Para Inspirar

Negligenciar vida social é prejudicial à saúde

Da próxima vez que você for tentado a cancelar os planos de jantar com amigos para ficar em casa assistindo TV, pense duas vezes.

17 de Janeiro de 2019


Da próxima vez que você for tentado a cancelar os planos de jantar com amigos para ficar em casa assistindo TV, pense duas vezes. Negligenciar os compromissos sociais a longo prazo faz mal à saúde e encurta o tempo de vida. É o que  afirma a pesquisadora Elissa Epel, diretora do Laboratório de Envelhecimento, Metabolismo e Emoções da Universidade da Califórnia, em São Francisco e coautora do livro O Segredo está nos Telômeros , lançado em 2017 no Brasil, pela Editora Planeta – em parceria com Prêmio Nobel de Medicina, Elizabeth Blackburn. De acordo com Elissa, parte do envelhecimento é explicado pelos telômeros, as capas protetoras de DNA nas extremidades de nossos cromossomos. Os telômeros mais longos estão associados a “períodos de saúde” mais duradouros – o número de anos saudáveis ​​e de alta qualidade de que desfrutamos –enquanto os telômeros mais curtos à demência, doenças cardíacas e rugas. Relacionamento social. Embora o estresse e a má alimentação estejam vinculados ao encurtamento dos telômeros, Elissa observa que há também uma correlação entre o comprimento das capas protetoras com a qualidade de nossos relacionamentos. Pergunte a si mesmo quem faz você se sentir positivo e apoiado – esses são os relacionamentos bons para a sua saúde. “Em pessoas mais velhas, ter maiores níveis de apoio social está associado a telômeros mais longos”, diz ela. “Em estudos com animais, o isolamento social e a exposição ao estresse do ambiente estão associados ao maior encurtamento das capas de proteção do material genético.” A frequência não é tão importante, mas sim a qualidade dessa conexão. “Uma grande mostra, para um estudo genético revelou que os casais tendem a ter comprimentos de telômeros semelhantes – especialmente se tiverem mais de 70 anos”, diz Elissa. “Isso tem a ver com a convivência e influências comuns, boas e ruins.” Sexo. A relação sexual é uma maneira produtiva de passar o tempo, pelo menos do ponto de vista genético. Elissa diz que em um estudo feito com casais casados, aqueles que relataram ser sexualmente íntimos tinham telômeros mais longos do que aqueles que não o faziam. Embora o autocuidado seja frequentemente associado a ter um tempo sozinho, vale a pena estar com mais com as pessoas, pelo menos às vezes. “Todas as setas apontam para permanecermos socialmente conectados e fazermos coisas que são boas para a sociedade. Nossas células respondem florescendo em vez de adoecerem precocemente”, diz Epel. Leia o artigo original aqui .

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Para Inspirar

Por que escutamos música e como usá-la a nosso favor?

Os seres humanos são animais que, dentre seus vários hábitos, ouvem música. A combinação de sons é uma unanimidade e tem benefícios para além do lazer.

21 de Agosto de 2023


Colocar um fone e viajar pelos sons: poucas coisas são tão satisfatórias quanto isso. Não por acaso, há inúmeros benefícios envolvidos nessa prática, como te contamos aqui, e também inúmeras opções de bandas, fones e plataformas de áudios. A indústria dos shows, aliás, é uma das que mais cresce nos últimos anos.

Mas, se olharmos ao redor para as outras espécies, percebemos que somos a única que ouvimos música com frequência, uma atividade diária e que envolve uma série de terminações cerebrais. Por que fazemos isso? Quais são os ganhos dessa prática que podemos usar ao nosso favor? É isso que investigaremos a seguir!

As primeiras notas

Ouvimos música sem nem nos darmos conta. Ela está por toda parte e nem sempre escolhemos o que vamos ouvir, uma simples propaganda já entra em nossos ouvidos sem que a gente perceba. Elas são divididas em gêneros musicais, em estilos e até usadas para determinados momentos específicos: a música para malhar é diferente da música para relaxar. 

Com base no achado de flautas de ossos feitas há 53 mil anos pelos neandertais, como explica este artigo da revista Superinteressante, pesquisadores estimam que a atividade musical deve ter pelo menos 200 mil anos – contra 100 mil anos de vida do Homo sapiens. Ou seja: a música é mais antiga do que o ser humano como nós conhecemos atualmente, e mesmo em tempos de sobrevivência suprema, ela já existia.

Apesar de já se conhecer os seus benefícios, não há ainda um porquê definido para o nascimento das canções. De cientistas a filósofos, todos já buscaram suas próprias hipóteses e ninguém conseguiu cravar uma resposta definitiva. Boa parte dos indícios apontam para uma perspectiva evolutiva e biológica. 

Até mesmo o pai da teoria evolutiva Charles Darwin, já passeava pelo assunto. Para ele, a música era determinante para a escolha de parceiros sexuais. Isso porque, segundo sua teoria, as fêmeas seriam atraídas pelos melhores cantores. Essa teoria explica o comportamento sexual de jovens e até rituais de acasalamento antigos.

Há ainda uma outra hipótese, de que a música tinha papel mediador, amenizando conflitos, fortalecendo comunidades, ampliando canais de comunicação e ajudando a organizar e reconhecer as emoções. E o mais interessante é que nós fomos, muito provavelmente, os primeiros instrumentos. 

Ainda segundo o artigo da Superinteressante, o cientista cognitivo William Benzon, autor do livro Beethoven’s Anvil (“A Bigorna de Beethoven”, sem tradução para o português) especula que tudo começou com a nossa voz imitando o som de outros animais. Isso era feito até mesmo visando a proteção, pois, ao emitir um som ameaçador como o rugido, você afastaria outros animais. 

O som dos nossos passos também pode ter influenciado nessa percepção musical. Segundo o expert musical Michael Spitzer, em vídeo para o portal Big Think, da mesma forma que o som dos animais nos situam no espaço e nos dão indício de seu posicionamento, como o canto dos pássaros ou o deslocamento de uma baleia, os nossos passos têm a mesma função - para nós e outros animais. 

E o que são as notas se não um passo para o outro? A lógica é a mesma: o som de um deslocamento. Nossos ancestrais conseguiram enxergar um padrão nas próprias passadas, o que lhes dava senso de tempo. A gente consegue se situar no mundo através do som dos nossos próprios passos.

Solta o som, DJ

Música e linguagem caminham juntas, e é isso que torna tão difícil cravar quem veio primeiro. Basta observar um bebê, que pode balbuciar sons ritmados antes mesmo de falar mamãe. Mas, não seria essa uma forma de linguagem? Sim, afinal, as duas exigem esforços cerebrais da mesma natureza.

Mas, a música consegue ir além das palavras, não só de forma poética, mas se tratando de mecanismos cerebrais. A ativação que se dá em diferentes estruturas desse nosso órgão tão complexo é potente e profunda, e nos ajuda desde a focar mais em um estudo, até a elaborar melhor um sentimento. 

Há um link muito específico entre o som e os movimentos que torna nossa relação com a melodia diferente de outros animais. Por isso que, para Spitzer, usar a música como uma mera distração é um desperdício. “A música pode unir pessoas e combater a solidão. E você nem precisa ativamente fazer música junto com alguém, apenas ouvi-la já pode plugá-lo em uma rede social de pessoas, porque cada nota musical é formada por convenções sociais”, reflete em vídeo. 

A música, continua ele: 

  • reduz o estresse porque reduz os níveis do hormônio cortisol; 

  • te dá prazer e te traz felicidade inundando o seu cérebro com dopamina; 

  • é um excelente modo de trabalhar a memória, seja criando novas recordações com uma música ou relembrando antigas; 

  • expressa suas emoções mais profundas e te ajuda com autoconhecimento e formação de identidade;

  • é um atalho para o mindfulness, para a contemplação e até para a meditação; 

  • melhora a sua saúde mental pela junção de todos os fatores mencionados anteriormente;


“Não é só puramente relaxar porque há muito acontecendo ao mesmo tempo, e a palavra relaxamento traz uma ideia de passividade, enquanto ouvir é uma atividade muito ativa e criativa”, diz ele. 

O fato de imitarmos sons trabalha o nosso neurônio espelho. Esse mesmo neurônio é trabalhado quando ouvimos uma canção, seja ela feliz ou triste, e ela ativa automaticamente esses sentimentos. E, sentimentos, como já apontava Darwin, não são levianos, mas estão relacionados aos objetivos que nos fizeram sobreviver. 

Ficamos felizes quando alcançamos uma meta, com medo quando estamos em perigo, irritados quando algo foge ao nosso controle, tristes quando perdemos alguém: tudo isso, um dia, estava intimamente ligado à nossa sobrevivência. A música é muito parecida com tudo isso e mexe também com nossos sentimentos. 

É por isso que somos tão conectados a ela, pois ela suscita nossas mais profundas e complexas emoções sem nos deixar em perigo e ainda nos trazendo benefícios. E essa é, enfim, a resposta da pergunta que fizemos no começo deste artigo. É por isso que o ser humano é tão musical. 

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