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Maio Roxo: conheça a campanha com foco em doenças intestinais ligadas aos hábitos de vida

Cerca de 7 milhões de pessoas em todo o mundo têm Doença Intestinal Inflamatória. Conheça a campanha que busca trazer mais luz para esse tema.

3 de Maio de 2023


Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), as DIIs - ou Doenças Intestinais Inflamatórias, são caracterizadas principalmente pela Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa. Ambas são doenças autoimunes, ou seja, quando o próprio corpo do indivíduo. 

A prevalência das doenças inflamatórias intestinais no país vai de 12 até próximo a 55 em cada 100 mil habitantes, depende da região e do estudo. Mas já se sabe que há uma concentração nas regiões Sudeste e Sul, e uma das hipóteses mais aceitas para esse valor é devido ao alto índice de desenvolvimento humano e urbanização, como explica esse artigo do site do probiótico Enterogermina.

Ainda se tratando de Brasil, a ocorrência de novos casos, tanto de doença de Crohn quanto de retocolite, fica em torno de 7 para cada 100 mil habitantes. Nos países desenvolvidos, como EUA, Canadá e alguns países europeus, a prevalência pode chegar próxima a 120/130 para cada 100 mil habitantes.

Segundo esse estudo, houve 6,8 milhões de casos de DII em todo o mundo, com uma taxa de prevalência padronizada por idade que aumentou de 79,5 por 100.000 habitantes em 1990 para 84,3 por 100.000 habitantes em 2017. A taxa de mortalidade, porém, diminuiu de 0,61 por 100.000 habitantes em 1990 para 0,51 por 100.000 habitantes no mesmo ano. Mas o que causa essas doenças, afinal? 

As causas das DII's


São vários fatores envolvidos para o surgimento das Doenças Inflamatórias Intestinais. Genética, imunidade, fatores ambientais e alimentares, a disbiose intestinal, tabagismo e hábitos de vida como um todo, como explica o Ministério da Saúde. Ela ainda costuma se manifestar mais entre 15 e 40 anos.

Seus sintomas podem ser parecidos, mas há algumas pequenas diferenças entre eles. De acordo com a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD), enquanto colite ulcerativa é uma doença inflamatória do cólon (intestino grosso) e se caracteriza por inflamação da camada mais superficial, a Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal e camadas mais profundas.
Os sintomas costumam ser diarreia, cólica abdominal, às vezes febre e uma possibilidade de sangramento retal, variando de leve a grave. Já o seu diagnóstico é uma jornada que pode se estender por um período, pois é preciso passar por algumas etapas. É feita uma análise da história clínica desse paciente, levando em conta seus exames laboratoriais. Além disso, outros exames como tomografias e ressonâncias e até endoscopias com biópsias podem ser solicitados.

Tratamentos para as Doenças Intestinais Inflamatórias

Apesar de não terem cura, essas Doenças Intestinais Inflamatórias têm tratamentos possíveis, que podem trazer uma remissão clínica importante. Ou seja, faz com que o paciente controle esse processo inflamatório e a doença passe a não apresentar mais tantos sintomas. Além de tratamentos medicamentosos, estar atento aos seus hábitos de vida é sempre um bom começo para tantos males. Fazer exames regulares, se hidratar e até mastigar bem durante as refeições já podem prevenir as DII’s. Ter uma alimentação saudável, evitando alimentos ultraprocessados e evitando também o uso de laxantes, também.

Pratique atividad
es físicas, procure não se estressar e ingerir menos bebidas alcoólicas e cigarros. E fazer o uso de probióticos pode ainda te ajudar a manter sua flora intestinal em equilíbrio - e te contamos neste Tema da Vez o quanto a flora intestinal e o intestino num geral são importantes, certo? Ele pode até mesmo interferir na sua saúde mental e ter a ver com doenças como a depressão.

A campanha

Agora que você já conhece um pouco mais sobre os números de incidência dessas doenças, seus sintomas, diagnóstico e tratamento, fica mais fácil de entender o porquê da criação de uma campanha de conscientização para elas, sobretudo porque se tratam de doenças muito atreladas aos nossos hábitos de vida, assunto tão recorrente por aqui. O Maio Roxo é uma campanha que tem justamente esse objetivo: chamar a atenção da sociedade e também das entidades públicas sobre esse problema e buscar melhorias na qualidade de vida tanto dos pacientes já acometidos pelas doenças como também pelas pessoas saudáveis, mas que podem vir a tê-las se não mudarem seus hábitos. Outro pilar importante desta campanha é falar da importância que o diagnóstico precoce tem. Trata-se, portanto, não só de uma campanha de conscientização, mas também de prevenção. Aqui no Brasil, a data foi criada em 2010 pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) considerando o dia 19 de maio que é também o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal. Liderada por organizações que representantes de 50 países, como explica este artigo, em cinco continentes diferentes e coordenada pela European Federation of Crohn’s and Ulcerative Colitis Associations (EFCCA), a campanha pretende ainda encorajar governos e profissionais de saúde a agir e mostrar apoio às milhões de pessoas em todo o mundo que vivem dessa maneira.

Para apoiar a campanha, há alguns caminhos. Usar uma fitinha roxa, como recomenda o site oficial World IBD Day, é um dos caminhos. além de fortalecer o uso de algumas hashtags específicas nas redes sociais como #IBDhasnoage (Doenças Inflamatórias Intestinais não têm idade, em tradução livre) e #worldibdday2023 (atualizada para esse ano) também. No Brasil, as associações responsáveis pela campanha são a SPCP ou a ABCD, mencionadas ao longo deste texto. Procure saber se eles estão precisando de voluntários para suas campanhas na rua, por exemplo, ou demais ações que elas possam estar promovendo. Se você está em algum outro país e perceber que ele não faz parte dessa união, você pode solicitar uma carta de apoio da EFCCA, organizadora oficial do evento, que levará às entidades públicas por sua vez. E são essas entidades que têm o poder de promoverem campanhas espalhadas pela cidade e mais abrangentes, como iluminar pontos e edifícios de referência da cor roxa. O primeiro passo, que é a conscientização, já foi dado. Agora, só depende de você!

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O cérebro plástico: o que é a neuroplasticidade?

A capacidade de absorver mais informações e se modificar conforme suas experiências é uma das muitas habilidades incríveis que o cérebro humano possui.

2 de Dezembro de 2022


No penúltimo episódio da décima temporada do Podcast Plenae, conhecemos a história do Mochileiro pela Educação, Tiago Silva, que mudou a sua própria realidade com a ajuda dos livros e, hoje, busca fazer o mesmo por outras crianças, oferecendo o mesmo caminho. 

A idade que o público alvo de Tiago possui é justamente a melhor para se desempenhar esse trabalho. Como te contamos aqui neste artigo, a leitura é uma ferramenta potente, sobretudo quando iniciada na infância. O mergulho em diferentes mundos, culturas e tempos - ainda que imaginários ou imaginados - propostos pela literatura facilitam uma maior percepção do outro e dos sentimentos. Ajuda a entender melhor o que é a empatia, bem como ter uma maior proximidade com seu lado emocional.

Mas, além disso, há um outro ganho não explicitado e que iremos tratar aqui hoje: a neuroplasticidade, que é “a capacidade que o cérebro tem de aprender e se reprogramar”. Se tratando de um cérebro ainda jovem, a neuroplasticidade é ainda maior e mais pulsante. E é por isso que dedicamos um tema da vez inteirinho sobre o assunto. Mas calma, nós vamos te explicar melhor a seguir!

A neuroplasticidade

Imagine o complexo e completo órgão que é o nosso cérebro. Ao fecharmos os olhos, imediatamente pensamos em uma palavra: os neurônios. Eles nada mais são do que células presentes no sistema nervoso central, responsáveis por estabelecer conexões entre eles. Mas para que essa conexão aconteça, são necessários os estímulos externos ou do próprio organismo - e leia-se: sem essas conexões, basicamente não existimos, pois elas são responsáveis por tudo o que somos e que fazemos.

Quando esses neurônios são devidamente estimulados, eles juntos geram impulsos elétricos e liberam substâncias químicas nos espaços vazios entre um neurônio ou outro - um vão chamado sinapse. Essas sinapses são justamente a ligação, a conexão que tanto buscamos e queremos que esses neurônios desempenhem. A cada estímulo realizado, toda a sua rede de neurônios se reorganiza para te proporcionar diferentes caminhos de resposta. É aí que entra a plasticidade neuronal, essa habilidade incrível, quase mágica, que nosso cérebro consegue realizar, formando milhares de novas conexões a cada momento. Enquanto você lê esse artigo, novas sinapses estão acontecendo. É também graças a esse poder regenerativo que conseguimos nos recuperar de lesões graves, sobretudo se elas foram sofridas ainda na infância. Quedas que possam ter afetado a capacidade motora ou a fala e a audição, por exemplo, podem ser recuperadas - a depender do nível do estrago, é claro - porque há toda uma vida pela frente e milhões de novas reconexões para esses neurônios realizarem. “Hoje sabemos que o sistema nervoso humano e de outros mamíferos é extremamente flexível e plástico. Há cerca de 20 ou 30 anos, a ideia era que fosse bastante estático, não só quando em condições normais de funcionamento, mas também quando alterado por alguma lesão”, explica o médico neurocientista pela UNIFESP, Cláudio Guimarães dos Santos, ao portal Drauzio Varella.
Graças ao avanço das pesquisas nesse campo, não só aprendemos mais sobre como o sistema nervoso opera normalmente, mas também como ele é capaz de se modificar e de se transformar. “Evidentemente, sabíamos que as pessoas mudavam ao longo do tempo, mas não tínhamos ideia de como a estrutura nervosa, neuronal, respondia a essas modificações”, conta Cláudio. Hoje, pesquisas na área de reabilitação evoluíram muito, justamente por saber que um dano no sistema nervoso tem como não ser eterno, pode ser modificado. Isso se deu também graças às novas técnicas de neuroimagem funcional, que permitiram o estudo da substância encefálica durante a realização das tarefas cognitivas, como explicou o especialista.

A neuroplasticidade em crianças

Agora que você já entendeu como o cérebro é plástico e capaz de se readaptar, se reinventar e te oferecer múltiplos caminhos em menos de um segundo, vamos partir para a etapa seguinte, que é entender como isso se dá em crianças. A cognição, que é o termo que designa a inteligência humana, é o que nos diferencia de tantas outras espécies, quase que o que nos “colocou” no topo da cadeia alimentar. É graças a ela que conseguimos criar, aprender, memorizar, fazer contas, nos apaixonar e até infelizmente cometer maldades. É graças à neuroplasticidade que esse processo dinâmico de construção, aquisição e interação de novas competências se dá durante todo o desenvolvimento infantil, como explica a neuropediatra Paula Girotto em seu blog.
Como te explicamos, essa plasticidade ocorre por toda a vida e deve ser sempre estimulada, inclusive em idosos. Mas é na infância que ela está a todo vapor. Por isso que crianças aprendem línguas estrangeiras mais rápido, por exemplo. E isso se dá porque é justamente na infância o período onde mais precisamos adquirir conhecimento sobre o funcionamento da vida como um todo.  Além disso, como prossegue a Paula, plasticidade cerebral pode ser dividida em dois tipos: a funcional, que é essa capacidade do cérebro mover as funções de uma área danificada para outras que não estejam comprometidas; e a estrutural, que é quando o cérebro consegue mudar sua estrutura física como consequência do seu aprendizado. O segundo tipo é o que iremos tratar aqui, na infância. Para que esse processo ocorra de forma homogênea e eficaz, o estímulo fará toda a diferença. Por isso que bons exemplos se fazem tão necessários nessa fase, onde aquele pequeno indivíduo está observando tudo e absorvendo tudo também. As imitações, tão comuns e “engraçadinhas” das crianças, é reflexo desse aprendizado adquirido pela observação, é o cérebro plástico em ação. Conforme essa criança vai crescendo, as sinapses formadas vão se fortalecendo, deixando menos espaço para novos aprendizados e novas possibilidades de conexão. Isso não é um diagnóstico terminal, é claro, e não quer dizer que não aprendemos nada quando ficamos adultos.  Mas é preciso mais empenho e mais estímulo, e vale lembrar que, com o passar da vida, somos mais expostos ao estresse, substâncias psicoativas, privação de sono e outros fatores que podem dificultar a aprendizagem. Te trouxemos neste artigo caminhos possíveis para melhorá-la, mas a dica de ouro para isso é treinar cada vez mais o seu cérebro.  Os livros, motivo pelo qual iniciamos esse artigo, é um aliado potente nessa trajetória. Em qualquer momento da vida, eles chegam para agregar, mas quando dados na infância, como faz o Thiago Silva, os ganhos cerebrais são imensos e ainda há um plus: a possibilidade ainda maior de fomentar o hábito da leitura desde cedo, formando um leitor para a vida.

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