Uma gargalhada cruzou por toda a casa
12 de Agosto de 2024
Uma gargalhada cruzou por toda a casa, ecoando a alegria e deixando o rastro de uma brincadeira que nunca teve fim em cada canto de cada cômodo. O riso veio de uma criança, e poderia ter sido de um bebê, adolescente ou adulto, mas quem contou a piada só poderia ter sido ele: o pai.
Um banho um pouco desajustado, uma refeição preparada de forma espontânea e um chocolatinho escondido ao final e enfiado dentro do bolso. "Não deixa ninguém ver", ele diz, com uma piscadinha que traz uma juventude intensa àquele rosto já levemente envelhecido.
Um voo em seus braços seguidos de um lançamento supersônico diretamente para as molas da cama é o que traz coragem para as veias daquele pequeno ser humano que acredita agora ter asas graças a esse momento sublime de brincadeira antes de dormir.
As intermináveis aulas de física e um método alternativo de ensinar a decorar mesmo as mais complexas e cabeludas fórmulas. Um conselho valioso para lidar com as inseguranças clássicas de qualquer pessoa, no que o filho se pergunta: mas como pode ele, o meu herói, já ter passado por isso também?
O lúdico, a graça, aquilo que é da ordem do brincante e do dinâmico, é também aquilo que compõe o "jeitinho de pai". Não se trata de uma regra, é claro, ou de uma exclusividade paterna, afinal, mães também podem ser tudo isso também. Mas hoje, a homenagem é a eles que vão aos poucos descobrindo uma linguagem secreta e genuína dividida somente entre as duas pontas: um pai e seus filhos. Feliz Dia dos Pais!
Brincar não é coisa de criança, apesar do fato delas fazerem isso com maestria.
29 de Outubro de 2024
Brincar não é coisa de criança, apesar do fato delas fazerem isso com maestria. E um dos grandes erros que cometemos quando crescemos, aliás, é abandonar o lado lúdico da vida e nos debruçarmos somente sobre as dificuldades da rotina.
Ainda que a ciência insista nos benefícios da diversão para a nossa saúde de forma geral, seguimos sufocados por uma lista de afazeres que não contempla essa atividade como algo legítimo e igualmente importante a todas as outras. Olhamos com certa arrogância para aqueles que ousam subverter essa lógica e taxamos como infantil o adulto mais sábio de todos: aquele que resiste às pressões internas e ainda brinca.
É nesse não-brincar que vemos a nossa criatividade e capacidade de solucionar problemas e enxergar sob outras ótimas morrerem. É no não-brincar que abrimos espaço na cama para o esgotamento físico e mental, para a seriedade que endurece nossos sorrisos, para um comportamento cada dia mais inflexível diante de qualquer imprevisto.
Abandonar a sua criança interior em um cantinho escuro e solitário, é assumir que a sua comunicação e até criação de laços mais sólidos e verdadeiros serão afetados. É como clicar em "concordo com os termos de uso" mesmo sabendo que a vida, subitamente, deixará de ser leve, confiável e eficiente.
Nesse mês das crianças, experimente ouvir o que a sua criança interna está tentando te dizer. Estique sua mão e deixe que ela a leve para a próxima brincadeira que ela inventou. Não se esqueça que antes de ser essa pessoa formada, você foi apenas um pequeno curioso, com sede de mundo e urgência em ser feliz, o máximo que pudesse. Por onde ficou essa urgência?
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