Para Inspirar

Plenae Event: Change the relationship with your body

“When we want something to happen, time flies. Today, technology drives the world and we believe we can hack the system and control time. But we always have the same 24 hours”

14 de Junho de 2018


Nutritionist Jeanette Bronée entered the stage asking: “What is something that we always want more of? What is something everyone feels they don’t have enough of?”. And continued giving hints. “Something we think we control, but it controls us.” Someone in the audience shouts “money”. “Nope”, she replied. “It’s time. Time is the new currency.” For a lecture with the title “Nutrition: the key to a long and wholesome life”, her opening was quite unexpected. “When we want something to happen, time flies. Today, technology drives the world and we believe we can hack the system and control time. But we always have the same 24 hours,” said Jeanette, who then conveyed her message. “We can’t buy more time. We can however buy more personal care. And with this, spend time in a better manner.” She refers to caring about one’s own body. Those who think that choosing the right food, meditating or doing exercise is a waste of time are totally wrong. This would be the only time spent, according to her, that we recover in terms of health and well-being – and, who knows, with a longer life. Jeanette developed a method called the Path for Life, which seeks to change the way people interact with their own body. Want an example of her work? Under pressure. “The CEO of a big company looked me up. Business was prospering, but he wasn’t. He was barely surviving,” she said. “He’d spend the days stressed. He was gaining a pound a week, because he couldn’t stop eating.” The executive basically ate at his desk. He dreamed about leaving the company and retiring. But that was not an option at the time. The big mistake, according to the nutritionist’s analysis, was his insistence in putting work ahead of himself. “He thought he didn’t have time. I asked him to reconsider his priorities and limits. In my opinion, he was wasting time.” The doctors were concerned about the possibility of him having a stroke if drastic changes were not made. The fear of dying or having a devastating disease is not a motivational feeling in the long-term. “But the desire is,” said Jeanette. “Why take over control of your health? Why don’t you want to have a heart attack? Or why do you want to live a long life, full of energy? It’s like riding a bike. You’re not going to become distracted with the irregularities in the asphalt; you’re going to focus on where you want to go.” Jeanette points out that under pressure we focus on what is urgent, but not on what is important. “We are driven by instinct and not by inspiration. It’s the quality of time that makes the difference.” According to her, the key to our longevity depends on the quality of the fuel we put into our body. Just like a racing car that needs better quality fuel to have superior performance.” She pointed out that Plenae’s founder, Abilio Diniz – who was in the audience –, was healthy and felt very good at age 81. “He probably thinks that his body is a racing car and self-care is his fuel.” How to care for the body. Every day, we are bombarded with information – many times contradictory – of what is good or bad to eat. But there isn’t a formula. It’s confusing because we seek a single answer for health and longevity. But we are different individuals,” said Jeanette. “We need to become like scientists when caring for our body. Science is a process that combines phenomenon with statistics. Likewise, we can learn about our body. Observe and discover the relationship between what we eat, drink and do with the way we feel – better or worse according to our choices. The essential. To survive, man essentially needs water, food and rest. The nutritionist provides suggestions on each one of them: 1. Water. The most essential. All of our cells need water, especially with age. Dehydration causes common problems such as a lack of energy, focus, anxiety, migraine, anger and pain. Research with prisoners proves that they become less aggressive when they are more hydrated. Another study conducted with children in schools: when they drink water instead of sweetened tea or soda, work in groups is more productive. Jeanette asks everyone to chew water. “It may seem strange, but what happens when you chew is that your mouth releases saliva, which absorbs hydration more, and quickly we become alert.” 2. Food. The source of all energy. The trick is to substitute processed food and sugar for grains and fiber that provide energy for the day-to-day. Eat green and fresh vegetables for their ability to reduce inflammation. This is very important in the longevity process. Legumes, quinoa and fish optimize the metabolism of cells. Avoid eating snacks between meals and eat little. 3. Rest. Sleep seven or eight hours per day. Schedule 5-minute breaks during work every 45 minutes. Another healthy habit are naps just 10 minutes long. It will give you more energy than a cup of coffee. Click here to watch the full lecture.

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Para Inspirar

Kanynary em "A cultura indígena ainda é desconhecida no Brasil"

O segundo episódio da décima terceira temporada do Podcast Plenae é com Kanynary, representando o pilar Contexto!

24 de Setembro de 2023



Leia a transcrição completa do episódio abaixo:

[trilha sonora]

Kanynary:
Um dia desses, me falaram: “Você é indígena? Nossa, mas você fala bem o português! E desde quando índio usa celular?”. E eu respondi: “Você é brasileiro? Então por que tu se sentes no direito de usar o celular e eu não posso?”. “Ah, porque você indígena.” Eu falei: “Se fosse por esse raciocínio, então nenhum brasileiro usaria o telefone, até porque a gente não participou da criação nem do protótipo do celular”. E o cara ficou sem resposta.

[trilha sonora]

Geyze Diniz:
Ao criar a Nativos, primeira equipe de e-Sports totalmente indígena do país, o ativista Kanynary prova na prática que não há contradição entre ser indígena e usar tecnologia. Principalmente quando este movimento busca lutar contra o bullying e o preconceito entre os jovens. Eu sou Geyze Diniz e esse é o Podcast Plenae. Ouça e reconecte-se.

[trilha sonora]

Kanynary:
O Rio Purus nasce no Peru, atravessa o Acre e cruza o estado do Amazonas, até desaguar no rio Solimões. Na beira do Purus vivem mais de 17 povos indígenas. O meu povo, Apurinã, é um deles. Existem hoje mais de 15 mil Apurinã nas aldeias. Contando com os que tão na cidade, eu acredito que esse número ultrapasse os 35 mil. O nosso tronco linguístico é o Aruak-Maipure. Nas comunidades mais isoladas, que foram descobertas recentemente, as pessoas só falam o idioma tradicional, da criança ao adulto.

Eu não falo 100% do meu idioma, porque eu fui criado em Manaus. A minha mãe saiu da aldeia um pouco antes de eu nascer, junto com os meus avós, por causa das complicações na gravidez. O nosso pajé me deu o nome de Kanynary, que significa “o pajé que saiu do fogo” ou “o pajé que venceu o fogo”. Só que, quando a minha mãe foi ao cartório me registrar, disseram que era um nome impróprio. No documento, eu sou John Brendon. Mas eu prefiro Kanynary.

[trilha sonora]


Eu sofri muito preconceito na cidade por causa da minha origem. A discriminação começou na vizinhança, porque a minha avó fazia questão de mostrar quem ela era. Ela usava colares indígenas e falava português com bastante dificuldade. Quando eu fui pra escola, o negócio piorou. Eu sofria agressões verbais e até físicas. Ainda bem que eu praticava capoeira e sabia me defender.

Mais tarde eu fui saber que o meu caso não era isolado. São muitos relatos de jovens que saem das aldeias para estudar na cidade e sofrem bullying. É pior ainda praqueles que falam português com dificuldade. Eu cresci escutando as histórias da minha avó. O orgulho que ela tinha de ser indígena me deu forças pra seguir em frente. 

Ela contava que tinha as noites certas para caçar, as noites mais escuras, quando os animais não conseguiam ver a gente. Ela contava que saía para pescar de madrugada com meu avô, usando só uma lamparina pequena. Eram muitas histórias. E eu sentia a emoção dela ao relembrar o passado.


Ela nunca se adaptou a Manaus. Quando eu tinha uns 9 anos, ela adoeceu e faleceu. Ela queria voltar pra aldeia, mas eu acredito que ela tinha medo de levar as doenças da cidade para as pessoas de lá. O nosso sistema imunológico é diferente. Eu mesmo não tenho resistência pra gripe. Sou forte pra um monte de doenças, mas pra gripe, não, eu fico de cama.

Os relatos da minha avó me fizeram sonhar com a vida em uma comunidade indígena. Imagina um lugar onde o mercado é a floresta e a drogaria são as raízes que as pessoas colhem na mata?

[trilha sonora]

A minha primeira experiência com o meu povo aconteceu quando eu tinha 17 pra 18 anos. O meu tio-avô, que se chama Adriano Batista, era tuxaua de uma aldeia que fica no município de Tapauá. Enquanto o cacique é o líder de uma comunidade, o tuxaua ganha esse título quando outros povos reconhecem a liderança dele.

O meu tio-avô era tuxaua não só dos Apurinã, mas também dos Paumari, dos Jamamadi e de outros povos. Ele me convidou pra uma festa tradicional que durava três dias e três noites. Foram três dias e três noites dançando, a gente só parava pra comer.


A comida era muito boa. Pela conservação do alimento, a carne é assada ou moqueada. Moquear é um processo de defumação tradicional. A gente comia peixe e caça, tipo porco do mato, javali, anta e paca. Esquece o arroz e macarrão. O carboidrato vem do biju, que é uma farinha de macaxeira feita na hora com uma textura bem diferente.

Tinha frutas também. Maracujá, cacau e outras que a gente não tem na cidade. A bebida era o caiçuma, à base de macaxeira cozida e batida com água. Quando a pessoa sabe preparar, o caiçuma fica meio doce. Agora, quem não sabe, deixa um sabor meio amargo.

[trilha sonora]

Depois de três dias e três noites, eu não me senti cansado. Pelo contrário, eu tava 100% renovado, como se a minha energia tivesse passado por uma limpeza. Quando terminou a festa, o meu tio me convidou pra vigiar a praia do Tauá Mirim, um rio onde acontece a desova de vários animais de casco, como tartarugas, iaçá, jabuti...

Eu vi bem de pertinho tanto as tartarugas quanto os seus predadores naturais, tipo a onça pintada, o gavião, o jacaré… Meus parentes achavam que eu não ia me adaptar naquela vida. Só que depois que eu entrei na floresta, eu não queria mais sair. Eu decidi conhecer a comunidade de origem da minha avó, no município de Pauini. Na época tinham 16 aldeias naquela região, a maioria Apurinã.

Pra chegar em Pauini saindo de Manaus, precisa fazer uma viagem de barco que demora seis dias. Eu fui recebido pelos meus familiares e participei de uma reunião. Nessa conversa, eu soube que o pessoal não estava conseguindo encontrar um professor para as crianças. Era difícil porque a aldeia fica a dois dias e meio de barco, a partir de Pauini. Ela é tão inacessível, que o registro dela na Funai é “maloca escondida”.  

Daí eu pedi a palavra e falei: “Se vocês quiserem, eu posso dar essa força pra vocês. Eu posso ensinar as crianças”. E o cacique Valdecir, que inclusive é meu tio, me disse: “Meu filho, se tu tiver apto pra nos ajudar, é contigo”. No dia seguinte, eu fui na prefeitura pra assinar os papéis e, três dias depois, já estava indo pra comunidade.

[trilha sonora]

Eu morei três anos na aldeia e foi uma experiência maravilhosa. Eu tinha 27 alunos, da alfabetização à quinta série, todos numa sala só. Aprendi a dar aula na prática mesmo e tenho muito orgulho dessa experiência.

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Quatro desses estudantes já estão indo pra faculdade, apesar de todas as dificuldades. Pra prosseguir os estudos, as crianças precisam deixar a aldeia e ir pra cidade mais próxima. Só que os pais não têm dinheiro pra mandar pros filhos. Imagina uma criança de 12, 13, 14 anos longe da família, sem ter o que comer? Elas chegam a passar fome mesmo. Pior. Algumas acabam indo pro caminho errado, caminho da prostituição, do crime.

Eu vi isso de perto, quando saí da aldeia eu ajudei uma gerência de estudantes indígenas, chamado GEIP – Gerência de Estudantes Indígenas do Município de Pauini, na época o coordenador era o Eurico Apurinã, um amigo de luta até hoje. A gente gerenciou mais de 350 estudantes e eu comecei a observar que, além da solidão e da fome, eles tinham que enfrentar um problema que eu conhecia: o bullying.

Eu cheguei a procurar um diretor de escola pra conversar e ouvi do diretor que os comentários eram brincadeira de criança. A gente promovia reuniões com os estudantes e eu notava que eles chegavam tristes. Depois da conversa, eles se animavam um pouco e, na saída, se reuniam em pequenos grupos, pra jogar joguinho de celular, ou ficar olhando o coleguinha jogar.

Os jovens indígenas têm dificuldade de praticar esportes tradicionais, tipo o futebol, por causa do preconceito das outras pessoas. Eu vi que o jogo de celular era o lazer deles. No município de Pauini não tem fibra óptica. O sinal é só via satélite, e é muito ruim. Os meninos baixavam o jogo na casa de algum parente ou na sede da Funai e iam pra rua brincar. Isso me deu um estalo: e se eu criasse uma equipe indígena de jogos eletrônicos?

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Eu comecei a me inteirar sobre e-sports e eu vi que esse tema estava se desenvolvendo no Brasil e no mundo. E assim nasceu a Nativos E-sports. A ideia não era só fazer com que esses meninos tivessem uma distração, mas também que eles ganhassem autoestima. Eles poderiam conquistar um reconhecimento que, na escola, não tinham.

Era uma forma também de unir jovens de diferentes povos e gerar uma sensação de pertencimento. Eu publiquei um vídeo no Instagram em busca de jogadores e apareceram mais de 60 interessados. Veio o povo Xukuru, povo Kariri Xocó, povo
Fulni-ô. A nossa iniciativa trouxe esperança para os jovens não só do estado do Amazonas, mas também para outras regiões do Brasil também.

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Nós chegamos a participar de uma edição da Taça das Favelas, um torneio voltado para as comunidades da periferia. O Taça das Favelas começou com futebol, mas se expandiu também para os games. Nós formamos uma equipe de 7 jogadores, sendo quatro titulares, e nós chegamos na semifinal do Campeonato Estadual, jogando Free Fire. Os meninos se dedicaram muito.

A gente só não foi pra final, porque a nossa conexão estava horrível e os nossos celulares travaram pra caramba. Quando a gente foi eliminado, eu pensei que a galera ia ficar triste. Mas não. Os meninos ficaram felizes, consideraram o resultado uma vitória. Eles nunca nem tinham participado de um evento daqueles.

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Não existe nenhuma contradição entre ser indígena e usar a tecnologia. Pelo contrário. A tecnologia e os povos indígenas andam juntos, e não é de hoje. Muitos remédios que a gente conhece vieram da sabedoria ancestral. Um cientista não sai pegando um capim aleatoriamente e testando. Ele se inspira no conhecimento de alguém e esse alguém são os povos indígenas.

Eu n
ão vou deixar de ser indígena porque eu tenho um celular ou um computador. Se eu puder fazer com que um jovem sinta orgulho da origem dele através do mundo tecnológico, eu considero a minha missão cumprida. 


A inclusão dos povos indígenas no e-sport e na tecnologia é necessária. Mas ela só vai acontecer de fato quando todos nos aceitar. A inclusão não pode ser uma palavra só do livro, ela tem que ser uma ação prática. E isso se faz através do conhecimento. A cultura indígena ainda é muito desconhecida na sociedade brasileira.

Olha, eu acho que as pessoas deveriam fazer uma visita de três dias…  uma semana… a uma aldeia, pra sentir na pele o que um indígena passa. A gente ainda tá trilhando o caminho da inclusão. A gente cai, mas levanta e segue em frente. Eu sei que um dia toda a sociedade vai segurar na nossa mão e a gente vai estar de pé, firme e forte.

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Geyze Diniz:
Nossas histórias não acabam por aqui. Confira mais dos nossos conteúdos em plenae.com e em nosso perfil no Instagram @portalplenae.

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