Quem cuida de quem cuida?

Estamos em setembro, mês da campanha de prevenção ao suicídio, e todos os olhares estão de forma justa e legítima voltados àqueles que convivem com o peso de uma vida marcada por um diagnóstico de algum tipo de mazela mental e emocional.

10 de Setembro de 2024


"Desculpa, eu cochilei", se explica a mulher que acabou de dormir em pé ao meu lado no ônibus e, por consequência, caiu sobre mim em uma das clássicas paradas bruscas desse tipo de transporte. "Não tem problema", consolo - e de fato, não tem. Não nos machucamos e vejo, no fundo de seus olhos, um cansaço existencial que me faria perdoá-la por atitudes até mesmo mais graves. 

Não consigo evitar e puxo assunto. Em cinco minutos de conversa, compreendo um pouco mais do que há por trás dessa exaustão. Aquela mulher é o retrato de tantas outras que povoam esse país: trabalha com cuidados. Enfermeira do sistema público de saúde, entre seus muitos plantões, há um trabalho não remunerado que ela cita brevemente os cuidados com o seu marido, diagnosticado com depressão. 

O ponto em que ela desce chega antes que ela possa desabafar mais sobre isso e a sensação de desamparo que ela me deixou me acompanha por todo o resto do trajeto. Queria ajudar mais, ainda que seja somente ouvindo, essa pessoa que acabo de conhecer mas cuja história me atravessou. Depois do nosso breve encontro e longo adeus, fiquei pensando "quem cuida de quem cuida, afinal?". 

Estamos em setembro, mês da campanha de prevenção ao suicídio, e todos os olhares estão de forma justa e legítima voltados àqueles que convivem com o peso de uma vida marcada por um diagnóstico de algum tipo de mazela mental e emocional. E, a cada dia que passa, a sensação é de que novas doenças dessa mesma ordem começam a surgir, de forma que, se olhar atentamente, somos todos passíveis de estarmos enquadrados em uma delas. 

Se estamos todos juntos nessa e amanhã pode ser você, que a gente não se esqueça de olhar para aqueles que abdicaram de si e dedicaram seu tempo a regar os jardins alheios e esperar que um dia eles possam florir novamente. Como essa mulher cansada e tantos outros que não puderam mergulhar para dentro de si em busca de nomear esse tanto de sentimentos que a povoam. Seja gentil sempre: você nunca sabe pelo que o outro está passando.

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Para Inspirar

O oceano precisa ser resgatado

A ideia do mar como fonte inesgotável de recursos naturais e de energia é mais do que ultrapassada e está, literalmente, indo por água abaixo.

24 de Setembro de 2018


Em março de 2018, o Brasil deu ouvidos a uma das mais respeitadas porta-vozes do meio ambiente. A bióloga e oceanógrafa americana Sylvia Earle, de 82 anos, veio lançar o livro A Terra é Azul - por que o destino dos oceanos e o nosso é um só?”, da Editora SESI-SP. Ela também aproveitou para apoiar a campanha pela criação de áreas marinhas protegidas. Durante a cerimônia de lançamento, falou para empresários e ambientalistas, no auditório da Fiesp, em São Paulo, e seu discurso ecoou. “É tarde, mas ainda temos tempo. Tempo que urge por uma nova consciência, novos comportamentos e medidas políticas que protejam os oceanos e a vida marinha”, disse Sylvia, que foi a primeira mulher nomeada cientista-chefe da National Oceanic and Atmospheric Administration. Em 1989, ganhou o título de “Vossa Profundeza”, pela revista The New Yorker. A ideia do mar como fonte inesgotável de recursos naturais e de energia é mais do que ultrapassada e está, literalmente, indo por água abaixo. Por tudo isso, ela viaja incansavelmente pelo mundo com a missão de levar alertas, que podem salvar a vida do planeta. Com mais de 7 mil horas de mergulho, colaborações com a National Geographic e mais de 150 publicações científicas e inúmeros livros, Sylvia é uma inspiração e uma guia para o futuro. Segundo ela, está na hora de resgatar a saúde do mar e da humanidade. Os cenários de azul profundo das praias mais lindas e visitadas escondem, na realidade, uma história longa de negligência e destruição. Hoje, os números assustam: cerca da metade dos corais de todo o planeta já desapareceu e quase 90% dos grandes peixes foram extintos por consequência da pesca desenfreada. Assista a seu TED com mais de um milhão de visualizações:
Por Lila Guimarães / Donato Viagens Síntese: Equipe Plenae Leia o artigo completo aqui . Foto: ©KipEvans

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