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Passar 2 horas na natureza faz bem à saúde

Pesquisadores dizem que simplesmente sentar e aproveitar a paz tem benefícios mentais e físicos

13 de Junho de 2019


Passar duas horas por semana em meio à natureza aumenta a saúde e o bem-estar, sugere uma pesquisa , mesmo que você simplesmente sente e desfrute da sensação de paz. Os benefícios para a saúde física e mental fornecidos pelo tempo gasto em parques, montanhas ou praia são bem conhecidos, mas a nova pesquisa é o primeiro grande estudo a revelar quanto tempo é necessário para produzir o efeito.

Se a descoberta for confirmada por trabalhos futuros, passar duas horas por semana na natureza poderia se juntar às recomendações oficiais de saúde de ingerir cinco porções de frutas e vegetais por dia e de praticar 150 minutos de exercício por semana.

A pesquisa

Pesquisadores utilizaram entrevistas com 20.000 pessoas na Inglaterra sobre sua atividade na semana anterior. Daqueles que gastaram pouco ou nenhum tempo na natureza, um quarto relatou problemas de saúde e quase metade disse que não estava satisfeito com sua vida, uma medida padrão de bem-estar. Em contraste, apenas um sétimo daqueles que passaram pelo menos duas horas na natureza disseram que sua saúde era ruim, enquanto um terço não estava satisfeito com sua vida.

Os benefícios foram os mesmos para jovens e idosos, ricos e pobres, moradores de zonas urbanas e rurais. Eles também se aplicam àqueles com doenças e incapacidades de longo prazo, disse ao jornal The Guardian o líder da pesquisa, Mathew White, da Universidade de Exeter Medical School.

“Curtir a natureza parecia ser bom para quase todo mundo. E a pessoa não precisa praticar um exercício físico. Ela pode ficar apenas sentada em um banco”, afirmou. Os pesquisadores também ficaram surpresos que não importava se as duas horas na natureza eram feitas de uma só vez ou em uma série de visitas mais curtas, ou se as pessoas iam para um parque urbano, florestas ou praia.

Os dados mostraram que duas horas foi o limite para impactos positivos: gastar muito mais do que isso em ambientes naturais não parecia oferecer nenhum benefício adicional. O estudo não tentou descobrir por que estar na natureza era tão benéfico, mas White sugeriu que a sensação de tranquilidade promovida pelo ambiente natural pode ser a chave.

Fonte: Damian Carrington, para The Guardian
Síntese: Equipe Plenae
Leia o artigo completo aqui.

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A modernidade indígena: as tecnologias que vieram para ficar

De que forma as novas tecnologias chegaram nas aldeias e como elas contribuem para o cotidiano dos indígenas? É isso que te contaremos a seguir!

29 de Setembro de 2023


No segundo episódio da décima terceira temporada do Podcast Plenae, conhecemos a história de Kanynary, que por meio dos games, inseriu não só a si, mas a tantos outros jovens de aldeias indígenas em um contexto mais abrangente e inclusivo.

Isso porque, antes de provarem que eles poderiam sim dominar a tecnologia e inclusive desempenharem bem nesse papel, o preconceito era sem tamanho - não só a respeito dessa questão, mas de muitas outras. E se você pensa que depois desse episódio, o preconceito acabou, infelizmente está enganado. 

Ainda há quem diga que “índio de verdade não usa celular”, por exemplo, o que além de ser mentira, ainda utiliza um termo antiquado - como te explicamos neste artigo, não se utiliza mais a nomenclatura índio, e sim, indígena, justamente pela conotação negativa que a palavra carregou através dos séculos. 

Pensando nisso, trouxemos alguns exemplos muito bem-sucedidos espalhados por aí de interações entre diferentes etnias e as novas fronteiras digitais. Essa questão importa, pois a visibilidade do povo indígena importa. 

De acordo com o Censo 2010, no Brasil existem, aproximadamente, 897 mil indígenas. Entre essas pessoas, cerca de 517 mil vivem em terras indígenas. Existem hoje 305 etnias e 274 línguas indígenas. É evidente que eles não estariam imunes aos avanços tecnológicos e isso é na verdade um fato positivo. Se você ainda tinha esse tabu, é hora de quebrá-lo imediatamente! Leia mais a seguir. 

Aplicativo de mensagens

Um dos aplicativos de mensagens mais usados no país, o Whatsapp, é uma ferramenta poderosa nas aldeias indígenas. Inclusive, foi de grande valia durante o enfrentamento da pandemia de covid-19 - junto de redes sociais como Instagram e Facebook -, mas já vinha sendo usada pelas lideranças para trazer informações mais rápidas entre as entidades públicas e seu povo, e seguiu sendo usada mesmo após o fim da pandemia, como conta este artigo do Instituto Socioambiental

O Whatsapp ainda vem sendo usado para preservar e espalhar conhecimento linguístico de idiomas que sofriam (ou ainda sofrem) risco de extinção, por serem pouco falados e, portanto, pouco compreendidos, como conta a Agência Brasil. E há ainda grupos que se organizam em grupos para comunicar a outros grupos sobre peixes envenenados, como conta esse artigo.

Mas, como a conexão com o natural e com o momento presente é de grande valia para os indígenas - e deveria ser para todos nós -, há essa preocupação quanto ao excesso de uso das novas tecnologias que podem viciar, como esse aplicativo. Outro risco é que, com o amplo alcance, grupos ofensivos também se aproximam para atacar, como conta notícia na Folha de São Paulo. 

Uso de drones

A capacitação para a pilotagem de drones, artefatos capazes de registrar imagens aéreas com precisão, são cada dia mais comuns em territórios indígenas. Prova disso é a iniciativa da WWF-Brasil, que capacitou indígenas em Roraima para o uso dessa ferramenta com o objetivo de ajudá-los a monitorar invasões territoriais e outros crimes ambientais sem que seja necessário que eles se aproximem da cena.

São vários os infelizes crimes não só contra indígenas, mas contra defensores e ativistas ambientais que tentam ajudar nessa guerra que parece cada dia mais longe de acabar. Portanto, a tecnologia aqui pode ajudar tanto no mapeamento mais seguro dessas terras quanto depois, posteriormente, com o envio dessas imagens para as autoridades competentes. 

Técnicas agrícolas

Poucos saberes naturais são tão ricos quanto os que os indígenas possuem sobre a terra - e talvez seja o maior. Essa verdadeira pérola não só pode como deve ser preservada e perpetuada o máximo possível, afinal, eles vêm sendo os verdadeiros guardiões do planeta anos a fio, enquanto outros só pensaram em desmatar a todo custo. 

Mas, o que os povos originários vêm percebendo é que as novas tecnologias oferecem múltiplas possibilidades de preservação quando aliadas ao seu saber ancestral e, claro, com a sua intenção de preservação. Pesquisas feitas pela Embrapa com foco em diversificação das atividades agrícolas, foram muito importantes para garantir a segurança alimentar dos povos indígenas que vivem na região do Alto Rio Envira, como conta esse artigo.

Os resultados dessa empreitada foram vários: fortalecimento dos sistemas produtivos e a ampliação da oferta de alimentos nas aldeias; mapeamento e zoneamento quanto aos solos e à vegetação local; práticas de controle de insetos e doenças na agricultura com base nos conhecimentos técnico-científico e tradicional; estudo de etnovariedades de mandioca e adoção de boas práticas na produção de farinha; e manejo e cultivo sustentáveis adequados aos princípios agroecológicos e às práticas de cultivo dos Kaxinawá, etnia beneficiada.?

No noroeste de Mato Grosso, a tecnologia também entrou na jogada agrícola. Indígenas do povo Rikbaktsa estão utilizando tecnologia de geolocalização para monitorar seus castanhais e mapear novas áreas de coleta, como conta este artigo. Com apoio do projeto Pacto das Águas, os indígenas das terras Japuíra e Escondido passam a contar com a tecnologia para manejar seus castanhais de forma mais sustentável, acompanhando o aumento de demanda do mercado. 

Para isso, o sistema adotado utiliza tecnologias em software livre, que permite realizar a coleta de dados e acompanhar sua evolução em plataformas de baixo custo, utilizando dispositivos móveis como smartphones e tablets. O projeto oferece a capacitação necessária para poder usufruir desses benefícios, é claro. 

A agrossilvicultura, prática de combinar espécies florestais com culturas agrícolas e/ou pecuária e o objetivo final de melhorar o aproveitamento dos recursos naturais e a produção de alimentos, também bebe da tecnologia e já chegou aos povos indígenas do Acre. O Yorenka Tasorentsi é um instituto inovador que celebra a natureza e a sabedoria indígena, como conta este artigo, e está fazendo uma verdadeira revolução por lá, provando que é possível que o novo e o antigo convivam na mais perfeita harmonia. 

Isso sem falar na presença indígena nas redes sociais, cada dia mais relevante e representativa, como esses tiktokers que estão trazendo conteúdos riquíssimos e que vale a pena acompanhar. Os exemplos são infinitos e poderíamos ainda elencar mais alguns, mas a mensagem já foi passada. 

No Congresso, no rádio, nas universidades, nas competições de e-sports: os povos originários estão por toda a parte e é assim mesmo que deve ser, pois não há nós aqui e eles ali, o mundo todo é lugar deles por direito e nós devemos não só nos acostumar a essa ideia como celebrá-la. Viva a união!

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