Para Inspirar

O que a ciência tem a dizer sobre o chocolate?

Paixão nacional, ora vilão e ora mocinho, a ciência investiga constantemente as substâncias do chocolate e seus efeitos dentro do nosso corpo

7 de Julho de 2022


Hoje comemora-se o Dia Mundial do Chocolate. Ora vilão, ora mocinho, ele é paixão nacional, mas vem constantemente acompanhado de avisos de moderação ou indicações de malefícios. Mas o que a ciência já sabe sobre o tema e quais foram as inovações na área? 


Por que gostamos tanto?


Ingerir chocolate é também desencadear uma série de neurotransmissores relacionados ao prazer - assim como se apaixonar. A fermentação dos grãos e da polpa do cacau, além dos processos para secá-los e torrá-los, libera um conjunto de compostos químicos.


Isso cria o aroma tão característico do chocolate que grande parte da população ama. Além disso, há substâncias químicas psicoativas presentes em sua composição como a anandamida – neurotransmissor que estimula o cérebro assim como a cannabis – , além da tiramina e a feniletilamina. Sem falar na dopamina, o neurotransmissor do prazer. 


Ele também é um resgate à nossa infância: segundo pesquisas, sua composição é de 20% a 25% de gordura e  40% a 50% de açúcar. O leite materno é um dos casos raros onde essa quantidade e proporção são encontrados. Até mesmo sua textura contribui para que ele seja tão irresistível, quando identificada pela nossa língua, estimula uma sensação de prazer.


Como ele turbina nosso cérebro? 


Te contamos neste artigo os alimentos que são bons para o cérebro. Um deles é o chocolate escuro, aquele conhecido pelo seu gosto mais amargo. O cacau possui antioxidantes e flavonóides que ajudam a preservar as células cerebrais. Ele também contém fibras para ajudar a reduzir a inflamação do cérebro e prevenir o declínio cognitivo.


Mas atenção: é preciso que seja o chocolate mais amargo. Isso porque ele passa por menos processos de industrialização, sendo mais próximo da pureza do cacau do que suas outras versões mais doces. Um estudo italiano revelou ainda que seu consumo regular pode beneficiar também a memória recente e o processamento de informações visuais. 


Mais atenção

O chocolate, assim como o café e até como o guaraná, possui uma molécula chamada metilxantinas. Quando encontrada no café, ele age como um estimulante mais forte, espantando a fadiga, por exemplo, de maneira mais rápida do que o chocolate - que só por possuir a quantidade de açúcar que possui, também já nos deixa mais despertos, mas não tanto quanto o café.


O benefício, porém, é que o chocolate não nos traz o estado ansioso que o café pode nos trazer. Isso porque o chocolate possui ainda uma outra molécula, a teobromina, que mantém esse estímulo por mais tempo, liberando-o de forma gradual. Por isso ele é mais sutil quando o assunto é te despertar, sem tirar o seu foco. Mas lembre-se: justamente por todos esses motivos, é indicado evitá-lo pela noite.


Benefícios para a cognição 


Pesquisadores do Instituto de Ciência, Tecnologia de Alimentos e Nutrição, na Espanha, divulgaram na revista Nutriens o resultado do cruzamento de 11 trabalhos diferentes, envolvendo 366 adultos com idade média de 25 anos. A conclusão foi de que o consumo regular de chocolate elevaria a produção de proteínas que neutralizaria danos nos neurônios. 


Essa descoberta é positiva para a prevenção de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e outras demências. Ele ainda pode melhorar a memória e o desempenho do raciocínio.


Melhora na tomada de decisões


Um outro estudo, realizado no Reino Unido, ainda revelou que a alta concentração de polifenóis presente em uma bebida com chocolate, por exemplo, a circulação aumentar especialmente na região do córtex frontal, atrás da testa, que tem tudo a ver com planejar ações, prever riscos e tomar decisões. 


Falamos dessa região específica neste artigo, onde te ensinamos como tomar melhores decisões. Um pequeno chocolate nessa hora pode vir a calhar, segundo a ciência. 


Qual escolher?


Antes de mais nada, é preciso apontar que apesar dos seus vários benefícios e também do prazer adquirido ao comê-lo, é preciso moderação. A ingestão de altas quantidades pode ter efeitos contrários, trazendo risco de diabetes e obesidade. Você pode até mesmo desenvolver uma espécie de dependência do açúcar refinado encontrado nas versões mais industrializadas do produto.


Uma vez que você coma chocolate com parcimônia, vamos às indicações. Enquanto a ciência segue procurando pelo chocolate perfeito, você pode ir aproveitando os que já existem. 


  • Coma um tablete pequeno de até 30g por dia, tente escolher sempre pela sua versão amarga que, como já explicamos anteriormente, é a versão mais próxima da semente do cacau, rica em todos esses nutrientes que mencionamos.


  • Quanto maior a porcentagem da pureza, melhor. Essa informação deve vir discriminada em suas embalagens.


  • Evite, a qualquer custo, chocolates em sua versão branca, que não possuem os benefícios mencionados e são uma invenção da indústria. 


  • Achocolatados também não oferecem uma concentração muito alta da substância em si, tendo em sua composição muitas outras coisas além do chocolate e, portanto, não sendo tão benéficos. 


  • Os bioativos do cacau duram cerca de quatro horas no organismo, como contou a engenheira agrônoma Elizabeth Torres, professora de saúde pública na USP, ao UOL VivaBem


  • O pico de sua ação é notado no sistema nervoso cerca de duas horas depois, portanto, se o seu objetivo é observar essa ação, é preciso se programar. 


Aproveite também para colocar em prática a receita que te ensinamos na Páscoa, que une café, chocolate e de quebra é saudável! Nada como celebrar o Dia Mundial do Chocolate sem culpa! 


Compartilhar:


Para Inspirar

Como série expõe a falta de cultura de doação no Brasil

Ocupando a 54º posição em ranking sobre filantropia, a série “Meu, Seu, Nosso” evidencia o quanto nosso país precisa caminhar quando o assunto é doação.

18 de Setembro de 2024


Trabalho voluntário não é um tema novo no Plenae. Por aqui, já falamos sobre como ajudar o próximo pode ser benéfico para você, trouxemos os tipos e benefícios da prática, explicamos porque os voluntários vivem mais e de que forma o voluntariado aumenta a satisfação e a longevidade. Por fim, ainda homenageamos os voluntários da copa e te contamos como ser um, além de ter dedicado um Tema da Vez inteiro ao assunto. 

Pelo nosso podcast, nomes envolvidos com diferentes causas também falaram sobre o trabalho voluntário de alguma forma, indireta ou diretamente: Drauzio Varella, David Hertz, Eduardo Foz, Eduardo Lyra, Maha Mamo, Leo Farah, Daniela Lerario, Henri Zylberstajn, Geraldo Rufino, Celso Athayde, Flores para refugiados, Rodrigo Hubner Mendes, Simone Mozzilli, Luciane Zamoiski, Thiago MochileiroFernando Korkes e mais recentemente, Rene Silva.

Dessa vez, fomos conversar com os envolvidos na série “Meu, Seu, Nosso”, que acompanha sete diferentes histórias sobre voluntariado no Brasil, da base ao topo da pirâmide, e por meio delas expõe a ferida aberta que é a cultura de doação no nosso país, que ainda está muito atrás do que deveria - e do que necessita enquanto povo.

A cultura de doação


O Brasil está entre os 20 países mais solidários do mundo. É o que diz o relatório anual World Giving Index 2022, produzido pela organização Charities Aid Foundation (CAF), representada no país pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), e como traz artigo no GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas).

Isso deveria ser uma boa notícia, certo? Em partes. É ótimo que sejamos solidários, característica conhecida do brasileiro no imaginário popular mundo afora - e no nosso também. Mas a doação enquanto cultura estabelecida e organizada, de forma a criar uma conexão profunda com a causa, ainda tem muito o que caminhar. 

De acordo com a pesquisa Percepção e Prática da Doação no Brasil, conduzida pelo Datafolha em 2023, cerca de 31% dos brasileiros fizeram, pelo menos, uma doação em dinheiro ao longo de 2022, seja para instituições, coletivos, ações beneficentes de igrejas e campanhas de captação de recursos para projetos sociais.

Acontece que, na maioria das vezes, essa doação não é recorrente, ou seja, é feita de forma pontual e isolada, sem que a pessoa que doou de fato acompanhe o desdobrar daquele ato ou reflita profundamente sobre o tema. A mudança necessária era a de que a doação deixasse de ser uma ação assistencialista e passasse a ser uma ação cidadã comum, que busca impulsionar mudanças positivas na sociedade, como reforça o GIFE.

“O Brasil ocupa o 54º lugar no mundo em doação, estamos muito atrasados e isso se deve a diversos fatores. O primeiro é que as pessoas não têm muita confiança para onde o dinheiro delas iria. Claro que, quando a gente fala de filantropia, a gente tá falando também de doação de tempo, de conhecimento, mas de dinheiro também. E é sobre esse último que elas sentem receio: para qual organização essa verba vai, como confiar e acreditar que essa instituição vai ser idônea e aplicar que doei de uma forma correta?”, traz Marcos Prado, produtor e diretor de cinema e da série “Meu, Seu, Nosso”.

Ele ainda destaca outros obstáculos, como as entraves burocráticas, o alto custo do imposto estadual sobre doação, que varia de 4% a 8% e a dificuldade que as pessoas encontram para encontrarem as instituições certas para doarem seu tempo ou seu dinheiro, apesar de quererem. “Ainda há muito preconceito com ONGs e projetos em si e uma falta de incentivo fiscal. É um longo caminho a se percorrer, mas quanto mais se discutir, mais rápido a gente sai desse ranking vergonhoso”, pontua Prado.

“A filantropia, do meu ponto de vista, não somente precisa ser mais falada, mas colocada em prática. Eu acredito profundamente que quando a gente desenvolve o amor pelo outro, consegue enxergar o outro como indivíduo da criação maior e entende que somos todos a mesma coisa e que todos precisamos estar bem, a gente começa a cuidar”, diz Ana Paula Mucunã, assentada da reforma agrária, agricultura familiar, fundadora e gestora do Instituto Família Criativa do Campo e participante da série. 

A série


Idealizada por Ana Maria Diniz, filha mais velha de Abilio Diniz, a série “Meu, Seu, Nosso” traz, em dez episódios, a história de sete iniciativas diferentes que mudam o seu entorno de alguma forma, além de especialistas importantes que discutem em três episódios sobre a cultura de doação no Brasil.

Dirigida por Marcos Prado e João Jardim e disponível no streaming Aquarius, plataforma da Amazon Prime que reúne títulos com foco em qualidade de vida e bem-estar, a série é uma verdadeira “jornada sobre a cultura da doação no Brasil, seus atores, práticas, efeitos e consequências”, como explica sua sinopse. 

“Quando as pessoas vão para o Nordeste, elas vão sempre para o litoral, onde tem as nossas praias lindas, a cultura ali também da gastronomia, do artesanato, mas sempre só no litoral. Muito dificilmente as pessoas vão conhecer a caatinga, o semiárido, onde há uma grande potência que precisa ser desenvolvida, vista, mostrada, para que aquelas pessoas possam, a partir de todo seu potencial, conseguirem um meio de se desenvolver, se preparar, se capacitar e caminhar para um futuro melhor”, diz Ana Paula. 

Para ela, a obra do audiovisual vai conseguir encurtar esse caminho de alguma forma, já que se trata de uma “ferramenta de projeção”, segundo ela, para que a população conheça esse Nordeste pouco visto. “Foi muito emocionante a chegada da equipe de gravação, com todos aqueles equipamentos, drones, câmeras. Eu ainda nem sabia o tamanho desse trabalho que estava sendo feito, mas já tinha uma expectativa muito positiva. E depois quando eu vi a equipe se emocionando várias vezes nos momentos de gravação”, relembra. 

“Quando fomos na Serra do Tigre, no Quilombo de Gameleira, na escola abandonada, eu pude evidenciar com tanta clareza o quanto as pessoas não sabem o que de fato as nossas famílias que vivem na caatinga, no sertão, nesse semiárido, nos assentamentos. Teve até uma pessoa da equipe que disse para mim ‘realmente Aninha, a maioria das pessoas lá fora não têm noção que hoje, em pleno século XXI, com tanta tecnologia, ainda existem famílias que vivem nessa situação. Pra mim esse daqui era simplesmente o cenário do filme Auto da Compadecida’”, conta. 

O projeto de Ana Paula foi um dos escolhidos depois de um longo e desafiador processo, segundo Marcos Prado, que participou diretamente na seleção de tantos projetos que chegaram até ele. “Depois de selecionar 50 projetos sociais e mais de 30 especialistas, a gente fez a curadoria juntos: eu, Ana Diniz, a equipe dela e o João Jardim que é outro documentarista super importante e amigo meu que convidei para participar. (...) Foi muito difícil a curadoria pra gente chegar nos 7 personagens que iriam representar a nossa série. Cada um com a sua motivação, história… Procuramos trazer histórias de pessoas que estão na base da pirâmide e também no topo e no meio, cada um com a sua motivação”, relembra. 

O que Prado percebeu ao longo do processo é que em todos os selecionados há um mesmo fator em comum: eles acabam descobrindo que o propósito da vida deles está no outro e não neles próprios. “Eu sempre me perguntava se o ser humano era naturalmente altruísta ou não, empático ou não, se isso era uma coisa que aprendemos pelo meio e ensinada pelos pais ou se na natureza realmente havia esse tempo de altruísmo. E aí eu acabei descobrindo que sim, que existem diversos exemplos na natureza, em amebas, em pássaros, em plantas, bactérias… Isso me impressionou muito”, diz.

E se você quer se inspirar e se impressionar com essas histórias, basta procurar a série “Meu, seu, nosso”, disponível no streaming Aquarius, da Amazon Prime. É o primeiro passo para quem busca entender um pouco mais sobre a cultura de doação do Brasil e, quem sabe, somar nesse movimento que é urgente e que quer fazer a diferença na trajetória dos seus semelhantes. Acredite na força da sua doação, seja ela de dinheiro, de tempo ou de força de trabalho. Cada passo importa nessa caminhada.

Compartilhar:


Inscreva-se na nossa Newsletter!

Inscreva-se na nossa Newsletter!


Seu encontro marcado todo mês com muito bem-estar e qualidade de vida!

Grau Plenae

Para empresas
Utilizamos cookies com base em nossos interesses legítimos, para melhorar o desempenho do site, analisar como você interage com ele, personalizar o conteúdo que você recebe e medir a eficácia de nossos anúncios. Caso queira saber mais sobre os cookies que utilizamos, por favor acesse nossa Política de Privacidade.
Quero Saber Mais