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Como funciona a imunidade?

Mecanismo natural do corpo humano, a imunidade se tornou assunto frequente e necessário em rodas de conversa. Entenda mais sobre o assunto.

27 de Janeiro de 2021


Em tempos de pandemia de covid-19, o vírus que já levou a vida de mais de 200 mil brasileiros e 2 milhões de pessoas no total do mundo, nunca estivemos tão de olho em nossa saúde. E quando falamos em doenças, sobretudo as virais, torna-se inevitável falarmos de imunidade!

Conversamos com a professora associada ao departamento de Imunologia da USP, Prof. Dr. Ana Paula Lepique, na intenção de voltarmos algumas casas: que tal entendermos de formas mais básicas o que é, como se dá e o que fazer para manter em alta a sua imunidade?

O que é?

Ela é um conjunto de respostas do organismo ao ambiente. Isso é verdade para uma série de coisas. No caso da imunidade, esse conjunto tem a ver com a nossa interação com outros organismos, que muitas vezes podem ser patogênicos, ou seja, podem causar doenças, mas também serem inofensivos.

O que faz?

A nossa imunidade estabelece e responde, com uma resposta agressiva ou não, a esses outros organismos. Às vezes o patógeno é mais inofensivo para o nosso organismo do que a própria resposta que nosso corpo dá, se ela for muito exacerbada. E às vezes já somos imunes ou possuímos tolerância à aquele patógeno específico.

Quais são as respostas do organismo?

Quando elas são visíveis, as respostas podem ser por exemplo uma febre em resposta a uma infecção. Mas, existem alimentos que consumimos todos os dias, ricos em bactérias, que não causam nenhuma reação no nosso corpo pois são contidos pela flora intestinal. Temos mais material genético de bactéria dentro de nós do que de matéria genética nossa, nós vivemos bem com ele e até precisamos que esse material exista.

Como educar o nosso organismo para receber bem o mundo exterior?

Interagindo com ele. É como a microbiota , que é “a soma de todos microrganismos que residem nos tecidos e fluidos humanos, composto principalmente de bactérias”. Essa interação com ela educa de fato nossa imunidade e faz com que nosso corpo ajude a definir o que é perigoso e o que não é o que vale a pena gastar energia para combater e o que não.

Como desenvolver a sua imunidade?

Com dicas bem semelhantes às que funcionam para qualquer outra função do seu corpo: boa alimentação, fazer exercícios e cuidar do sono. Interagir com o mundo exterior para educar o seu organismo também é muito importante.

O que faz bem para a imunidade?

Além das dicas anteriores, há fontes alimentícias específicas para estimular sua imunidade. Alimentos que possuem vitamina C são grandes clássicos nesse momento, como frutas cítricas e/ou vermelhas, vegetais verdes escuros, oleaginosas, tomate, grãos e comidas frescas em geral. Isso porque elas oferecem uma ação antioxidante para o seu corpo, que ajuda a evitar alterações metabólicas estressantes para seu organismo. “Trate a sua comida como seu remédio” e esqueça o exagero de tomar 1g de vitamina C.

O que faz mal?

Existem algumas coisas que são muito ruins para sua imunidade: ficar desnutrido, por exemplo, vai de fato gerar uma imunossupressão, ou seja, uma baixa nos seus mecanismos de defesa. Outra coisa importante nesse processo é se proteger de patógenos que atacam seus sistemas imunes, e isso pode variar de covid até casos mais severos, como o HIV. O Sarampo em crianças, por exemplo, destrói parte das células de memória que serviam para protegê-las de doenças que antes ela era imune. Pessoas em tratamento com drogas imunossupressoras, como quimioterapia ou radioterapia, combatem suas comorbidades diminuindo os sintomas por meio dessas medicações, mas limitando suas respostas imunes..

Quando ela está baixa, o que ocorre?

Consequentemente, suas células de defesa demoram mais a responder qualquer tipo de interação com o meio e com possíveis ameaças desse meio, que estão presentes diariamente em nossa vida. Algumas pessoas ainda apresentam maior suscetibilidade de ter infecções em determinados sítios, seja por uma questão anatômica ou genética. É o caso da Herpes, muito conhecida por ser um vírus latente que passa a maior parte do seu tempo inativo em nódulos do sistema nervoso. Mas, uma vez estressados, doentes ou somente descuidados, esse vírus volta e causa lesões externas. Há ainda quem tenha alta intercorrência de infecção urinária, intestinal e muitas outras.

Há como saber a potência da minha imunidade?

Existe o famoso teste do pezinho, feito no recém-nascido, para detectar se há um conjunto de características que podem gerar imunodeficiência, alterações genéticas que podem levar a pessoa a não responder muito bem a alguma doença. Já para adultos, é preciso  ir a um imuno geneticista clínico, que irá olhar os seus sintomas clínicos e pensar em alguns testes específicos que podem ser feitos para tentar identificar o que está acontecendo.

Pronto! Agora que você já sabe os caminhos necessários a serem percorridos para manter sua imunidade em dia, olha de colocar em prática. Não se esqueça de estar sempre atento ao seu corpo e seus movimentos. Ele é quem te dirá o quanto você deve se cuidar. Você já cuidou de si hoje?

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Afroempreendedorismo: conheça os números e nomes dessa empreitada

Seja por necessidade ou por ideal, os negros têm empreendido em larga escala e com fins múltiplos. E a boa notícia é que têm obtido sucesso.

16 de Setembro de 2022


Num cenário de crise econômica, com o aumento de dados como o desemprego e a inflação, cada vez mais brasileiros estão optando por se inserir no mercado através do empreendedorismo. Seja por necessidade, oportunidade ou até mesmo pela tentação de ser seu próprio chefe, os números do ramo têm crescido bastante nos últimos anos, com mais de 3,9 milhões de microempreendedores individuais (MEI) formalizados em 2021.

Sendo maioria entre a população brasileira, com 54%, negros e negras não poderiam ficar de fora dessa tendência.  Mesmo num contexto de desigualdade e preconceito, destaca-se uma nova tendência, o afroempreendedorismo: atividades com teor empreendedor realizadas por pessoas negras. 

É o caso de Adriana Barbosa, representante do pilar Contexto na nona temporada do Podcast Plenae. Ela que organiza, aliás, um dos principais eventos nessa área: a Feira Preta, o brechó que se tornou o maior evento de cultura negra da América Latina, impulsionado principalmente pelos motivos citados anteriormente.

Embora exista o conceito e o movimento do Black Money, assim chamado para designar o dinheiro que circula justamente entre a população negra da sociedade, seja em comércio ou em serviços em geral, o afroempreendedorismo é caracterizado por ser criado por negros, mas não destinado a eles apenas. É direcionado a todos aqueles que quiserem consumi-lo, tendo um público alvo mais etnicamente abrangente.

Números

Por aqui, esse tipo de ação e fenômeno ainda tem características muito específicas, mesmo sendo um mercado que move mais de 1 trilhão de reais por ano. De acordo com a pesquisa  Afroempreendedorismo Brasil, realizada pelo movimento Black Money, pela Inventivos e pela RS Stationz, mostrou que 40% dos adultos negros são empreendedores. 

A mesma pesquisa revelou as principais áreas de foco desses empreendedores. São elas, na ordem: saúde e estética (14,3%); e-commerce (10,4%); varejo (10,4%); marketing e publicidade (8,4%); consultoria e treinamentos (8,3%); ensino e educação (7,3%); alimentação (7%); mídia e comunicação (6,7%); financeiro, jurídico e serviços relacionados (5,6%); eventos (5,4%).

A pesquisa Empreendedorismo Negro no Brasil, que foi realizada pela PretaHub, da Feira Preta, em parceria com a Plano CDE e o JP Morgan, mostra que a maioria dos empreendedores negros têm até o ensino médio completo, e as regiões sudeste e nordeste são as que concentram a maior parte deles, com 40% e 31% respectivamente. Centro-oeste, norte e sul entram na fila com 12%, 11% e 6%, nessa ordem.

E foi para dar visibilidade para os afroempreendedores que Aldren Flores criou a +AFRO, startup que impulsiona empreendedores negros e pensada para ser uma “lista amarela” dos afroempreendedores. Quem está na linha de frente são as mulheres, representando 61,5% dos negócios, principalmente nos ramos de self-care, comunicação e alimentação - dado que não surpreende, como já contamos neste artigo sobre empreendedorismo feminino

Nessa toada surgiu o conceito de “afropaty”: mulheres negras que buscam mostrar um empoderamento mais focado a elas e não tanto às brancas, ocupando espaços, consumindo produtos luxuosos e propagando um estilo de vida muito relacionado às chamadas “patricinhas” que, no imaginário popular, ainda são majoritariamente brancas.

Inspiradas por cantoras internacionais como Rihanna (que, inclusive, lançou sua própria marca de cosméticos, a Fenty Beauty) e Beyoncé e brasileiras como Ludmilla e Iza, cada vez mais mulheres negras têm se aventurado no papel de ser uma digital influencer, uma it-girl que mostra às outras da mesma etnia que elas não estão proibidas de viver uma vida de luxo, conforto e até ostentação.

Isso, porém, passa longe de ser uma futilidade. É um negócio como qualquer outro, mas com essa característica de tentar mostrar uma realidade empoderadora para aquelas que, ao longo dos séculos, se restringiam a apenas sobreviver, tendo todo tipo de lazer negado. Segundo o Instituto Geledés, mulheres negras movimentam 704 bilhões de reais por ano no Brasil, mas a representatividade na publicidade, principalmente em produtos destinados às classes mais altas, ainda é muito baixa.

Tentando mudar essa realidade, surgiram expoentes como as cantoras Tasha e Tracie, a rapper MC Taya e a influencer Monique Berçot. E, se hoje existe uma conversa cada vez maior em torno da aceitação e valorização da autoestima da mulher negra, através da pele, cabelo e feições, é impossível deixar essas mulheres de fora.

Além de influencers, artistas e it-girls, existem também empresas afroempreendedoras que fabricam produtos de diferentes naturezas, ou não estão ligadas a produtos, mas sim, iniciativas. Alguns exemplos:

Malikafrica: da Bahia, a empresa é especializada na produção de acessórios, como colares e brincos, que buscam esse resgate às raízes.

Xeidiarte: a loja, que começou como uma página de ilustrações no Facebook, hoje vende produtos relacionados à moda como camisetas e vestidos, bem como acessórios diversos como quadros e agendas. Tem como valor a união entre negros e negras, bem como a valorização de marcas afroempreendedoras.

Fulelê: criada pela atriz Denise Aires, a marca é focada em produtos infantis como livros sensoriais e jogos. Busca, também, o contato com as raízes já desde cedo.

REAFRO: é a Rede Brasil Afroempreendedor, uma associação sem fins lucrativos que tem a missão de fortalecer o afroempreendedorismo por meio da educação empreendedora. O programa tem como propósito gerar apoio para que afroempreendedores e afroempreendedoras se desenvolvam, alcancem todo o potencial necessário e passem a ganhar ainda mais destaque no mercado, com iniciativas que contemplam mentorias e outros temas voltados ao Planejamento de Negócios.
Pretahub: é um Hub de criatividade, inventividade e tendências pretas. É o resultado de dezoito anos de atividades do Instituto Feira Preta no trabalho de mapeamento, capacitação técnica e criativa, aceleradora e incubadora do empreendedorismo negro no Brasil.
Clube da Preta: nasceu em 2015 e se trata de uma rede de produtores e prestadores de serviço afro-brasileiros. Funciona por meio de uma plataforma digital no modelo de assinatura que conecta clientes engajados em causas sociais a empreendedores de todo o país. A grande maioria dos produtos são feitos por nano e microempreendedores.
Coletivo Meninas Mahin: teve seu nascimento em 2016 com a primeira edição da FEIRA AFRO MENINAS MAHIN, que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo da mulher preta e contribuir no combate às desigualdades raciais.
Alfabantu: aplicativo voltado para o público infantil e que tem como proposta ajudar no processo de alfabetização das crianças através de jogos digitais além de enfatizar uma das contribuições africanas no falar brasileiro. 
Conta Black: comunidade financeira que se propõe a ampliar o acesso a serviços financeiros a todas as pessoas sem burocracia e educação financeira, por meio de ferramentas simples, para que o crédito não se torne um inimigo.
Diáspora.Black: uma rede de anfitriões e viajantes interessados em vivenciar e valorizar a cultura negra. Para quem quer se conectar com a memória afro, fortalecer identidades e fomentar engajamento. Dessa maneira, pretos e pretas estão cada vez mais buscando reverter um quadro de preconceito e discriminação que, infelizmente, ainda é a realidade da sociedade brasileira. O afroempreendedorismo veio para ficar e seguirá crescendo e realizando sonhos, provando que a reversão do quadro de um mercado focado em pessoas brancas para um mais inclusivo também pode ser gerar e circular muito dinheiro e ser extremamente lucrativo para todos os envolvidos.

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