Para Inspirar

Aprender para viver bem

O que a humanidade alcançou em conjunto é extraordinário. O que nos traz à pergunta: dentro de um planeta com tantas espécies, como foi que nós, seres humanos, chegamos tão longe?

23 de Abril de 2018


A neurocientista brasileira, com trabalho reconhecido mundialmente, assumiu o palco para falar sobre o funcionamento do cérebro humano. Em uma palestra dinâmica, repleta de curiosidades e vídeos bacanas, Suzana usou a ciência para emocionar e nos fez terminar o dia com um sentimento bom sobre nosso papel como humanos na Terra e em nossas próprias vidas.

BIOLOGICAMENTE, O QUE NOS TORNA TÃO ESPECIAIS?


Nós, humanos, somos responsáveis pela criação de tantas e tantas coisas que até nos acostumamos com elas. Encaramos nossas conquistas aqui no planeta como se fossem parte natural dele. Raras vezes – ou nunca – paramos para ver que quase tudo que há ao nosso redor é resultado do trabalho da teimosa, criativa e inquieta espécie humana.

Paredes, fios elétricos, arquitetura, sistemas complexos, a própria linguagem. Basta olhar ao redor. O que a humanidade alcançou em conjunto é extraordinário. O que nos traz à pergunta: dentro de um planeta com tantas espécies, como foi que nós, seres humanos, chegamos tão longe? Se somos apenas primatas, mais um animal no mundo, como foi que, cientificamente falando, conquistamos essa capacidade?

Simplificar esse raciocínio é tentador. Queremos logo imaginar que foi só uma questão decidida pela evolução. Nós, humanos, somos o ápice da evolução no planeta e ponto. Mas, na realidade, a resposta é um pouco mais complexa – e maravilhosamente curiosa – que isso.


Por muito tempo, os cientistas imaginavam que nossa diferença em relação aos outros animais se devia a algumas capacidades que acreditávamos ser só nossas, como o conceito de grandezas numéricas, o reconhecimento de padrões abstratos, o uso de símbolos como linguagem, a utilização e criação de ferramentas, a empatia e a capacidade de mentir e ludibriar.

Só que quanto mais se começou a estudar todas essas propriedades, mais se descobriu que humanos não eram os únicos aqui na Terra a possuí-las. Algumas espécies de aves, outros primatas e até ratos também possuem algumas dessas habilidades que achávamos tão humanas.

Se não temos mais esta tal exclusividade, como foi então que chegamos aqui? Os últimos estudos sobre o assunto, que envolvem pesquisas mais aprofundadas sobre o cérebro, nos mostraram que não precisamos mais pensar em termos de exclusividade, mas sim começar a nos entender através do todo, ou da combinação de dois elementos: capacidade biológica e capacidade de aprendizado.

Nossa biologia, somada à nossa capacidade de aprender e transmitir conhecimento de maneira organizada foram os dois elementos que, combinados, nos ajudaram a chegar até aqui.

CAPACIDADE BIOLÓGICA E O QUE NOSSOS NEURÔNIOS TÊM A VER COM NOSSA COZINHA


Durante muitos anos, o consenso era de que espécies cujo cérebro tinham um tamanho parecido possuíam obrigatoriamente a mesma quantidade de neurônios entre si. Porém, fomos descobrindo que em espécies mais complexas, como os primatas, a evolução aconteceu de maneira tal que a quantidade de neurônios aumentou, enquanto o tamanho do cérebro se manteve o mesmo. Isso quer dizer que não era mais o tamanho do cérebro que ditava a evolução e sim sua capacidade.

Trocando em miúdos, o que biologicamente nos distingue de todos os outros animais é o número de neurônios que temos em nosso córtex cerebral – justamente a parte de cima do cérebro, que permite que a nossa vida seja muito mais que simplesmente detectar estímulos e responder a eles.

É ali que reside a capacidade do autoconhecimento, de olhar para nós mesmos, pensar no que queremos alcançar e no porquê queremos alcançar. Resolvido: nós, seres humanos, temos o maior número de neurônios dentre todas as espécies da natureza. Claro, isso ainda não responde a questão primordial: por que nós?

Algumas pesquisas com outros primatas nos ajudam a começar a esclarecer essa questão. O que se descobriu foi que durante os milhares de anos de evolução, os outros primatas não conseguiram alcançar um cérebro mais complexo simplesmente por uma questão física: eles chegaram ao limite do que um organismo consegue sustentar em termos de energia e metabolismo.

Resumindo bastante, manter bilhões de neurônios trabalhando gasta muita caloria! Só para dar um exemplo, para conseguir manter funcionando no máximo 53 bilhões de neurônios em um corpo franzino de 25 kg, um primata com um organismo construído para a alimentação com a qual ele se sustenta normalmente deveria passar 8 horas por dia comendo.

Para ter um corpo maior que 25 kg, esse primata teria que abrir mão de neurônios, ou então passar o dia comendo, o que tornaria a sobrevivência, digamos, um tanto quanto inviável. Ao que tudo indica, o que mudou nossa história evolutiva foi o desenvolvimento de um hábito aparentemente simples: começar a cozinhar os alimentos.

Afinal, cozinhar nada mais é que pré-digerir a comida, o que facilitou nossa apropriação de calorias ao longo dos milhares de anos – com isso, nos tornamos capazes de aproveitar mais calorias em menos tempo. Ou seja, não podemos menosprezar o papel da cozinha na definição da biologia da nossa espécie.

Esta mudança de paradigma nos levou à cultura da agricultura, à civilização com divisões de tarefas, ao mercado, à invenção da eletricidade... e aos dias de hoje, em que um simples lanchinho esquentado no micro-ondas pode garantir muito mais que as calorias de que precisamos para sobreviver. Mas isso é assunto para outra conversa.

CAPACIDADE DE APRENDIZADO E O PODER DE NUNCA DEIXAR DE ABSORVER COISAS NOVAS


Agora que entendemos um pouco mais sobre nosso cérebro, fica mais fácil entender que de fato a biologia nos tornou diferentes. Mas vai além disso. Nosso cérebro, biologicamente, é o mesmo há milhares de anos. Como foi que conseguimos evoluir da carne assada na fogueira para os grandes avanços tecnológicos que vivemos hoje?

Graças à nossa capacidade de organizar processos e sistematizar o conhecimento. De desenvolver nossas próprias capacidades e transformá-las em habilidades. E esse crescimento vem acontecendo de forma exponencial, já que mais tecnologia nos dá mais tempo disponível para pensar em mais tecnologias – e assim sucessivamente, como um ciclo.

Dessa maneira, conseguimos cada vez mais nos dedicar à nossa capacidade de aprendizado, investigando sistematicamente nosso mundo, aplicando as tecnologias que criamos e passando tudo isso adiante. Nosso cérebro é muito mais que um córtex avantajado repleto de neurônios: temos, sim, essa facilidade biológica, mas temos também o poder de esculpir os neurônios que recebemos.

Quando nascemos, chegamos ao mundo com um excesso de sinapses. Somos como um bloco de mármore apto para quase tudo, mas bom para quase nada. E é com o aprendizado que vamos esculpindo esse bloco. Com o tempo, nosso cérebro mantém as conexões e neurônios que funcionam e arranca fora as conexões que não interessam.

O aprendizado nada mais é que esse processo de conexões mantidas e conexões removidas. E é a maneira como esculpimos nossos “blocos de mármore” que faz de cada um de nós indivíduos únicos. Durante toda a vida aprendemos, num eterno sistema de tentativa e erro. E nosso cérebro tem um mecanismo feito para isso: quando uma tentativa dá certo, ele nos premia com a sensação de prazer.

A partir dela, o caminho que fizemos para acertar é fortalecido e se torna cada vez mais fácil chegar nele novamente, neurologicamente falando. O fascinante é que esse sistema não funciona só quando somos bebês pequeninos aprendendo como funciona a vida. Funciona a vida inteira, o tempo todo, para tudo o que aprendemos, das tarefas mais simples às equações mais complexas.

Para aprender, é preciso ter a oportunidade de aprender. Essas oportunidades podem ser recebidas dos outros (como de pais e amigos que nos incentivam, por exemplo) ou dadas a nós mesmos. Este último caminho acontece somente quando nos damos conta do que realmente queremos para nós e nos permitimos conhecer as alternativas que a vida oferece para que sigamos aprendendo.

Depois de adultos, nossa capacidade de aprender está em nossas mãos. E vai além do aprendizado das ciências exatas ou humanas, de banco de escola. Tudo pode nos ensinar. Uma experiência, seja ela boa ou ruim, é um imenso aprendizado. O que nós fazemos com ele é que nos vai ajudar a continuar evoluindo, como pessoas, como espécie. O que faz nossa vantagem sobre as outras espécies na Terra realmente valer a pena é o poder de sermos capazes de mudar nossa vida para melhor.

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Para Inspirar

Fernando Korkes em "Do outro lado da mesa"

Conheça a história de um médico que descobriu seu propósito depois de uma experiência familiar, na décima quarta temporada do Podcast Plenae.

19 de Novembro de 2023



Leia a transcrição completa do episódio abaixo:

[trilha sonora]
 

Fernando
Korkes:
Muitos médicos são treinados somente para avaliar o que é possível fazer pelo paciente e não o que faz sentido fazer. Isso ficou muito claro pra mim, quando a minha mãe foi diagnosticada com câncer. Eu sou urologista especializado em oncologia. Viver na pele o papel de filho de uma pessoa com câncer mudou a minha maneira de encarar o tratamento da doença.  

[trilha sonora]
 

Geyze
Diniz:
Fernando Korkes está acostumado a lidar com o câncer. É o dia a dia dele como oncologista. Mas, quando a sua mãe foi diagnosticada com um tipo raro de melanoma, ele se viu em outra posição. Em vez de médico, Fernando passou a ser acompanhante de paciente. Essa nova perspectiva impactou não só a vida dele, mas a de centenas de pessoas pelo Brasil através de sua atuação. Eu sou Geyze Diniz e esse é o Podcast Plenae. Ouça e reconecte-se.   

[trilha sonora]
 

Fernando
Korkes:
Eu vivi um dos piores dias da minha vida em 2016. Era um domingo ensolarado, que tinha tudo para ser, na verdade, um dia gostoso. Eu estava no clube com a minha esposa e com meus filhos, quando a minha mãe me mandou uma mensagem. 

O texto dizia mais ou menos assim: “Acho que meu exame deu alguma coisa esquisita. Queria que você desse uma olhada”. A minha mãe era bem direta ao ponto, uma pessoa mais de ações do que de palavras. Eu puxei isso dela. Junto com a mensagem, ela encaminhou o arquivo de um exame. 
 

Era uma biópsia do colo do útero, que vinha com o diagnóstico de melanoma, um tipo de câncer de pele agressivo. Na hora, eu pensei: “Tem alguma coisa errada aqui. Não, não é possível”. Porque eu sabia que existia melanoma e sabia que existia câncer de útero. Mas melanoma na mucosa da região genital é muito improvável. É mais comum ver um laudo errado do que um diagnóstico tão raro. 
 

[trilha sonora]
 

Quando eu cheguei em casa, entrei no site do laboratório e revirei todos os resultados da minha mãe. Tinha a imagem de uma colposcopia, um exame ginecológico, que realmente mostrava uma coisa estranha no local da biópsia. Aí a história passou a fazer sentido. O laudo apontava que tinha uma metástase em trânsito, ou seja, a doença já es
tava se espalhando pela região pélvica.
 

Na minha cabeça, começaram a vir números. Em oncologia, trabalhamos muito com estatísticas. É uma especialidade complexa e foi justamente isso que me encantou nessa área. O câncer não é uma doença só. Na verdade, são centenas de doenças
que levam o mesmo nome. E existem cada vez mais formas de tratamentos disponíveis.

Ninguém tem bola de cristal, mas os estudos mostram
pra gente qual é a chance de sucesso de cada tratamento pra cada tumor. Antes de propor uma estratégia terapêutica pro paciente, a gente olha pros números. A grande maioria dos tumores que eu trato, como próstata, bexiga e rim, são curáveis. O câncer de testículo, por exemplo, tem mais de 98% de chance de cura. Só que a situação da minha mãe era diferente. 
 

[trilha sonora]
 

Eu comecei a revirar a literatura médica sobre casos como o dela. É um diagnóstico tão raro, que não tem muitos estudos a respeito. Mas, quando eu fui cruzando os dados que eu encontrei, eu calculei que a chance de cura
dela era de menos de 4%.
 A minha mãe tinha 62 anos.

Era uma mulher independente e com muita energia, que adorava o trabalho dela. Sempre foi uma pessoa saudável. Nunca fumou. Praticou atividade física a vida toda. Muito antes de se falar em
quinoa e chia, isso já era uma realidade na minha casa. Como uma pessoa relativamente jovem e com esse histórico podia ter um diagnóstico tão violento?
 

[trilha sonora]
 

Perder a mãe é o curso natural da vida, mas ninguém nunca es
pronto pra isso. Eu não estava. Quando eu vi essa possibilidade no horizonte, caí direto no fundo do poço. Dizem que os fantasmas vêm à noite. Os meus me fizeram passar a madrugada em claro. Os pensamentos oscilavam entre o medo da perda e o medo do que a minha mãe teria que enfrentar. Eu imaginei todas as cenas do filme até o final. Na minha estimativa, a minha mãe teria uns 17 meses de vida pela frente. E foi cravado o tempo que ela viveu depois do diagnóstico. 
 

[trilha sonora]
 

No dia seguinte, eu liguei
pro laboratório onde ela fez o exame e confirmei o resultado com o patologista. Não tinha mais dúvida. A situação, realmente, era gravíssima. Aí, eu comecei uma epopeia pra encontrar o médico que cuidaria da minha mãe. Eu até contei. Em uma semana, nós passamos por 32 consultas, exames e biópsias, antes de decidir o melhor caminho a ser seguido. 
 

[trilha sonora]
 

Nessa fase, eu me vi do outro lado da mesa. Em vez de médico, eu era acompanhante de um
a paciente. E aí ficou nítido para mim que a medicina às vezes olha a doença e pensa em como tirá-la. Só que nem sempre essa abordagem é a melhor praquela pessoa. Um dos médicos com quem a gente se consultou, por exemplo, sugeriu uma cirurgia mutiladora. Mas, o fato é que aquela cirurgia não aumentaria a chance de cura e pioraria a qualidade de vida. Então qual era o sentido? 
 

Eu tive o privilégio de entender do assunto, de conhecer os melhores especialistas e de pesquisar tudo o que tinha de estudo
pra essa doença no mundo. A estratégia que o cirurgião propôs não fazia sentido nenhum. A cura dependia mais da resposta das células aos remédios do que de uma operação ultra agressiva. A gente escolheu uma abordagem menos radical.
 

[trilha sonora]
 

Durante esses 17 meses, a minha mãe quis fazer uma pausa no tratamento
pra viajar com a amiga pra Miami. Teve um baita furacão na Flórida e elas ficaram fugindo desse furacão de cidade em cidade. Foi uma aventura a viagem da vida delas. Eu cheguei a me questionar se ela não deveria fazendo quimioterapia em vez de passear. Mas entendi que esse raciocínio estava errado. A busca incessante por prolongar a vida não é, necessariamente, a decisão mais inteligente a se tomar. 
 

[trilha sonora]
 

O lado romântico do câncer é que tanto o paciente quanto as pessoas ao redor dele podem se preparar
pra finitude. Nesses 17 meses, eu me aproximei da minha mãe. Eu sou acelerado, faço um milhão de coisas ao mesmo tempo. É uma característica que eu puxei dela. Então, se você pega duas pessoas assim, a chance dos dois estarem sempre ocupados é de 100%. Quando eu me deparei com a finitude da minha mãe, eu encontrei tempo pra com ela. 
 

Nas sessões de quimioterapia, nós dois ficávamos sentados fazendo nada, o que era raro antes. Nesses espaços de silêncio, surgiram as palavras. Foi um período em que eu refleti muito sobre a vida, sobre as minhas escolhas. Eu escrevia o que sentia e mostrava
pra ela. Ela ficava orgulhosa. A minha mãe sempre foi uma pessoa que me estimulou demais. Se eu dissesse: “Eu quero aprender a falar francês”, no dia seguinte eu estava inscrito numa aula de francês. Com certeza, eu adquiri muitas habilidades porque ela me empurrou pra frente. Nessa época, eu tive oportunidade de falar: “Obrigado”.
 

[trilha sonora]
 

A minha mãe tentou tudo que a medicina podia oferecer. Ela fez cirurgia, quimio, rádio e imunoterapia, que era um tratamento novo na época. Quando ela es
tava bem debilitada, com novas metástases, a gente viajou para Israel, pra tentar um tratamento experimental extremamente duro, o TIL. Era a última cartada e ela não resistiu. Quando a minha mãe partiu, eu sofri, é lógico, mas me senti em paz. Eu já tinha vivido o luto no domingo em que ela me mandou o laudo do exame. Naquele dia, eu já sabia qual ia ser a parte mais assustadora do filme. Então, quando eu assisti o filme, o susto não foi tão grande.
 

[trilha sonora]
 

Um ano depois que a minha mãe se foi, eu recebi um convite
pra coordenar o Serviço de Urologia Oncológica da Faculdade de Medicina do ABC. Eu cuidaria dos tratamentos de câncer urológico dos hospitais públicos da região do ABC, na Grande São Paulo. Era um trabalho voluntário. Na primeira reunião, eu ouvi um dado alarmante: quase metade dos pacientes operados com câncer de bexiga ali não sobreviviam. 
 

Era uma projeção verossímil. Eu trabalhei em vários hospitais públicos e centros universitários. Conhecia bem essa realidade. A minha ideia
pra mudar esse cenário foi criar um ambulatório e pedir pros hospitais da região mandarem pra gente as pessoas que precisassem ser operadas. Era uma espécie de quartel-general do câncer de bexiga.

Os pacientes, em algumas situações, precisam coordenar quimio, radio, imunoterapia, cirurgia e mais um monte de exames e orientações. O câncer de bexiga, assim como o melanoma uterino que minha
mãe teve, é uma doença de tratamento extremamente complexo e que depende de uma grande coordenação do tratamento. 
 

O sistema público é complicado, então as pessoas com frequência se perdem no meio do caminho. A gente começou a organizar esse fluxo, é
 um conceito que hoje chamamos de navegação. Eu acompanhei a minha mãe nessa jornada e sei que ela é dolorosa. Mas, a trajetória fica um pouco menos sofrida se alguém te ensina pra onde ir. 
 

[trilha sonora]
 

A segunda medida foi mudar a forma de tratamento. O câncer de bexiga é uma doença que afeta, principalmente, idosos que fumaram a vida inteira. São velhinhos frágeis, que chegam com outras comorbidades. Muitas vezes, eles não resistem a uma cirurgia de grande porte. Uma abordagem radical não faz sentido nesses casos, assim como não fazia no caso da minha mãe.

Muitos pacientes que há cinco anos seriam operados da forma tradicional passaram a ser
operados de maneiras menos invasivas e os resultados foram muito melhores.
 Assim nasceu o embrião do Projeto CABEM Mais Vidas. No começo, eu era sozinho. Depois, vieram outros urologistas, veio uma oncologista. Aí chegou uma nutricionista, uma enfermeira, uma farmacêutica, uma psicóloga, fisioterapeuta.

Hoje, nós somos 12 profissionais de saúde, todos voluntários, a
lém de muitos estagiários. Nós já atendemos, diretamente, 230 pessoas. A gente conseguiu reduzir os índices de mortalidade em mais de nove vezes. As mortes caíram de quase 40% para menos de 3%. 
O CABEM Mais Vidas atravessou as fronteiras do ABC paulista. Os nossos dados saíram em revistas científicas e o modelo passou a ser replicado em hospitais públicos de Vitória, de Salvador, de Presidente Prudente.

Se a gente juntar os outros centros, a gente es
falando de mais ou menos mil pacientes impactados pelo projeto. 
Claro que ainda queremos melhorar muito mais. Queremos agora começar a atuar mais no diagnóstico precoce desta doença no SUS, aumentar de 45% para 75% o diagnóstico feito em fases iniciais.  

[trilha sonora]
 

Uma vez um amigo médico me perguntou: “Por que você aceita trabalhar em lugares assim? Se você ficar trabalhando de graça, nunca vão contratar ninguém”. Mas, 
pra mim, isso nunca foi uma questão. Felizmente, eu consigo pagar bem as minhas contas com o que eu recebo no meu consultório particular e consigo dedicar parte da minha agenda ao serviço público.

Eu não preciso usar todo o meu tempo livre
pra ganhar o máximo de dinheiro que eu posso. 
Fazer o bem, doar, sempre foram valores que a religião judaica me ensinou, chamamos isto de Tzedaka. Quando vivi a história da minha mãe, não conseguia entender o porquê aquilo estava acontecendo comigo.  

Mas, q
uando recebi o convite pra ir pro ABC, uma luz se acendeu e clareou para mim qual era o meu propósito. Pude unificar o que tenho de competências e conhecimentos, às minhas experiências pessoais e poder direcionar tudo isto pra ajudar o próximo e melhorar o sistema. Foi motivador pensar que existe um sentido maior no que eu estou fazendo aqui. 
 

[trilha sonora]
 

Geyze
Diniz:
Nossas histórias não acabam por aqui. Confira mais dos nossos conteúdos em plenae.com e em nosso perfil no Instagram @portalplenae. 

[trilha sonora]
 

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