Para Inspirar

O que a ciência tem a dizer sobre a gratidão

Mais do que um simples sentimento, a gratidão é objeto de estudo para cientistas que buscam desvendar os seus múltiplos benefícios.

11 de Novembro de 2022


Nessa semana, embarcamos no relato do empresário Felipe Dib, que diante das adversidades que o acometeram, entendeu que a gratidão era o segredo do sucesso. Mas gratidão é mais do que um sentimento, segundo ele, e sim, um ato. É preciso colocá-la em prática, e não só dizê-la por aí. 

A ciência concorda. Sonja Lyubomirsky, professora de psicologia da Universidade da Califórnia e autora do livro The How of Happiness (“O Como da felicidade”, sem tradução para o português), explica que a expressão é uma estratégia para alcançar a felicidade, como te contamos e que pessoas gratas mostram maiores níveis de felicidade, energia, esperança e otimismo, declarando sentir mais emoções positivas do que negativas. 

Essas mesmas pessoas costumam ser mais empáticas, altruístas, espiritualizadas e religiosas, perdoam com mais facilidade e são menos materialistas. É também menos provável que essa pessoa mais agradecida se sinta deprimida ou ansiosa.

O cérebro grato

Para Fabiano Moulin, neurologista que dedica sua carreira ao estudo do envelhecimento do cérebro, em entrevista ao Plenae, “gratidão é, na verdade, a sensação de agradecer oralmente, independente se esse agradecimento tem destino pessoal ou religioso. É simplesmente a percepção e a capacidade de conseguir direcionar sua felicidade a um objeto presente, seja ele fisicamente, ou um pensamento futuro ou uma lembrança”.

Segundo ele, há uma clara relação entre nutrir esse sentimento e o bom envelhecimento. Isso porque, dentre as várias atuações da gratidão no nosso corpo, uma delas é reduzir os níveis de cortisol, o já conhecido hormônio do estresse. E, simultaneamente, atua aumentando a liberação de hormônios relacionados ao bem-estar. Isso, a longo prazo, é ótimo para nossa cognição e até para a saúde cardíaca.

“Nossa saúde mental atinge diretamente nossa saúde vascular, então cuidar dela é também ter um envelhecimento com qualidade de vida maior, ter menos problemas cardíacos, mais proatividade”, explica ele. É preciso buscar a reorganização de dentro para fora, e agradecer pelo que está posto, e não se lançar em buscas incessantes e estressantes pelo que não está garantido.

Estudos comprovam que a área do córtex pré-frontal medial, uma área relacionada a comportamentos sociais e a empatia, é ativada e potencializa a formação de laços afetivos - o que pode ser ótimo para suas relações. Essa área também está ligada a sentimentos de calma e tranquilidade e a regulação emocional.

Aliado a essa estrutura, outro local no cérebro que é ativado durante experiências de gratidão é o hipotálamo - relacionado a regulação de processos biológicos básicos, como a saciedade, a temperatura corporal, a frequência cardíaca, as emoções e o sono. 

Outros benefícios

E falando em relações, a gratidão pode ser uma forte aliada no seu relacionamento. Um estudo entre casais mostrou que a expressão da gratitude a dois traz inúmeros benefícios, alterando de forma positiva a percepção da qualidade da relação tanto em quem a expressa como em quem a recebe, colocando a relação em um círculo virtuoso. 

Ao expressá-la, a pessoa toma consciência e acolhe a gentileza do outro, confirmando a si mesmo que está em uma troca mútua, onde um se importa com o outro e aprecia seus atos. Para quem recebe, mostra que sua ação foi apropriada, desejada e apreciada, motivando que volte a agir de forma afetuosa.

A gratidão ainda pode atuar na sua memória, ajudando a retê-las e/ou recuperá-las. Isso irá ajudar a diminuir sentimentos como a inveja, o materialismo, o narcisismo e a comparação social. Mas, para colher esses benefícios, é preciso ensinar o cérebro a reconhecer pequenos momentos como fatos a serem apreciados, utilizando da gratidão intencional.

Em outro estudo, pacientes que sofrem de uma série de doenças neuromusculares foram estimulados a escrever cinco coisas pelas quais eram gratos todos os dias, durante três semanas. Aqueles que contaram suas bênçãos relataram significativamente menos dor, bem como um sono melhor do que o grupo de controle.

 

"Você pode pensar na gratidão como algo contínuo. Há momentos específicos em que nos sentimos gratos, mas com o tempo, podemos desenvolver uma mentalidade mais disposta à gratidão", diz a pesquisadora Fuschia Sirois, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra. Ou seja, ao praticar gratidão, você pode 

desenvolver uma perspectiva mais fixa de maior gratidão diante da vida.

Ela ainda pontua, em artigo, que ser grato pode beneficiar o seu sono, já que isso nos coloca em um estado mais positivo, e também no nosso sistema imunológico. “Regular nossa resposta ao estresse também tem um impacto positivo em nosso corpo - um deles sendo a inflamação, que é um marcador importante para o risco de desenvolvimento de uma série de doenças crônicas."

Por fim, a gratidão pode te levar a manter hábitos mais saudáveis. Estudos mostram que as áreas do cérebro que são ativadas quando as pessoas experimentam gratidão são as mesmas que controlam nossa capacidade de pensar sobre o resultado de nossas ações, ou seja, se planejar e, assim, conseguir desenvolver novos hábitos. "Descobrimos que a ligação entre ser grato e ter melhores práticas de comportamentos de saúde foi explicada em parte por esse maior pensamento sobre o futuro.” 

Já te contamos aqui que a gratidão melhora a sua qualidade de vida e te ensinamos a fazer um diário com base no método proposto pelo livro Milagre da Gratidão, no Plenae Aprova, que pode ser um bom começo para quem busca ser mais ativo. Segundo o monge e estudioso ecumênico David Steindl-Rast, em seu Ted Talks que exibimos aqui, ela é o caminho claro para ser feliz. 

O segredo é observar mesmo os momentos mais difíceis com o olhar clínico das oportunidades: o que é possível de ser aprendido aqui, nessa situação? Como posso lutar e manter o meu posicionamento? Fazer uma visualização negativa, como os estóicos nos ensinam, também ajuda a colocar as coisas em perspectiva e te faz perceber que nem tudo é tão ruim quanto parece.

Busque sentir gratidão mas, mais do que isso, busque colocá-la em prática e propagá-la por aí não só com palavras, mas com ações. Isso fará toda a diferença pra você e para o mundo.

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Para Inspirar

Aprender para viver bem

O que a humanidade alcançou em conjunto é extraordinário. O que nos traz à pergunta: dentro de um planeta com tantas espécies, como foi que nós, seres humanos, chegamos tão longe?

23 de Abril de 2018


A neurocientista brasileira, com trabalho reconhecido mundialmente, assumiu o palco para falar sobre o funcionamento do cérebro humano. Em uma palestra dinâmica, repleta de curiosidades e vídeos bacanas, Suzana usou a ciência para emocionar e nos fez terminar o dia com um sentimento bom sobre nosso papel como humanos na Terra e em nossas próprias vidas.

BIOLOGICAMENTE, O QUE NOS TORNA TÃO ESPECIAIS?


Nós, humanos, somos responsáveis pela criação de tantas e tantas coisas que até nos acostumamos com elas. Encaramos nossas conquistas aqui no planeta como se fossem parte natural dele. Raras vezes – ou nunca – paramos para ver que quase tudo que há ao nosso redor é resultado do trabalho da teimosa, criativa e inquieta espécie humana.

Paredes, fios elétricos, arquitetura, sistemas complexos, a própria linguagem. Basta olhar ao redor. O que a humanidade alcançou em conjunto é extraordinário. O que nos traz à pergunta: dentro de um planeta com tantas espécies, como foi que nós, seres humanos, chegamos tão longe? Se somos apenas primatas, mais um animal no mundo, como foi que, cientificamente falando, conquistamos essa capacidade?

Simplificar esse raciocínio é tentador. Queremos logo imaginar que foi só uma questão decidida pela evolução. Nós, humanos, somos o ápice da evolução no planeta e ponto. Mas, na realidade, a resposta é um pouco mais complexa – e maravilhosamente curiosa – que isso.


Por muito tempo, os cientistas imaginavam que nossa diferença em relação aos outros animais se devia a algumas capacidades que acreditávamos ser só nossas, como o conceito de grandezas numéricas, o reconhecimento de padrões abstratos, o uso de símbolos como linguagem, a utilização e criação de ferramentas, a empatia e a capacidade de mentir e ludibriar.

Só que quanto mais se começou a estudar todas essas propriedades, mais se descobriu que humanos não eram os únicos aqui na Terra a possuí-las. Algumas espécies de aves, outros primatas e até ratos também possuem algumas dessas habilidades que achávamos tão humanas.

Se não temos mais esta tal exclusividade, como foi então que chegamos aqui? Os últimos estudos sobre o assunto, que envolvem pesquisas mais aprofundadas sobre o cérebro, nos mostraram que não precisamos mais pensar em termos de exclusividade, mas sim começar a nos entender através do todo, ou da combinação de dois elementos: capacidade biológica e capacidade de aprendizado.

Nossa biologia, somada à nossa capacidade de aprender e transmitir conhecimento de maneira organizada foram os dois elementos que, combinados, nos ajudaram a chegar até aqui.

CAPACIDADE BIOLÓGICA E O QUE NOSSOS NEURÔNIOS TÊM A VER COM NOSSA COZINHA


Durante muitos anos, o consenso era de que espécies cujo cérebro tinham um tamanho parecido possuíam obrigatoriamente a mesma quantidade de neurônios entre si. Porém, fomos descobrindo que em espécies mais complexas, como os primatas, a evolução aconteceu de maneira tal que a quantidade de neurônios aumentou, enquanto o tamanho do cérebro se manteve o mesmo. Isso quer dizer que não era mais o tamanho do cérebro que ditava a evolução e sim sua capacidade.

Trocando em miúdos, o que biologicamente nos distingue de todos os outros animais é o número de neurônios que temos em nosso córtex cerebral – justamente a parte de cima do cérebro, que permite que a nossa vida seja muito mais que simplesmente detectar estímulos e responder a eles.

É ali que reside a capacidade do autoconhecimento, de olhar para nós mesmos, pensar no que queremos alcançar e no porquê queremos alcançar. Resolvido: nós, seres humanos, temos o maior número de neurônios dentre todas as espécies da natureza. Claro, isso ainda não responde a questão primordial: por que nós?

Algumas pesquisas com outros primatas nos ajudam a começar a esclarecer essa questão. O que se descobriu foi que durante os milhares de anos de evolução, os outros primatas não conseguiram alcançar um cérebro mais complexo simplesmente por uma questão física: eles chegaram ao limite do que um organismo consegue sustentar em termos de energia e metabolismo.

Resumindo bastante, manter bilhões de neurônios trabalhando gasta muita caloria! Só para dar um exemplo, para conseguir manter funcionando no máximo 53 bilhões de neurônios em um corpo franzino de 25 kg, um primata com um organismo construído para a alimentação com a qual ele se sustenta normalmente deveria passar 8 horas por dia comendo.

Para ter um corpo maior que 25 kg, esse primata teria que abrir mão de neurônios, ou então passar o dia comendo, o que tornaria a sobrevivência, digamos, um tanto quanto inviável. Ao que tudo indica, o que mudou nossa história evolutiva foi o desenvolvimento de um hábito aparentemente simples: começar a cozinhar os alimentos.

Afinal, cozinhar nada mais é que pré-digerir a comida, o que facilitou nossa apropriação de calorias ao longo dos milhares de anos – com isso, nos tornamos capazes de aproveitar mais calorias em menos tempo. Ou seja, não podemos menosprezar o papel da cozinha na definição da biologia da nossa espécie.

Esta mudança de paradigma nos levou à cultura da agricultura, à civilização com divisões de tarefas, ao mercado, à invenção da eletricidade... e aos dias de hoje, em que um simples lanchinho esquentado no micro-ondas pode garantir muito mais que as calorias de que precisamos para sobreviver. Mas isso é assunto para outra conversa.

CAPACIDADE DE APRENDIZADO E O PODER DE NUNCA DEIXAR DE ABSORVER COISAS NOVAS


Agora que entendemos um pouco mais sobre nosso cérebro, fica mais fácil entender que de fato a biologia nos tornou diferentes. Mas vai além disso. Nosso cérebro, biologicamente, é o mesmo há milhares de anos. Como foi que conseguimos evoluir da carne assada na fogueira para os grandes avanços tecnológicos que vivemos hoje?

Graças à nossa capacidade de organizar processos e sistematizar o conhecimento. De desenvolver nossas próprias capacidades e transformá-las em habilidades. E esse crescimento vem acontecendo de forma exponencial, já que mais tecnologia nos dá mais tempo disponível para pensar em mais tecnologias – e assim sucessivamente, como um ciclo.

Dessa maneira, conseguimos cada vez mais nos dedicar à nossa capacidade de aprendizado, investigando sistematicamente nosso mundo, aplicando as tecnologias que criamos e passando tudo isso adiante. Nosso cérebro é muito mais que um córtex avantajado repleto de neurônios: temos, sim, essa facilidade biológica, mas temos também o poder de esculpir os neurônios que recebemos.

Quando nascemos, chegamos ao mundo com um excesso de sinapses. Somos como um bloco de mármore apto para quase tudo, mas bom para quase nada. E é com o aprendizado que vamos esculpindo esse bloco. Com o tempo, nosso cérebro mantém as conexões e neurônios que funcionam e arranca fora as conexões que não interessam.

O aprendizado nada mais é que esse processo de conexões mantidas e conexões removidas. E é a maneira como esculpimos nossos “blocos de mármore” que faz de cada um de nós indivíduos únicos. Durante toda a vida aprendemos, num eterno sistema de tentativa e erro. E nosso cérebro tem um mecanismo feito para isso: quando uma tentativa dá certo, ele nos premia com a sensação de prazer.

A partir dela, o caminho que fizemos para acertar é fortalecido e se torna cada vez mais fácil chegar nele novamente, neurologicamente falando. O fascinante é que esse sistema não funciona só quando somos bebês pequeninos aprendendo como funciona a vida. Funciona a vida inteira, o tempo todo, para tudo o que aprendemos, das tarefas mais simples às equações mais complexas.

Para aprender, é preciso ter a oportunidade de aprender. Essas oportunidades podem ser recebidas dos outros (como de pais e amigos que nos incentivam, por exemplo) ou dadas a nós mesmos. Este último caminho acontece somente quando nos damos conta do que realmente queremos para nós e nos permitimos conhecer as alternativas que a vida oferece para que sigamos aprendendo.

Depois de adultos, nossa capacidade de aprender está em nossas mãos. E vai além do aprendizado das ciências exatas ou humanas, de banco de escola. Tudo pode nos ensinar. Uma experiência, seja ela boa ou ruim, é um imenso aprendizado. O que nós fazemos com ele é que nos vai ajudar a continuar evoluindo, como pessoas, como espécie. O que faz nossa vantagem sobre as outras espécies na Terra realmente valer a pena é o poder de sermos capazes de mudar nossa vida para melhor.

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