista. 
Eu tinha quebrado o nariz. Então, dentro do capacete eu ficava com aquele barulhinho de nariz entupido. Tava ruim de respirar, mas eu tava guiando forte que nem um condenado. Naquele momento, a mensagem que eu queria passar pros brasileiros era que eles poderiam ficar calmos, porque eu era um menino, tava aprendendo, mas iria lutar pro Brasil voltar a ter felicidade. 

Quando você é atleta o processo de construir autoconfiança e amor próprio tem que ser contínuo. Eu fiz isso ao longo da minha carreira e continuo fazendo. 

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Fui crucificado quando eu cedi a vitória pro Michael na corrida da Áustria, em 2002. Só que a equipe não me deu escolha. Eu lutei com todas as minhas forças pra aquilo não acontecer. Eu saí do carro e vomitei de raiva. Eu pedi pra Deus: “Por favor, me ensina a agradecer esse momento. Me ensina a tentar ver o lado positivo, porque eu não tô vendo nada. As pessoas não sabem nada da história e tão falando que eu fui um covarde porque eu deixei passar”. 

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Eu só comecei a voltar a gostar de mim quando eu entendi que aquela ultrapassagem foi uma das melhores coisas que aconteceu pra Fórmula 1. Ela escancarou pra todo mundo algo de muito errado que já acontecia há algum tempo no esporte e fez com que a regra mudasse. O rádio agora estava aberto pra que todos ouvissem, então eu causei um bem pro esporte. 

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Eu não quero saber sobre o futuro, mas eu olho pro passado buscando ser melhor no presente. E a numerologia me ajuda a entender quem eu sou. Eu descobri que meu nome, Rubens Gonçalves Barrichello, é numerologicamente perfeito e que eu sou número 2 de vida. Eu corro com o número 11 desde criança, porque meu pai escolheu pra mim. Veja: 11 é 1 + 1, que são 2. 


Por natureza, eu não tenho a necessidade de ser melhor que o outro. Mas é claro que no esporte eu preciso ser egoísta para vencer. Fora do carro eu encontro a minha calmaria, aí quando eu entro na pista posso lutar em paz pelo meu objetivo: ser o número 1.

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Satyanatha: Chegamos ao fim da história do Rubinho. Desde muito jovem ele entendeu que o maior adversário a ser vencido era ele próprio. Aos 16 anos, metade da mente do Rubinho queria ficar com a família no Brasil, mas a outra metade queria correr na Europa. E quando o pensamento se divide, perde potência de processamento. A mente é como um computador com dois grandes programas abertos ao mesmo tempo. A pluralidade dos ímpetos internos cria um esgarçamento do tecido mental. Quem vai para todos os lados, não vai pra nenhum. Como Rubinho, todos nós temos várias paixões, às vezes conflitantes. A solução, é dizer a si próprio: a prioridade é esta. A mente pode relutar um pouco, mas obedece quando a decisão é sincera. O Rubinho aprendeu a se controlar a partir do autoconhecimento e da auto aceitação. Com a cabeça equilibrada, ele dá o máximo de si e tem resultados excelentes. 

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Finalização: Nossas histórias não acabam por aqui. Acompanhe semanalmente novos episódios e confira o conteúdo em plenae.com e no perfil @portalplenae no Instagram.

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O que é a Economia Prateada?

Conheça mais sobre essa fatia da economia voltada para o público 50+, que já movimenta trilhões no Brasil e no mundo

7 de Fevereiro de 2020


Imagine um mundo onde a maior parte da população é composta por perfis mais experientes. Há menos crianças correndo no parque, e mais jovens senhores andando em praças. Imaginou? Esqueça agora todos os estereótipos que provavelmente apareceram em sua imaginação. Isso porque, para imaginar esse cenário, basta olhar ao seu redor: a população acima dos 60 anos já bateu 962 milhões de pessoas, ou 30 milhões só no Brasil. Em 2050 estima-se que o nosso país será o mais velho do mundo, à frente de todos os outros países desenvolvidos. De acordo com o IBGE, as mulheres com 60 anos ou mais já são maioria se comparadas às meninas na faixa etária dos 0 aos 9 anos. São 15,6 milhões de senhoras, contra 14,3 milhões de crianças. Isso acontece não só graças ao avanço da medicina, como também uma mudança na mentalidade. Nunca antes o mercado de wellness - que atende saúde, beleza, fitness e bem-estar num geral - faturou tanto: só em 2017, ele faturou 3 trilhões de dólares, ultrapassando a gigante indústria farmacêutica pela primeira vez, segundo dados da WGSN . O resultado: se em 1960, as pessoas viviam em média 52 anos, hoje a expectativa de vida atual atingiu 72 anos falando de uma média mundial. Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria SeniorLab, revelou que 51% dos 60+ dizem sentir sua própria idade como qualquer outra, 31% desejam ser uma pessoa comum e 73% se sentem mais jovens do que a idade cronológica . Já outra pesquisa mostrou que 86% dos brasileiros com mais de 55 anos tem renda própria, e quase metade deles (49%) ainda trabalha. Para acompanhar essa mudança, não só no perfil etário da população, mas também nos “novos idosos”, que vivem cada vez mais e com melhor qualidade, foi necessário a criação de um mercado que atendesse esse nicho cada vez mais específico e exigente. E foi assim que nasceu a Economia Prateada: a soma de diferentes atividades econômicas que oferecem produtos e serviços associados à esse público com mais de 60 anos, que já representam 20% de todo o consumo mundial segundo IBPE. Apesar de relativamente nova, essa Economia já movimenta cerca de US$ 7,1 trilhões anualmente no mundo . No Brasil, a soma também já é alta: R$1,6 trilhões ao ano. Os valores são altos pois, segundo o CEO da SeniorLab, Martin Henkel, “o lema desse consumidor é o ‘Carpe Dien’, ou seja, aproveite o dia e as oportunidades que ele pode te oferecer”. Apesar do iminente entusiasmo do público alvo com a prosperidade dessa economia, além das muitas oportunidades para empreendedores se arriscarem, o mercado prateado ainda apresenta muitas dores e falhas a serem corrigidas. “Ainda é preciso entender melhor as necessidades específicas que os produtos para a terceira idade demandam. Não basta serem só bonitos ou inovadores, eles precisam ser funcionais” comenta Martin Henkel em evento promovido pela plataforma global Aging 2.0, em parceria com o Distrito InovaHC. Um dos grandes problemas que o idoso ainda enfrenta é a tecnologia. Não mais por não conhecê-la ou renegá-la, mas pela dificuldade em dar o primeiro passo. “O medo de errar, a falta de confiança, o ageismo e até dificuldades técnicas, acabam tornando difícil esse contato inicial” explica Sérgio Duque, conselheiro da Aging 2.0, no mesmo evento. “Mas a tecnologia, quando tem um propósito, assusta menos. Quando se baixa um aplicativo com alguma finalidade específica, como música, transporte ou até falar com quem se ama, o público mais velho se anima e quer entender mais como funciona” continua. E, graças à esses propósitos que, só no Brasil, 8 milhões de perfis no Facebook são de 60+, 68% usam celular e aplicativos como Whatsapp, 17% já compram pela internet e 24% possuem computador . Startups, produtos, serviços, aplicativos, jogos. A Economia Prateada é uma aposta tão grande do mercado que estudiosos em parcerias com entidades já começam a elaborar uma Certificação Funcional voltada para o bem-estar e cuidado sênior. “Nós avaliamos e oferecemos ao mercado estudos de embalagens, vestuário, eletroeletrônicos, utensílios domésticos, produtos de higiene, móveis, mobilidade e saúde, tudo sob a ótica da funcionalidade” conta Egídio Dórea, coordenador da USP 60+. “Um design de embalagem, por exemplo, não necessita só ser bonito ou inovador, mas ele precisa atender às demandas do público. Nós queremos desafiar o mercado a pensar em produtos mais inclusivos, levando em consideração redução de riscos, materiais adequados, usabilidade entendimento e manuseio, aspecto de biomecânica e gerontodesign , assegurando que os produtos são funcionais e de fácil manuseio” conclui.

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