Para Inspirar

Gustavo Ziller em "Não precisa escalar o Everest para se sentir no topo do mundo”

Conheça a história do escritor que revolucionou a sua vida depois que o seu corpo o obrigou a parar e recalcular.

27 de Outubro de 2024



Leia a transcrição completa do episódio abaixo:

[trilha sonora] 
 
Gustavo Ziller: Eu não sou um atleta que nasceu em cima de uma prancha de surfe ou de um skate. Eu sou um cara normal que começou a treinar para valer aos 38 anos. Então, quando eu apresentei para o mercado publicitário o projeto de escalar as maiores montanhas de cada continente, eu sentia que a maioria esmagadora das pessoas tinha uma dúvida. “Será que o Ziller vai fazer esse trem mesmo?” 

[trilha sonora] 

Geyze Diniz: Após ter um apagão devido a rotina acelerada, Gustavo Ziller procurou se reconectar consigo mesmo e busca uma vida com mais qualidade. Virou atleta profissional e ao escalar várias montanhas, descobriu que não é necessário ir tão longe para ter a sensação de estar no topo do mundo. Eu sou Geyze Diniz e esse é o Podcast Plenae. Ouça e reconecte-se. 

[trilha sonora] 
 

Gustavo Ziller: Eu desmaiei um dia no meio do trânsito, em 2012. Eu não lembro direito o que aconteceu, mas sei o que me contaram. Eu tava num evento chamado Social Media Week, em São Paulo, falando sobre o futuro das redes sociais. Aí eu saí desse evento, que foi no Morumbi, peguei meu carro, atravessei a ponte Cidade Jardim e em cima da ponte comecei a dirigir meio em ziguezague.

Quando eu fui entrar numa ruazinha à direita
para pegar a Avenida Faria Lima, eu apaguei. O João, o taxista que estava dirigindo atrás de mim, disse que eu comecei a diminuir a velocidade até parar no meio da rua. Ele estacionou o meu carro e me levou para o hospital.
 
 

[trilha sonora]
 
Eu acordei num quarto com vários médicos ao redor. Descobri que meus exames estavam alterados. Aos 36 anos, eu tinha colesterol alto, triglicérides alto, pressão alta e pré-diabetes. Tava pesando 112 quilos. Não foi exatamente uma surpresa, claro, porque eu sabia que o meu estilo de vida não estava legal. Mas, de alguma maneira, aquele apagão, cara, foi um choque, porque você nunca acha que vai acontecer com você. Até que acontece.  

[trilha sonora] 

Fazia três anos e pouco que eu tinha mudado de Belo Horizonte pra São Paulo. Eu era sócio de uma empresa de produção de conteúdo com clientes gigantes. Eu tinha uma rotina repetitiva, e a minha função era basicamente resolver pepino. Eu tenho muita facilidade para desenrolar coisas encalacradas. E quando você vira um polo de solução de problemas para as pessoas, elas te demandam pra tudo. 
 

Eu lembro direitinho que eu dormia cansado, sentindo muito desânimo, e acordava exausto. Não tinha nenhum hobby. Não fazia exercício. Não tinha tempo de qualidade com os meus três filhos. Por outro lado, eu fazia muito dinheiro e proporcionava um padrão de vida altíssimo para minha família. Então, de alguma maneira, eu achava que estava valendo o sacrifício. Nessa cilada eu não caio mais. 
 

[trilha sonora] 
 

Era uma fase em que eu acreditava no sonho da meritocracia. Achava que se eu trabalhasse duro, dormisse pouco e acordasse antes dos outros, ia construir um império. O mercado profissional vende um discurso que, na verdade, funciona para uma minoria. Pouquíssimas pessoas vão conseguir ficar milionárias seguindo essa fórmula. Menos pessoas ainda vão ficar bilionárias. A maioria só vai ficar doente. 

[trilha sonora] 

Os médicos no hospital disseram que eu estava com Burnout, uma síndrome causada por excesso de trabalho, e que era pouco conhecida naquela época. O neurologista falou que o remédio era eu me afastar da empresa e tirar uns 30 ou 40 dias para pensar na vida. Foi um período em que eu fiquei meio desorientado profissionalmente, vamos colocar dessa forma, mas algumas coisas foram voltando pro eixo.

Eu passei a buscar e levar as crianças na escola. Voltei a ter tempo de qualidade com a Patrícia, minha
companheira, e fiquei refletindo sobre os próximos passos. Conversei com vários amigos, e um deles, o Caio Vilela, um super fotógrafo, me falou: “Cara, você tem que fazer uma coisa que você nunca fez para buscar novas referências”. E ele me sugeriu ir pro Nepal.
 

[trilha sonora] 

O Nepal fica na encosta do Himalaia e, por isso, seu maior atrativo é essa cadeia de montanhas. Eu fiz escalada quando prestei o serviço militar. Mas, desde então, não tinha tido mais nenhum contato com esse universo. Eu precisava, no mínimo, melhorar o meu condicionamento físico pra encarar um trekking na altitude.  Eu treinei firme por alguns meses, e essa disciplina foi me ajudando a restabelecer o bem-estar e a organizar as ideias.

No dia 9 de abril do ano seguinte, eu embarquei
pro Nepal. Fiz sozinho um trekking até o campo base de uma montanha chamada Annapurna. Foram 35 dias de muita reflexão sobre a minha saúde, o meu trabalho, o meu relacionamento e a paternidade. Eu tinha pensamentos que flutuavam na minha cabeça como se fossem uma constelação de planetas que precisava de alinhamento, sabe?
 

No Nepal, ficou claro que eu precisava mudar a minha vida radicalmente. Trabalhar menos não seria suficiente. Praticar exercício também não. O que mais me incomodava era perceber que a minha família fazia parte de um grupo minúsculo de pessoas que se dava bem em São Paulo porque tinha dinheiro, enquanto o resto todo se ferrava. Como a grana tava entrando, eu fui me deixando levar por esse modus operandi. E foi assim que eu me desconectei da minha essência. 
 

[trilha sonora] 

Pat e eu decidimos voltar a morar em Belo Horizonte. A essa altura, as nossas economias já tinham ido embora. O nosso padrão de vida não dava mais pra ser três carros na garagem, motorista e duas viagens internacionais por ano. Nós cinco fomos morar com a minha sogra num apartamento de dois quartos. A minha sogra dormia com uma das crianças no quarto dela. Eu, Pat e os outros dois ficamos no outro quarto.  

Depois do Annapurna, eu publiquei o livro "Escalando Sonhos", que es esgotado, na verdade, com fotos e reflexões sobre essa história que eu contei aqui. O processo de escrita foi muito legal, porque eu fui tendo outras ideias. E uma dessas ideias foi o roteiro de um programa de TV sobre um cara comum que decide escalar as montanhas mais altas de cada continente. É um roteiro clássico do montanhismo chamado Sete Cumes, que inclui a Antártida.  
 

O Canal Off topou a ideia, e eu consegui financiar 80% da primeira expedição. Aos 40 anos, eu subi o ponto mais alto da América do Sul, o Monte Aconcágua, um colosso de 6.961 metros de altitude. A partir da segunda escalada, que foi o Kilimanjaro, a montanha mais elevada na África, eu já não precisei mais tirar dinheiro do bolso. Em 2021, foi o ponto alto do projeto, literalmente alto, quando eu cheguei no topo do mundo, o Monte Everest.  
 

[trilha sonora] 

Depois disso, eu virei atleta profissional. É claro que eu não sou um atleta olímpico nem de performance. Sou atleta no sentido de alguém que ganha grana pelo esporte. Alguém que executa desafios e é reconhecido por isso. E para ser um atleta eu tive que adotar uma rotina que não caberia na agenda de uma pessoa comum.

O meu programa tem cinco pilares: cardio, força, mente, nutrição e fisiológico. O meu treinamento nutritivo
, por exemplo, não se resume a comer direito. Pelo contrário. Ele inclui às vezes comer em horários errados, porque na montanha a gente come quando é possível. Então, de 15 em 15 dias, eu faço jejum intermitente, por exemplo
 

O treinamento fisiológico caminha junto com nutritivo. A minha última refeição do dia é até às 7h30 da noite. Eu costumo dormir cedo e acordar cedo, mas de vez em quando passo uma noite em claro, pedalo de madrugada, por exemplo, ou saio à meia-noite para fazer um trekking. Na montanha muitas vezes a gente precisa seguir horários estranhos. 

Tem o lado mental também. Eu faço terapia e tenho um encontro mensal com um cara que eu admiro muito, que é o Fernando Gonçalves, meu treinador de cérebro. Sim, isso existe. Apesar de eu ser um cara extrovertido, eu tenho dificuldade de extravasar as minhas emoções, os meus medos. A minha melhor amiga é a minha companheira. Com a Patrícia eu converso bastante sobre temas mais profundos. Mas uma pessoa só é pouco, entende? Então, os terapeutas me ajudam a elaborar as minhas emoções. 

A parte física inclui os treinos de cardio e de força, seis vezes por semana, duas vezes por dia. Então, eu pedalo, escalo, corro, faço musculação, pilates e às vezes yoga. No dia de descanso, eu alongo.  

[trilha sonora] 

A mudança no estilo de vida causou um impacto profundo não só na minha saúde e no meu trabalho, mas nas minhas conexões familiares também. A minha filha mais velha, a Joana, é produtora executiva e trabalha comigo e com grandes artistas. A nossa relação es sendo construída de uma forma muito bonita.

A gente es
aprendendo a não exigir um do outro coisas que não fazem sentido e que podem direcionar para um esgotamento. Se eu trabalho num fim de semana, fico preocupado de não estar dando um bom exemplo pra Joana. Nós dois temos tendência de absorver muitas demandas.
Eu me curei no Burnout, mas sempre tomando cuidado pra não escorregar de novo.  
 

Já com a Iara, a do meio, eu me conecto muito pelo esporte. A escalada em si causa essa conexão, a começar pelo fato de que as pessoas ficam amarradas umas às outras numa corda. É um mecanismo de segurança porque, se alguém cai, os outros ajudam a segurar aquela pessoa. Todo mundo tem que muito atento a cada passo.

Na primeira vez que a Iara subiu uma montanha acima de 5 mil metros, foi nesse esquema. A gente es
tava na Bolívia. Um escalador boliviano mais experiente, que conhecia a montanha, foi na frente. A Iara no meio e eu, por último. Quando a gente chegou no topo, Iaia ajoelhou e começou a chorar de emoção.
 

Com o Mateus, o caçula, eu tive que buscar outro caminho. Quando ele completou 18 anos, a gente viajou junto
pro Alasca. Eu fiquei tão empolgado que fiz um roteiro com vários programas na natureza, coisas que eu gosto. Até que a Iara me perguntou: “Pai, você já perguntou pro Mateus se ele quer fazer isso tudo?
E quando a gente chegou no Alasca, o que ele mais me pediu foi pra ir ao museu e à biblioteca. Eu demorei pra perceber que o universo dele é outro, e eu continuo nesse aprendizado. A gente se conecta com os nossos filhos de formas diferentes, e eu aprendendo a me conectar com ele na forma dele, não na minha.  

[trilha sonora] 

No dia 9 de abril de 2023, fez exatamente dez anos que eu embarquei pro Nepal, em busca de algo que eu nem sabia o que era. Pois nesse mesmo dia nasceu a minha neta, Amora, filha da Jojo. E a chegada da Amora chacoalhou a minha vida. Ela é uma criança PCD, com uma condição cerebral raríssima que se chama lisencefalia. A gente ainda não sabe exatamente qual vai ser o impacto desse diagnóstico na vida dela. Mas eu resolvi fazer a minha parte pra poder ajudar o máximo que eu puder. Se ela precisar ser carregada pelo avô aos 15 anos de idade, eu vou ser esse avô. 

Eu parei de beber e voltei pra terapia pra ter mais lucidez nessa reviravolta. A minha cabeça funciona como a de um arquiteto que vê um espaço qualquer e já consegue imaginar a sala, o quarto, o banheiro, sabe como? Na minha mente, eu visualizo projetos que se conectam e formam uma estrutura maior lá na frente. Foi assim quando eu fiz o primeiro trekking no Nepal e, de lá, nasceu um livro e um programa de TV. Com a chegada da Amora, é a mesma coisa. Eu me preparo hoje pra com ela daqui a 10 anos.  

[trilha sonora] 

Nesse novo capítulo da minha biografia, os meus trekkings devem se concentrar no Brasil, para eu ficar mais pertinho dela. A essa altura da vida, eu já entendi que a gente não precisa escalar o Everest para sentir o que eu senti lá em cima. Eu tive a mesma sensação de plenitude quando abracei a Iara no topo da montanha na Bolívia. Senti a mesmíssima coisa quando visitei um museu com o Mateus, no Alasca.

Fui inundado pela mesma sensação ao pegar a Amora no colo pela primeira vez. E eu nem acho que os acontecimentos precisam ser tão grandiosos assim
pra gente alcançar a plenitude. Eu sinto paz, por exemplo, quando faço uma prova de bicicleta. Ou até mesmo quando  passando um cafézinho na cozinha lá de casa.
 

A gente desaprendendo a sentir. E parar de sentir é a última etapa antes da barbárie. Mas eu acredito que dá pra recuperar essa capacidade e retomar a sensação de plenitude no nosso dia a dia. É por isso que o meu novo desafio é um programa de TV chamado "Viver pra Valer". A gente entrevista pessoas inspiradoras e explora a sensação de que a vida realmente acontece quando a gente vive o nosso cotidiano intensamente. O topo do Everest está dentro de cada um de nós. 
 

[trilha sonora] 

Geyze
Diniz
: Nossas histórias não acabam por aqui. Confira mais dos nossos conteúdos em plenae.com e em nosso perfil no Instagram @portalplenae. 

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Para Inspirar

É possível “capturar” a felicidade?

Estamos sempre em busca de algo que já foi, em uma eterna sensação de “eu era feliz e não sabia”. Mas é possível captar a felicidade quando ela está em curso?

9 de Dezembro de 2020


Desde a sua incipiência, a humanidade corre em busca desse ideal etéreo que é a felicidade. Essa procura se manifestou de diversas formas ao longo da história e é bem resumida pela famosa frase da Declaração de Independência dos EUA: “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à procura da felicidade ”.

Porém, mesmo depois de tanto tempo, ainda temos alguns problemas que nos travam e paralisam em meio a essa jornada. Um deles parece simples, mas pode não ser: podemos perceber a felicidade no momento em que ela acontece? Ou estamos eternamente fadados à ideia de que “era feliz e não sabia”?

Você já sentiu que a felicidade mora somente no passado, em algo que lhe escapou?Para essa reflexão, faz-se necessária a definição de felicidade, o que já é um problema por si só por se tratar de uma emoção muito subjetiva. Para tanto, é preciso lançar mão de alguns parâmetros - como o conceito de bem-estar subjetivo , que explicamos nesta matéria e funciona como uma régua para cientistas. Também já contamos a relação que o fator propósito pode ter com a sua sensação de felicidade, aqui nesta matéria .

A alegria na fé

Ainda temos as religiões, que muitas vezes possuem um certo ideal de felicidade na base de seus dogmas. A história do Jardim do Éden e do Pecado Original é mundial e historicamente famosa. Deus criou Adão e Eva e colocou-os em seu Paraíso Perfeito, onde viviam felizes e plenos. Ao consumirem o fruto da Árvore do Conhecimento, ambos pecaram e, de acordo com os ensinamentos judaico-cristãos, macularam a humanidade com o pecado.

Ou seja, o primeiro casal de humanos vivia em felicidade de acordo com sua realidade. Ao serem expulsos do Éden (que em hebraico significa “prazer”), caíram em desgraça e deixaram-na escapar pelos dedos, condenando toda a humanidade. Para recuperá-la, a resposta oferecida pela Bíblia é simples: uma vida de adoração a Deus, evitando-se os pecados (e cumprindo as penitências de acordo), para que as recompensas sejam colhidas no pós-vida.

Sendo assim, já nesse cenário a felicidade não é sentida no momento, mas eventualmente, ao alcançar o Reino dos Céus, ou o retorno ao Paraíso de onde fomos expulsos.

O Budismo, por sua vez, tem um conceito mais terreno de felicidade . De acordo com Siddharta Gautama, o Buda, a felicidade virá a nós quando entendermos e superarmos as raízes de todo o sofrimento, e isso acontecerá se seguirmos o caminho do Dharma de iluminação espiritual.

Uma anedota budista conta que um homem disse ao Buda: “Eu quero felicidade!”, ao que O Iluminado respondeu: “primeiro remova o Eu, que é ego. Depois remova o Quero, que é desejo. O que sobra é felicidade”. Mundana e, principalmente, alcançável ainda em vida, a felicidade parece estar logo ali. Não como uma resposta para todas as mazelas sentidas pelo ser humano, mas sim como uma constante, atingida através do controle da nossa própria mente.

A ideia do desejo estar oposta ao ideal de felicidade não é exclusividade de religiões orientais. Em seu TED Talk, o professor Clóvis de Barros Filho diz que nossos desejos são oriundos da falta. Não importa se de bens materiais ou de realização pessoal, duas coisas comumente associadas à felicidade, a falta leva a uma sensação de incompletude e de que, para utilizar de outra frase clichê sobre o assunto, “o melhor ainda está por vir”.

Para Clóvis, a felicidade existe quando vivemos um momento que queremos repetir posteriormente. De acordo com o professor, cada instante é mágico, único e deve ser aproveitado como tal. Se a experiência que passamos é algo que nos marca de maneira positiva, deixando gostinho de “quero mais”, ali fomos felizes.

Essa vontade de repetir seria, então, uma percepção inconsciente da felicidade que sentimos, mas não deixa de ser uma percepção. A felicidade pode, assim, ser sentida quando floresce dentro de nós e, de alguma forma, sabemos disso. Não devemos deixá-la para o “quando”: “quando eu conseguir”, “quando eu fizer”, “quando eu tiver”... Isso coloca muita responsabilidade no futuro e transforma os momentos atuais em “pedágios” que pagamos nesse percurso que, como eventualmente descobrimos, nunca acaba, gerando um ciclo de insatisfação eterna.


A percepção da ciência

Diante das respostas da religião e da filosofia, a ciência também tem algo a dizer acerca do tema. Afinal, se a felicidade é sentida pelo cérebro, ela também pode ser produzida por ele? A resposta bioquímica leva pelos caminhos dos neurotransmissores como dopamina, endorfina e serotonina , responsáveis pelas reações de recompensa e prazer, também muito associadas à felicidade.

Cientificamente, portanto, é possível sentir a felicidade em nós. Quando devidamente estimulada, a máquina cerebral recebe uma descarga de substâncias que provocam a sensação de felicidade. O problema aí é outro: ela é duradoura? Ou só enquanto dura a ação dos neurotransmissores?

A doutora em neurociência Cláudia Feitosa-Santana diz que o ideal não é focar na felicidade em si, mas sim numa vida feliz . Por mais que isso deixe parecer que não é possível sentir a felicidade no momento em que ela ocorre, é o contrário.

Segundo Cláudia, não devemos tentar emendar uma sequência de acontecimentos felizes pois isso só levaria à frustração. Através de características como a resiliência , devemos trabalhar em cima dessas sensações na construção de uma felicidade duradoura, sentida pelo nosso cérebro em sua plenitude na forma de um bem-estar constante.

O psicólogo norte-americano Daniel Gilbert da Universidade de Harvard, autor do livro Stumbling on Happiness , diz que alguns fatores devem ser levados em conta, como a nossa imaginação. Gilbert pontua que nosso ideal de felicidade é ligado à obtenção daquilo que seja nosso objeto de desejo, mas que isso nem sempre é a felicidade real que sentimos. Essa, por sua vez, estaria mais relacionada à capacidade do cérebro de sintetizá-la.

A imaginação pode nos prejudicar nesse aspecto , pois ela cria cenários irreais onde as coisas podem dar certo ou errado, mas, ainda assim, por serem imaginados, eles apresentarão características que não conseguimos discernir das reais. Isso pode atravancar a nossa percepção da felicidade no momento quando ela acontece, pois estamos presos à uma visão tão imaginativa quanto imaginária.

É a nossa imaginação que nubla as visões que temos do passado. O tempo é ardiloso, fazendo com que enxerguemos só as coisas boas do que ficou pra trás. Essa ilusão, carregada de nostalgia, deve, portanto, ser desconstruída.

Não importa o caminho escolhido, mas sim aproveitar os momentos únicos que vivemos e que fazem o cérebro formigar com aquela sensação gostosa de ser feliz. Quando sabemos que estamos sendo felizes, todo o resto vira consequência. E você, já sentiu a sua felicidade hoje?

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