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Desmistificando conceitos: o que é a intolerância religiosa?

A discriminação que escolhe focar nas crenças religiosas de outras pessoas pode se manifestar de diversas maneiras e segue violentando pessoas mundo afora

16 de Agosto de 2024


A décima sexta temporada do Podcast Plenae está no ar e abriu com chave de ouro: o primeiro episódio fala sobre os caminhos que levaram o pai Denisson e mãe Kelly a se tornarem umbandistas. Representando o pilar Espírito, o casal nos emociona ao relembrar os primeiros contatos com a fé e como hoje ela é o tema central de suas vidas e seus propósitos. 

Foi pensando nesse relato que resolvemos desmistificar mais um conceito: a intolerância religiosa. Apesar de se tratar de um termo geral, que não foca a opressão a um credo específico, sabemos que as religiões de matriz africana são as que sofrem mais. 

Segundo levantamento da startup JusRacial, em 2023 havia 176 mil processos por racismo em tramitação nos tribunais do país, e um terço deles (33%) envolviam intolerância religiosa. No Supremo Tribunal Federal (STF), a proporção de casos de intolerância religiosa entre os processos por racismo é ainda maior: 43%, como conta o Brasil de Fato

A seguir, te contaremos mais sobre o assunto, que é triste, mas muito importante de ser estudado para poder então ser combatido. 

A origem do termo


A intolerância religiosa é toda discriminação que ocorre tendo a crença do outro como foco. É sempre tarefa difícil cravar a origem de um termo, ainda mais quando se trata de um que diz respeito a uma violência institucionalizada. No caso da intolerância religiosa, suas raízes são complexas e entrelaçadas com questões históricas, socioculturais, políticas e econômicas. 

Sabemos que nas antigas sociedades politeístas, as diferenças entre cultos e práticas religiosas podiam levar a tensões e conflitos, apesar de haver sim um nível de sincretismo e coexistência entre elas. Mas o monoteísmo foi ganhando força, e religiões como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, ganharam espaço e foram trazendo uma mudança significativa. Com isso, a crença em um único deus muitas vezes vinha acompanhada de rejeição ativa e confronto com outras religiões.

A posterior expansão do Império Romano e a consequente adoção do cristianismo como religião oficial intensificou a perseguição das religiões pagãs e outros sistemas de crença. As conquistas islâmicas e as cruzadas cristãs durante a Idade Média são a prova de como a religião, política e guerra vivem de mãos dadas, em uma clara manifestação de intolerância religiosa nos idos da história.

Para se ter uma ideia, no século XVI, a Reforma Protestante desencadeou conflitos religiosos homéricos na Europa, culminando em guerras e perseguições entre católicos e protestantes. A resposta da Igreja Católica foi adotar medidas severas contra aqueles que se desviavam, em mais um episódio de intolerância.

Neste artigo da revista Galileu, algumas hipóteses para sua origem são levantadas com base em indícios. Para se ter uma ideia, há indícios dessa violência que datam de mais de 400 anos atrás. O Laboratório de História das Experiências Religiosas da UFRJ, liderado pelo historiador André Chevitarese, busca entender, a partir de pesquisas, as raízes da intolerância religiosa, que remonta há séculos. 

Ele não é o único brasileiro interessado no assunto. A historiadora Vanicleia Silva-Santos, curadora associada da Coleção de Arte Africana do Penn Museum, da Universidade da Pensilvânia (EUA), e orientadora de mestrado e doutorado em História na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também tem se dedicado ao tema. 

Ela é pesquisadora em História da África e suas diásporas e escreveu o livro “Marfim Africano como Insígnia de Poder”, onde encontrou 40 mil processos nos tribunais da Inquisição em Portugal entre 1636 até 1822, com acusações contra judeus, além de muçulmanos de Portugal, da África e do Brasil que realizavam cultos contrários à Igreja Católica, como conta a Galileu. 

Sua pesquisa também mostrou que o sincretismo religioso dos escravos brasileiros que nada mais é do que “a reunião de doutrinas diferentes com a manutenção de traços perceptíveis das doutrinas originais”, foi alvo de muita violência, apesar de com frequência ter sido retratado de forma romântica. 

Um exemplo trazido pelo artigo é de quando os padres contaram aos negros a história de que o Santo Antônio conversou com um morto para inocentar seu pai acusado de matar o homem. Para os escravizados que ouviram, havia uma relação clara com os orixás, pois esse santo, afinal, poderia se comunicar com o outro mundo. Muitos deles foram presos ou mortos quando a Igreja descobriu que utilizavam a imagem cristã em suas cerimônias. 

Na segunda metade do século passado, em um passado não tão distante, o pentecostalismo ganhou força no país ao passo que as religiões de matriz africana se tornaram “inimigas”. Exu, como já era de se esperar e como explicamos por aqui, era o maior dos vilões, com frequência comparado ao diabo. 

“No catolicismo, o diabo é sempre vencido. Mas os evangélicos dão muita atenção ao diabo: todo mal que acontece eles acham que é obra dele. Ninguém é pecador, mas sim vítima do diabo. E esse diabo não é genérico, etéreo, distante, como é para os católicos; é um diabo que pode ser visto na sua frente, nas entidades da Umbanda e do Candomblé”, comentou à Galileu o sociólogo Reginaldo Prandi, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e autor de mais de 30 livros, Reginaldo Prandi.

A intolerância religiosa nos dias de hoje


No Brasil, há uma lei que literalmente proíbe esse tipo de discriminação. Eis o que diz o artigo 1º da Lei 9.459, de 13 de maio de 1997: “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.” A punição para quem executar, induzir ou incitar essas práticas passou a ser, desde janeiro de 2023 pela lei 4.532, de até 5 anos de prisão, além de multa. Isso porque injúria racial, racismo e liberdade religiosa foram equiparadas e, para este tipo de crime, não cabe mais fiança e é imprescritível.

Infelizmente, o endurecimento da lei não impede que esses crimes aconteçam. O Brasil registrou 2.124 violações de direitos humanos relacionadas à intolerância religiosa durante todo o ano de 2023, como divulgou artigo do Governo Federal. O número, compilado pelo Disque 100 – Disque Direitos Humanos - indica um aumento de 80% na comparação com o ano anterior, quando foram registradas 1.184 violações provenientes de diversas regiões do Brasil. 

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia chamam atenção pela recorrência nos casos e as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, são as mais afetadas, mesmo estando entre as cinco mais seguidas no Brasil, com mais de um milhão de adeptos. De acordo com o IBGE, os católicos praticantes são maioria: cerca de 123 milhões de fiéis. Em seguida estão os evangélicos, com 113 milhões.

"Esses dados são alarmantes. Cada vez mais a população tem compreendido que cenários, situação onde há violência, agressão em razão da religiosidade da pessoa se trata, sim, de uma violação de direitos humanos", destaca o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira, ao Fantástico.

Para enfrentar a intolerância religiosa e garantir a laicidade brasileira, o governo criou uma Coordenação de Promoção à Liberdade Religiosa, liderada por uma Ialorixá Mãe Gilda de Oxum. "Esse é o ponto fundamental da discussão, que é a promoção da tolerância e a garantia da diversidade religiosa no Brasil", completa Teixeira ao programa.

Na prática


São várias as possíveis formas de ataque. As diferentes crenças religiosas frequentemente se associam a diferentes identidades culturais e sociais, então para proteger uma identidade religiosa, o indivíduo pode excluir ou rejeitar outras. A violência é quase sempre movida por ignorância ou desconhecimento, fatores que a educação e o contato intercultural poderiam reduzir.

A pessoa que sofre intolerância religiosa pode ainda:

  • Receber um tratamento desfavorável em contextos como emprego, educação ou serviços

  • Ser vítima de agressões, insultos ou ameaças, além de ter seus locais de culto vandalizados

  • Ser forçada por outras pessoas a aderir a uma determinada religião ou a abandonar suas próprias crenças

  • Ser estigmatizado ou marginalizado por crer em algo.

O incentivo para mitigar essa discriminação poderia partir das próprias instituições religiosas e seus líderes, que muitas vezes desempenham um papel crucial na formação das atitudes da sociedade e poderiam fomentar a coexistência. Ainda sobre o tema, vale lembrar que governos e regimes muitas vezes usam a religião para consolidar o poder e justificar a perseguição de oponentes. 

Existem ainda motivos mais profundos, como em alguns casos cuja perseguição religiosa está ligada a interesses econômicos, como a expropriação de terras ou recursos de grupos religiosos minoritários. A globalização também trouxe consigo um maior contato entre diferentes culturas e religiões, o que pode tanto promover o diálogo quanto intensificar a intolerância, a depender de cada grupo. 

Por fim, a necessidade de pertencimento a um grupo religioso pode levar à exclusão daqueles que são percebidos como diferentes. E é aí que o seu entorno se faz importante: uma boa base familiar, além de referências positivas, podem sanar esse desejo de fazer parte sem que seja necessário excluir o outro. No final do dia, é sobre estarmos todos juntos almejando o bem comum, apenas acreditando em caminhos diferentes para alcançá-lo, mas respeitando todas as sugestões.

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Superando a lacuna da complexidade - Autoconsciência em tempos turbulentos

O mundo está ficando cada vez mais complexo. Vivemos a era do volátil, incerto, complexo e ambíguo.

24 de Abril de 2018


Selecionar Sean como um dos palestrantes deste evento foi uma das primeiras escolhas: um grande estudioso neste campo de pesquisa, ele é das pessoas que mais entende como interpretar a complexidade da nova realidade e transformá-la em sentido interno. Sean é um apaixonado por integração entre mente, coração, corpo e pessoas e dividiu essa paixão conosco.

APERTEM OS CINTOS, O SÉCULO 21 SERÁ UMA JORNADA E TANTO

O mundo está ficando cada vez mais complexo. Vivemos a era do volátil, incerto, complexo e ambíguo. Estes adjetivos nos fazem conviver com inúmeras incertezas e mudanças. Enfrentamos um mundo turbulento, louco, rápido, disruptivo, intenso e dinâmico que nos deixa diante de uma grande lacuna e não sabemos com quais valores, atitudes, sentimentos e soluções preenchê-la. Vemo-nos, hoje, diante desta lacuna cheia de complexidade entre as demandas que recebemos e nossa capacidade de responder a elas.

Essa turbulência impacta grandemente três aspectos de nossas vidas: nossos sistemas, com as coisas acontecendo cada vez mais rápido e interconectadas. Nossas relações, com comunidades, países e relacionamentos pessoais passando por um grande conflito de ideias. Vivemos globalmente uma briga entre o tradicional e o novo, um conflito que causa muito sofrimento, pois bate de frente com valores e costumes. E por fim, nossa alienação individual: nós, como indivíduos, estamos mais ansiosos, deprimidos, bravos e emocionalmente confusos do que nunca.

É HORA DE ATUALIZAR NOSSO SISTEMA OPERACIONAL

Por que esta complexidade global está nos fazendo tanto mal? Segundo Sean, porque estamos encarando ela do jeito errado. Temos que parar de tratar a complexidade como algo a ser enfrentado ou resolvido. Temos que nos adaptar e evoluir para viver dentro dela. Afinal, aí vai uma notícia: ela é nossa nova realidade. E para viver bem com ela, é necessário integrar nossos corações e mentes. Precisamos nos transformar em pessoas diferentes. Precisamos amadurecer nossas capacidades. Isso começa com um trabalho em nossos sistemas de pensamento.

NORMALMENTE, PENSAMOS DE TRÊS MANEIRAS:

Pensamento linear: o famoso pensar em preto e branco, ou é ou não é. Essa forma de raciocínio é boa para resolver problemas simples, que exigem apenas uma solução viável. Mas é muito simples para encarar a complexidade atual.


Pensamento de sistemas próprios: essa forma de pensamento trabalha com um sistema completo, com diferentes polaridades e leva em consideração mais de um contexto. Ela compara, estuda e traz algumas soluções viáveis. Porém, este pensamento trabalha com um sistema por vez e também não é suficiente para nossa nova realidade. Pensamento de sistemas avançados: sobra-nos a terceira forma de pensar, que ainda precisamos desenvolver melhor.

Ela relaciona sistemas inteiros de interações, soluções, polaridades e contextos, identificando links uns com os outros, para a resolução de problemas. Essa forma de pensamento resolve não apenas sistemas complicados, mas sim complexos, propondo diversas soluções viáveis. Porém, precisamos ir para além disso. Existe ainda um outro tipo de pensamento, um mais complexo e amplo: o pensamento integrado.

Esta forma de pensar lida com múltiplos sistemas abstratos, cenários caóticos, propõe soluções adaptáveis e sintetiza opções, oferecendo como resultado incontáveis soluções viáveis para diferentes contextos. Quanto mais complexo o tipo de pensamento, mais integrada é nossa relação entre coração, mente e corpo e mais completa é a combinação ainda tão departamentalizada por nós entre conhecimento analítico e artístico.

ONDE FICA O BOTÃO? MAIS PRÓXIMO DO QUE IMAGINAMOS

Mas como fazer isso? Como evoluir nossa maneira de pensar e alcançar tal capacidade de resolver a complexidade premente neste mundo? Na realidade, é menos complexo do que parece. Podemos fazer isso seguindo dois caminhos.

1. O CAMINHO DA AUTOINVESTIGAÇÃO.

É preciso se tornar íntimo de si mesmo. Isso pode ser alcançado com trabalhos terapêuticos, somáticos e espirituais. Até mesmo coisas pequenas como escrever um diário podem ser imensamente úteis neste caminho. Basta ser perseverante e sincero, lembrando que uma parte importante da autoinvestigação é basicamente olhar para aspectos internos que ninguém mais olha (e nem gostaríamos que olhassem) em nós e dedicar um tempo para entender essas dinâmicas.

Entretanto, se quisermos escolher um dos caminhos para a autoinvestigação mais pesquisados hoje pela ciência e mais recomendados por Sean, devemos eleger a meditação. É uma técnica gratuita, fácil de aprender, rápida, que não exige o uso de ferramenta alguma e não traz efeitos colaterais negativos.

A meditação existe há milhares de anos, com diversas abordagens, estilos e técnicas. Existem mais de 3.000 estudos científicos que identificam mais de 100 efeitos positivos da meditação para a nossa vida. Entre eles, estão benefícios físicos, como melhora no sistema imunológico, níveis de energia, respiração e batimento cardíaco; diminuição da pressão sanguínea, problemas cardíacos e cerebrais e de doenças inflamatórias como asma; aumento na longevidade, amenização de sintomas relacionados à menstruação e menopausa e prevenção de artrite, fibromialgia e HIV.

Além deles, vêm benefícios emocionais como diminuição de níveis de ansiedade, preocupação, impulsividade, estresse, medo, solidão e depressão; aumento na autoestima e autoaceitação, otimismo, relaxamento e atenção; melhora na resiliência e resistência à dor, humor e inteligência emocional e por fim auxílio no controle de hábitos alimentares e vícios relacionados a fatores emocionais, além do desenvolvimento de conexões sociais positivas.

Além disso, tem também a lista dos benefícios mentais, como aumento no foco e atenção ajudando a ignorar distrações; melhora na retenção de memórias, em habilidades cognitivas, no processamento de informações, tomadas de decisões e resoluções de problemas, além de auxílio no tratamento de distúrbios de atenção.

Por fim, podemos listar os benefícios espirituais, que incluem melhora na sensação de paz, possibilidade de uma conexão com um propósito maior, fortalecimento de relações e compaixão com o outro, acesso a sensações de alegria e estado de graça, dissolução das diferenças entre mente, corpo e ego, possibilidade de alcançar estados de transcendência, auxílio na prática da atenção plena e aumento na capacidade de manter a mente quieta.

Vale salientar que todas essas listas foram tiradas de pesquisas científicas que se basearam em uma rotina de apenas 20 minutos por dia meditando. É de se pensar como cada um desses “efeitos colaterais” aumenta nossa autointimidade. Apenas com o desenvolvimento desta capacidade que já existe em nós de compreender a plenitude de nosso corpo, mente e espírito já fica mais fácil lidar com a complexidade que encontramos no mundo e em nossas vidas.

2. O CAMINHO DA INVESTIGAÇÃO DO OUTRO.

Mas tem também um outro caminho para evoluir nossa capacidade e preencher a lacuna da complexidade. É justamente a intimidade com os outros: trata-se de explorar os pontos de vista de outras pessoas, conhecê-las, entender suas motivações, analisar porque pensam da maneira como pensam, criando a compreensão.

Podemos fazer isso colocando as coisas em perspectiva – ou seja, olhando para uma situação sob muitos pontos de vista. É simples, não requer nada de nós, além de uma boa imaginação. É até interessante se colocar no lugar de outra pessoa e imaginar como ela raciocina. Mas existe ainda uma outra maneira de investigar o outro, um pouco mais complexa e por isso mesmo mais rica: procurar novas perspectivas.

Mais que imaginar o que as pessoas pensam, o segredo é ir até elas e perguntar. Também é importante ouvir a resposta de coração aberto, pronto para tentar entender o que as faz pensar do jeito que pensam e agir do jeito que agem. Depois de analisadas as perspectivas, resta-nos fazer a última tarefa: coordenar estas perspectivas. Isso significa criar algo novo, trazer tudo o que foi aprendido nesta imersão na mente do outro e juntar isso tudo em uma ação.

Ao combinar a autoinvestigação com a investigação do outro, somos capazes de compreender e preencher as lacunas de uma maneira incrível. Cultivamos a habilidade de integrar: nós a nossos próprios sistemas e nós ao resto do mundo. E assim nos tornamos pessoas e sociedades mais conscientes, presentes. O mundo complexo precisa de nós.

Apenas nos permitindo uma maior intimidade com nosso eu e com todos os habitantes desta nova realidade é que seremos capazes de criar um mundo mais bonito do que nosso coração visualiza e nossa mente imagina.

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