Com tempo para amar

Assisti uma série cujo enredo abordava, em sua conclusão, o amor na maturidade

27 de Outubro de 2023


Assisti uma série cujo enredo abordava, em sua conclusão, o amor na maturidade. Logo em seguida, li um livro que, de forma sutil, também pincelou sobre o assunto. E que assunto! Tabu para muitos, o amor nessa fase da vida pode ser visto sob as mais diferentes óticas, mas todas elas dirão mais sobre quem está enxergando do que sobre quem está se amando.  

Se para alguns, apaixonar-se em idade avançada pode ser visto com receios, para outros, pode ser visto como um recomeço. Um novo fôlego, uma retomada, um horizonte de mil oportunidades. Para os que perderam outros amores, uma nova chance de se redescobrir, tão linda e cheia de possibilidades. As pesquisas não mentem: estamos vivendo mais. Nossa pergunta deve ser: o que faremos com todo esse tempo que ganhamos? 

Preenchê-lo de amor não me parece uma má opção. O mais nobre dos sentimentos não deveria ter prazo de validade. Não deveria ter, na realidade, nenhuma entrave mundana, pautada em preconceitos ou ideologias pessoais. Amar deveria ser sempre um verbo no imperativo, que existe e não somente resiste. Mais ainda, amar depois de trilhar tantos anos de caminhada deveria ser obrigatório.  

Em outubro, celebramos o mês da longevidade e destinamos nossos esforços a pensar sobre esse termo pelas vias científicas ou até mesmo financeiras. Mas esquecemos que a vida é feita do que é subjetivo, preenchida de momentos que não conseguimos metrificar ou transformar em dados. E o amor, afinal, não cabe em nenhuma caixinha. Viva sem temer o mais humano dos sentimentos! 

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Para Inspirar

Bem-vindo, Abilio Diniz, ao clube dos 80!

Fernanda Montenegro dividiu o palco com Abilio Diniz e, apenas com a leitura do prefácio de um de seus livros, foi capaz de emocionar e homenagear a vida de nosso anfitrião.

24 de Abril de 2018


Para encerrar dois dias de imensa celebração e aprendizado, convidamos uma pessoa que, para nós, traz um exemplo de coerência e integridade em tudo o que faz, em seus mais de 80 anos de vida. Fernanda Montenegro dividiu o palco com Abilio Diniz e, apenas com a leitura do prefácio de um de seus livros, foi capaz de emocionar e homenagear a vida de nosso anfitrião.

A palestra foi quase uma conversa entre os dois, que dividiram com todos os presentes suas ideias e sensações sobre o privilégio de adentrar o clube dos 80 anos de idade com plenitude e prazer.

SOMOS QUEM ESCOLHEMOS SER

Para a atriz Fernanda Montenegro, um elemento muito importante para uma vida mais feliz e longeva é o caminho da vocação. Nós recebemos uma herança genética e social de nossas famílias e dentro dela, somos capazes de criar nossa história. De fazer nossas escolhas dentro de cada batalha e chegar lá.

É possível transcender diferentes tipos de heranças e níveis sociais, construir um caminho até o outro lado e sobreviver. E isso tudo só é feito se tivermos uma vocação avassaladora e vivermos de acordo com ela.


Alguém pode até aparentar ter excelentes resultados econômicos, sociais e políticos em sua vida. Mas se ele ou ela não estiver dentro de sua real vocação, fracassou. Assim, devemos nos focar sempre na grande pergunta, que é: “Eu estou fazendo o que quero fazer?”, ou ainda “Eu estou realmente dentro daquilo para o qual eu me sinto destinado, dentro da minha vida, a ser?”.

Quando estamos cumprindo nossa vocação, encontramos o sucesso e a realização, junto à glória de ter amigos. Mudar de decênio é sempre assustador. O senso de finitude vem acompanhado de muitos questionamentos. O que será do resto de minha vida? Para iluminar esse ponto, Fernanda dividiu uma oração de João XXIII, que diz “viva cada dia e cada noite.

Ao acordar, se dormiu e acordou, agradeça. Se atravessou o dia e sobreviveu, agradeça. E novamente no outro dia, se acordar pela manhã, agradeça aquele dia”. Se pensarmos muito no que será nessa altura da vida, ficaremos deprimidos. E não adianta nada: melhor é pensar no que é, pensar em cada dia, vivido plenamente. Aos 80, não é mais hora de ficar pensando no futuro.

É hora de viver. E agradecer tudo o que a vida trouxe e tudo o que a vida evitou. Somos oficiantes na vida, que em si não deixa de ser um ato teatral, um encontro humano, coisa rara e cara no mundo eletrônico de hoje. Por fim, um pouco de contemplação e fé na vida fazem bem. É necessário agradecer e enfrentar cada dia com fé, porque cada segundo é pleno. E por enquanto, é essa a vida que nós conhecemos.

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