Para escrever sobre uma mãe, é preciso fechar os olhos.
14 de Maio de 2023
Para escrever sobre uma mãe, é preciso fechar os olhos. Sentir os cheiros de águas que já correram. Se recolher e visitar o que há de mais íntimo em cada um de nós. Passear pelos cantos daquilo que te habita desde sempre. Mergulhar nesse sagrado feminino tão profundo e que, ao mesmo tempo, transborda para onde quer que se olhe.
Mãe é ponte para a vida e para outros universos. É casa independente da sua posição geográfica e suas coordenadas no mapa. / Mãe é mão que estende, que acarinha, que segura e que aponta com os dedos para onde ir. / Mãe também é olho que observa, que ri, que chora, que explica sem nada dizer, que procura no meio da multidão e então encontra. Mãe é braço, perna, coração.
Talvez a maior beleza dessa relação seja justamente suas múltiplas possibilidades. Maternar, afinal, é um ato genuíno tão potente que ultrapassa qualquer entendimento biológico. Mas engana-se quem pensa que se trata de um ato automático. É preciso construí-lo, todos os dias, um pouco mais, e as lições parecem infinitas.
Em uma dessas lições aprendidas enquanto a vida vai se desdobrando, uma mãe pode ter que aprender a se reconhecer novamente. Nessa simbiose de quem é ela e quem é seu filho, é comum perder-se em prol do outro, mas é necessário saber voltar para quem se é.
Nesse dia especial, não se esqueça de celebrar a mulher que há por trás da mãe. Lembre-se que só foi possível desempenhar esse papel hoje graças às suas antigas versões. Foram elas que te trouxeram até aqui para ser esse novo eu, construído e melhorado a cada dia.
Para Inspirar
Conheça a história do escritor que revolucionou a sua vida depois que o seu corpo o obrigou a parar e recalcular.
27 de Outubro de 2024
Leia a transcrição completa do episódio abaixo:
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Geyze Diniz: Após ter um apagão devido a rotina acelerada, Gustavo Ziller procurou se reconectar consigo mesmo e busca uma vida com mais qualidade. Virou atleta profissional e ao escalar várias montanhas, descobriu que não é necessário ir tão longe para ter a sensação de estar no topo do mundo. Eu sou Geyze Diniz e esse é o Podcast Plenae. Ouça e reconecte-se.
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Gustavo Ziller: Eu desmaiei um dia no meio do trânsito, em 2012. Eu não lembro direito o que aconteceu, mas sei o que me contaram. Eu tava num evento chamado Social Media Week, em São Paulo, falando sobre o futuro das redes sociais. Aí eu saí desse evento, que foi no Morumbi, peguei meu carro, atravessei a ponte Cidade Jardim e em cima da ponte comecei a dirigir meio em ziguezague.
Quando eu fui entrar numa ruazinha à direita para pegar a Avenida Faria Lima, eu apaguei. O João, o taxista que estava dirigindo atrás de mim, disse que eu comecei a diminuir a velocidade até parar no meio da rua. Ele estacionou o meu carro e me levou para o hospital.
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Eu lembro direitinho que eu dormia cansado, sentindo muito desânimo, e acordava exausto. Não tinha nenhum hobby. Não fazia exercício. Não tinha tempo de qualidade com os meus três filhos. Por outro lado, eu fazia muito dinheiro e proporcionava um padrão de vida altíssimo para minha família. Então, de alguma maneira, eu achava que estava valendo o sacrifício. Nessa cilada eu não caio mais.
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Era uma fase em que eu acreditava no sonho da meritocracia. Achava que se eu trabalhasse duro, dormisse pouco e acordasse antes dos outros, ia construir um império. O mercado profissional vende um discurso que, na verdade, funciona para uma minoria. Pouquíssimas pessoas vão conseguir ficar milionárias seguindo essa fórmula. Menos pessoas ainda vão ficar bilionárias. A maioria só vai ficar doente.
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No dia 9 de abril do ano seguinte, eu embarquei pro Nepal. Fiz sozinho um trekking até o campo base de uma montanha chamada Annapurna. Foram 35 dias de muita reflexão sobre a minha saúde, o meu trabalho, o meu relacionamento e a paternidade. Eu tinha pensamentos que flutuavam na minha cabeça como se fossem uma constelação de planetas que precisava de alinhamento, sabe?
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Depois do Annapurna, eu publiquei o livro "Escalando Sonhos", que está esgotado, na verdade, com fotos e reflexões sobre essa história que eu contei aqui. O processo de escrita foi muito legal, porque eu fui tendo outras ideias. E uma dessas ideias foi o roteiro de um programa de TV sobre um cara comum que decide escalar as montanhas mais altas de cada continente. É um roteiro clássico do montanhismo chamado Sete Cumes, que inclui a Antártida.
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Depois disso, eu virei atleta profissional. É claro que eu não sou um atleta olímpico nem de performance. Sou atleta no sentido de alguém que ganha grana pelo esporte. Alguém que executa desafios e é reconhecido por isso. E para ser um atleta eu tive que adotar uma rotina que não caberia na agenda de uma pessoa comum.
O meu programa tem cinco pilares: cardio, força, mente, nutrição e fisiológico. O meu treinamento nutritivo, por exemplo, não se resume a comer direito. Pelo contrário. Ele inclui às vezes comer em horários errados, porque na montanha a gente come quando é possível. Então, de 15 em 15 dias, eu faço jejum intermitente, por exemplo.
A parte física inclui os treinos de cardio e de força, seis vezes por semana, duas vezes por dia. Então, eu pedalo, escalo, corro, faço musculação, pilates e às vezes yoga. No dia de descanso, eu alongo.
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Na primeira vez que a Iara subiu uma montanha acima de 5 mil metros, foi nesse esquema. A gente estava na Bolívia. Um escalador boliviano mais experiente, que conhecia a montanha, foi na frente. A Iara no meio e eu, por último. Quando a gente chegou no topo, Iaia ajoelhou e começou a chorar de emoção.
Com o Mateus, o caçula, eu tive que buscar outro caminho. Quando ele completou 18 anos, a gente viajou junto pro Alasca. Eu fiquei tão empolgado que fiz um roteiro com vários programas na natureza, coisas que eu gosto. Até que a Iara me perguntou: “Pai, você já perguntou pro Mateus se ele quer fazer isso tudo?” E quando a gente chegou no Alasca, o que ele mais me pediu foi pra ir ao museu e à biblioteca. Eu demorei pra perceber que o universo dele é outro, e eu continuo nesse aprendizado. A gente se conecta com os nossos filhos de formas diferentes, e eu tô aprendendo a me conectar com ele na forma dele, não na minha.
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Nesse novo capítulo da minha biografia, os meus trekkings devem se concentrar no Brasil, para eu ficar mais pertinho dela. A essa altura da vida, eu já entendi que a gente não precisa escalar o Everest para sentir o que eu senti lá em cima. Eu tive a mesma sensação de plenitude quando abracei a Iara no topo da montanha na Bolívia. Senti a mesmíssima coisa quando visitei um museu com o Mateus, no Alasca.
Fui inundado pela mesma sensação ao pegar a Amora no colo pela primeira vez. E eu nem acho que os acontecimentos precisam ser tão grandiosos assim pra gente alcançar a plenitude. Eu sinto paz, por exemplo, quando faço uma prova de bicicleta. Ou até mesmo quando tô passando um cafézinho na cozinha lá de casa.
A gente tá desaprendendo a sentir. E parar de sentir é a última etapa antes da barbárie. Mas eu acredito que dá pra recuperar essa capacidade e retomar a sensação de plenitude no nosso dia a dia. É por isso que o meu novo desafio é um programa de TV chamado "Viver pra Valer". A gente entrevista pessoas inspiradoras e explora a sensação de que a vida realmente acontece quando a gente vive o nosso cotidiano intensamente. O topo do Everest está dentro de cada um de nós.
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Geyze Diniz: Nossas histórias não acabam por aqui. Confira mais dos nossos conteúdos em plenae.com e em nosso perfil no Instagram @portalplenae.
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